segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Sobre a verdadeira confusão...

Eu não sei se isso melhora ou piora tudo. 
Não sei se é o que me acalma ou justamente o que perturba. 
Não sei mais onde colocar pra esconder, porque toda hora emerge. 
Uma série de chaves que trazem à tona toda a confusão. 
Eu não sei se devo fugir ou me instalar. 
Não sei se é minha salvação ou justamente a minha desgraça. 
Não sei se quero continuar, se devo buscar uma saída, um atalho, 
uma ponte, ou simplesmente mudar o destino dessa viagem. 
Eu não sei nem se todas essas dúvidas são mesmo dúvidas 
ou se estão todas por aqui pra fomentar o medo, 
porque isso pode falhar, ou pode dar certo. 
E, sendo medo, eu não sei se é de que dê certo ou de que fracasse.
Eu não sei que a confusão é (d)isso.


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Saudade vira passado...

Que eu andava com uma saudade tão grande, mas tão grande que ela me imobilizava. Quase não conseguia mover o que quer que fosse sem que aquela saudade se fizesse presente. Ela era um piano das minhas costas... Mas, enfim. Eu não lembro de ter experimentado algo assim, e era uma saudade anunciada, pomposa, bonita, de quase dar orgulho. Não queria me afastar dela, eu a cultivava, cuidava com carinho, de alguma forma ela era boa, era doce. Era uma saudade toda cheia de esperança, colorida, coisa de agradar aos olhos mesmo. Mas... O inferno são os outros, né? É sempre pelo outro que sofremos, é sempre o outro que tem a chave da nossa felicidade, ou até mesmo da nossa saudade. Essa saudade não era um sentimento intransitivo, era saudade de alguém, de um outro. Esse outro só tornou a saudade bonita até certo ponto. Depois disso ele se deixou sucumbir pela lógica maldita e universal da capitania herdada, como um donatário displicente só veio à essas Terras enquanto era novidade, depois disso sabe-se lá que outras terras habitara, povoara, visitara. Meu donatário me deixara entregue às lamúrias desta terra insólita e infértil, se fora como um vento de estação. Era estação, não era clima. Assim, nada mais me restou que deslocar a minha saudade da categoria de futuro à categoria de passado. Pedaços de terra nunca ficam despovoados por muito tempo. Mudam de colonizador, mas cada colonização deixa sua marca. Não sei se um dia vou sentir uma saudade tão bonita quanto essa, mas espero pelo dia que, muitas colonizações depois, uma escavação arqueológica encontre artefatos desta...

domingo, 24 de novembro de 2013

Exatamente no mesmo lugar...

Quantas vezes já não tive a ilusão de que algo que se repete ia se repetir de uma maneira diferente? De que um filme repetido pode ter um final diferente, um final não tão escroto pra mim? É muito engraçada a lembrança de sensações. Acho que lembrança de sensações são mais impactantes que as lembranças dos próprios momentos, dizem mais deles que eles mesmo. A lembrança da sensação te dá mais propriedade, é quase mais tátil que a lembrança da imagem, por exemplo. Com certeza o fio da memória é mais forte com um "o que eu senti" do que com um "o que eu vi". A imagem é muito volátil, a lembrança é mais forte, mais concreta. E eis-me aqui, agora, diante desta tela estive várias vezes, escrevendo sobre angústias diversas, mas sempre com uma sensação em comum, a de que o meu final seria escroto. Há pouco estive neste mesmo lugar e tive a breve ilusão de que, talvez, eu poderia ser protagonista de um final diferente, que dessa vez eu tinha conquistado o público do "você decide", mas errei a programação, era só mais um "vale a pena ver de novo"?

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Você não me conhece (frase no imperativo).

Você não me conhece, certo? Dica especial para o público masculino: nunca se conhece uma mulher por inteiro. Isso é o fato. O conselho vem agora: nunca diga a uma mulher que você a conhece. Nunca diga que você entende seu funcionamento, ou que sabia que ela faria isso ou aquilo outro. Mulheres não se deixam conhecer. Apenas um personagem mítico, sendo homem e tendo sido condenado a passar um tempo como mulher, soube do segredo das mulheres, e por tê-lo revelado, fora severamente castigado com a perca da visão. A mulher é aquela que porta o segredo do desejo feminino. Sim, é por isso que nós não nos damos muito bem umas com as outras, pois sempre acreditamos que outra mulher porta um segredo da qual nós fomos privadas. A verdade é que aquela outra mulher também acredita que outra porta o mesmo segredo e assim por diante, seguimos sem a chave para o enigma de nosso desejo. Sim, os homens são uma classe bem mais unida que as mulheres, mas se há algo em que o grito feminino é uníssono é: Homens, vocês não sabem de nós. E nós mesmas não sabermos da nossa verdade já é duro, mas aos poucos uma mulher vai entendendo que essa é a fonte de sua magia, e que ter algo de "não-dito" pode ser bom, pode nos fazer mais íntimas de todos os outros não-ditos do mundo. Mas é muita injustiça nós termos de nos haver com isso e um cara, que com certeza não sabe do que tá falando, achar que sabe mais de nós que nós mesmas...

P.S.: isso não vale se você for o Chico Buarque ou escreva coisas tão coerentes sobre as mulheres quanto ele.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Pra dizer que eu não sei dizer onde é que isso vai dar...

Não mando mais no querer, é ele que tem me dado o tom dos dias, das cores, das músicas pra ouvir no banho ou antes de dormir. Totalmente submissa ao desejo, como não me lembro de ter estado. E é um querer grande, estranho, megalomaníaco, e ridiculamente infantil.
É da ordem da toxicomania, uns dias sem ele e vem uma agonia meio louca, uma angústia, uma coisa (substantivo) que coisa (verbo) dentro de mim. Não sei o que fazer com ela, não sei como fazer com ele, mas quando ele vem ela muda. Passa de coisa ruim pra coisa boa. Ai passa um tempinho e ela já muda de novo. Não é mais coisa ruim, nem coisa boa, é coisa doida. É coisa irracional, fantasística, que quer coisas outras que a gente sabe que não são possíveis, mas como infantil que é, de nada adianta saber, a cabeça não reina em terra de coração.


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A que nos apegamos?


Uma vez, resinificando umas coisas na minha vida, eu cheguei a conclusão de que paz era a única possibilidade de felicidade. Pensava: os meus melhores momentos são quando eu estou em paz, comigo e quando o mundo me deixa um pouco em paz. Mas nessa conta eu não inclui o amor. Ele foi incluído fora dela. E agora eu penso, o amor traz coisas boas, mas é inegável que ele tira a paz. Amor é movimento, é dinâmica, é invasão de um outro na sua vida, um outro que te faz readequar muitas coisas: crenças, valores, sentimentos, julgamentos, lugares, pessoas... Você com outra pessoa é outra pessoa. E não adianta vir com o argumento de autenticidade, identidade e esses troços todos: o amor te muda, e cada amor muda de uma forma diferente. Não se passa duas vezes pelo mesmo rio, não caem duas vezes as mesmas flores na primavera, não se ama da mesma forma duas pessoas. Você sairá uma pessoa diferente do amor anterior e será alguém diferente com a posterior. E a felicidade? Ah, foda-se a felicidade! A impressão que eu tenho é que só máquinas são felizes, porque são munidas de programas e mais programas que dão conta uns dos outros. Nosso hardware quebra se nosso software pira! Não dá pra entrar com um programa e reparar as ideias, o corpo dói, a carne cede, as lágrimas caem e o sorriso se abre! É, sim, o amor tem muita coisa ruim sim! E, desculpa a sinceridade, os covardes não amam. Ou pelo menos vão amar muito pouco e por um golpe de sorte. Porque o amor vai trazer dor, vai trazer trauma, e é sempre a isso que nós nos apegamos. Inevitavelmente, é sempre a dor que vai pesar, é sempre a decepção que vai contar a história, poucos, muito poucos, são os que conseguem superar os erros em nome da lembrança dos acertos.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Sobre como não achar uma sequência de erros, pílula azul e pescaria.

A vida é uma sequência de encontros com o inédito. Ninguém nunca passa duas vezes pelo mesmo rio: tanto porque devido ao ciclo da água aquele reservatório é constantemente renovado, tanto porque você tem seus próprios ciclos e está constantemente renovado. Por favor, não sejamos românticos a ponto de considerar 'renovado' algo que só pode vir com uma conotação positiva. Renovado vem de novo, novo é desconhecido, desconhecido pode ser bom ou ruim, se isso fosse matemática, muito provavelmente eu conseguiria convencê-los de que é mais seguro e confortável ficar com o velho e seguro, mas ainda insisto em ter fé de que "a magia acontece fora da zona de conforto". Hoje eu realmente não sei sobre o que eu quero falar, mas hoje é um daqueles dias que a falta se manifestou de forma negativa. Porque "se manifestou". Se manifestou porque eu mereço os créditos de vir aprendendo a fazer coisas boas, eu diria muito boas, com a minha falta. Mas, se fosse de outro jeito não seria falta, seria algo com ma conotação mais positiva, né? Falta vai ter que te jogar coisas duras no colo, e você, menino ou homem, terá de lidar com ela. Uma das minhas últimas lições de falta diz respeito à falta de respostas. E de ter tantas e tantas perguntas, um pouco mais de alteridade me fez perceber que: ninguém tem as respostas. O que faz de você melhor ou pior é o que você faz com o quê? Com a falta de respostas! Você pode sentar e cruzar os braços, pode procurar as respostas em outro lugar, ou, ainda, minha opção preferida (o que não quer dizer que seja a mais praticada) você pode criar as suas pro´prias resposta e ir se desvinculando aos poucos dessa forma de saber a qual nós estamos habituados: temos respostas, mas não temos verdades. O que você prefere, respostas ou verdades? Se eu fosse Morpheu, você escolheria a pílula azul ou a vermelha? Eu às vezes acho que nunca escolheria a pílula azul. Não faço o tipo "estou bem em meu mundo colorido". Sou muito mais do tipo que cava pra encontrar ossadas, um terreno verde é sempre uma escavada em potencial, e não um lugar pra estender a toalha e fazer pic-nic. Há quem eu tenha perdido no meio do caminho por isso, há quem eu tenha ganhado por isso também. Há coisas belas e sujas, ao nosso redor, todas ao nosso redor, e a vida... A vida é uma "boa"
pescaria.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Menos com menos dá mais (na vida real)?

Na matemática sim, tem essa lógica inapreensível por mim, aliás como toda a matemática, e isso me confundia muito, perdia questões inteiras por esquecer de trocar o maldito sinal. Todo o esforço de alguém que podia ter desistido antes mesmo de começar, alguém que enfrentou as probabilidades pra estar ali e isso não fora considerado. Por essas e algumas outras eu desisti de estudar matemática no segundo ano do ensino médio. Me recusava a perder tempo com algo que sabia que não ter capacidade para levar adiante. Agora... Porque eu não estendo essa decisão para alguns outros milhares de campos na minha vida? Talvez nem precisasse da matemática toda, mas apenas do jogo dos sinais. “volta, volta que tu vai ter que inverter um monte de sinais nessa relação, vai se desgastar pra caramba e no final não vai dar certo”. Você é um grande sinal de menos (-) que insiste em se apaixonar por alguém tão negativo quanto você. Agora me diz, se você desistiu de matemática há tanto tempo, como acha que isso pode dar certo? Filosoficamente falando não faz sentido, não tem como estabelecer o equilíbrio. “A cabeça cheia de problemas(...) eu gosto mesmo assim...”. Eu acho que quero alguém que possa minimamente me dar respostas e insisto em me encantar por pessoas que tem tantas dúvidas quanto eu. Só as interrogações e as reticências me são charmosas. Pontos finais e exclamações são agressivos, duros, inflexíveis. Por isso gosto do português, porque ele tem a maleabilidade do significante, uma coisa, dentro da mesma estrutura, pode ser várias coisas diferentes, dependendo do contexto, e isso é encantador. É encantador... Talvez, no fim eu não queira respostas, queira só alguém pra compartilhar as dúvidas, pra deslizar nas curvas das interrogações do texto da vida...

domingo, 27 de outubro de 2013

Do amor, da covardia e da (in)felicidade... Parece triste, mas não é!

Ultimamente eu tenho pensado muito em como as experiências passadas (a parte real e fantasiosa delas) influenciam no nosso presente e, obviamente, no nosso futuro. Eu sempre me gabei muito de ser um ser humano racional, mas também sei que isso se dá dentro da medida do possível e que (falando por mim) a racionalidade muitas vezes vem em resposta ao medo, medo é um sentimento, logo, você (eu) não está sendo tão racional assim. Bem, sendo prática no que eu quero dizer (que não obrigatoriamente é o que vocês querem ouvir), o que eu acho é que, apesar de afirmar meu posicionamento de que a felicidade não existe, eu acho que não é saudável nós vivermos sem a ilusão dela. É que nem uma corrida de cachorro... Tem aquela haste com um coelho de plástico pendurado, nós sabemos que o coelho é de plástico, mas o fato de os cachorros não saberem faz com que eles continuem o movimento em busca daquilo que querem. Da mesma forma se fosse uma corrida de coelhos, teria uma cenoura de plástico correndo na haste a fim de que os coelhos a quisessem. Com a gente é assim, muitas vezes elegemos objetos plásticos (e notem que a escolha dos plástico não foi à toa) para servirem de coelhos ou de cenouras. Precisamos elegê-los, caso contrário nossa vida não faz sentido. Nossos objetos são amores, ideais, ideias, uns mais plásticos que outros, mas não adianta sabermos (bem teoricamente) que aquele objeto é feito da fórmula básica realidade+fantasia, nós corremos atrás dele como uma unidade: realidade+fantasia=objeto que nos faz seguir em alguma direção.



segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Da saudade, da foraclusão e do meu desejo...

                                            
Uma vez aqui eu falei que achava que tinha uma diferença entre ter saudades e sentir falta. Mantenho o veredito. Saudade em muito pior que a falta. A falta é falta, o melhor que você tem a fazer é aprender a lidar com ela, a saudade... a saudade é tão escrota que geralmente vem no plural, porque é sentimento demais pra caber no espaço de um singular... Ah, se não for de algo bom, com certeza era de algo que de alguma forma te fazia bem, respondia a alguma coisa. No meu caso a saudade é de um elemento que veio fazer um bem incrível, mas hoje ele se encontra foracluído. Foracluído é um termo usado dentro da estrutura psicótica pra designar a presença do falo,incluído fora, no exterior. Isso tudo tem a ver com a falta de amarração, uma certa "soltura" que traz a angústia ao indivíduo, eis como me encontro. Solta e angustiada por isso, meio invadida sem invasor, meio assolada sem um carrasco. Essa é a pior sensação possível para um mulher, quando ela está cara com o não todo, sem o que irá segurá-la na lei. "Proteja-me de mim mesma", é o que queremos quando lhes pedimos pra ficar, quando reclamamos da ausência, da falta. Uma mulher é um perigo ambulante para ela mesma. "Pra quem não sabe pra onde vai, qualquer caminho é bom", já dizia o coelho a Alice. Sabemos desfrutar magicamente de nossa enorme possibilidade de gozo, algo que pouco de vocês homens irão poder experimentar um dia, e para fazê-lo haverão de deixar de sê-lo. Mas, mesmo o maior e mais imponente dos navios precisa de um porto... É água demais passando pelo nosso casco, é mundo demais para não darmos conta, são muitas cartas em um só jogo. 

sábado, 28 de setembro de 2013

Hoje eu acordei com vontade de ser dessas mulheres excêntricas (diferentes ou doidinhas, pra alguns)... Vontade de me derramar, me espalhar sem perspectiva de recomposição. Quase de-compor. Escolher um alvo encantador, sair a rua, sentar na mesa de um bar onde esteja tocando uma música legal, pedir um drink (ou vários) e ficar lá, em exposição para os outros e apreciação de mim mesma. Até que finalmente, dos inúmeros garotos que passaram, um deles tem o germe de homem e pede pra me acompanhar. Abro o sorriso: "Claro, porque não?".
Hoje eu acordei com vontade de colocar uma roupa bem sexy, calçar um salto, experimentar 300 maquiagens antes de decidir pela que melhor combinar com meu humor, chamar os (amigos) de confiança e ir dançar. Chegar na pista e dança como se eu estivesse sozinha em casa com o som alto, cantar todas as músicas conhecidas que a banda tocar, esquecendo que eu preciso cuidar da voz. Gritar, irrigar a garganta com álcool e gritar mais um pouco.
Hoje eu acordei com vontade de vestir um vestido frouxo, meter uma rasteira e ir sozinha ao cinema do dragão. I r de ônibus, pra poder apreciar a paisagem. Chegar cedo pra escolher o filme, sentar um pouquinho sem nada pra fazer, depois ir tomar um sorvete na castelinho. "Um simples de doce de leite flocado, por favor!"
Hoje eu acordei com vontade de sair com gente desconhecida. Amigos de algum amigo. Ser apresentada a gente nova e poder ser outra pessoa totalmente diferente. Semblante de desencanada, divertida e selvagem, daquelas que não se prender, que com o sorriso dizem: "é sedutor, mas não se encante, amanhã não me verás mais". Pedir drinks sofisticados e entrar nas conversas filosóficas como se fossem cotidianas. Analisar a sociedade com escracho, dominar a mesa, ditar o rumo da conversa, ser rainha da noite.
Hoje eu acordei com vontade de fazer tudo isso, chegar em casa entre a boca da noite e a madrugada, depois de passear por todas as possibilidades, encantar e desagradar, ainda estando meio confusa de quem eu realmente sou depois de ser tantas, ligar pra alguém e dizer: "Vem me colocar pra dormir..."

sábado, 14 de setembro de 2013

Afinal, quem não existe mesmo?

                                                    Mas afinal, o que querem as mulheres?
Essa é uma pergunta que pode ser vista de duas maneiras: um muro e um motor.
Um muro se você não abstrair do 'bem fundamentado'. Isso porque tudo que envolve a mulher está na ordem do mal, mal-fundamentado. Nós temos no meio das pernas a verdade do mundo, digo isso porque temos um pé na razão e um pé na loucura. Não existe um mundo são ou um mundo louco, existe um mundo onde os dois coexistem, às vezes bem, às vezes mal, mas estamos sempre falando de um plano em comum. E estamos sempre falando da mulher. Importante que se saiba que quando falo da mulher não estou restringindo à anatomia, tô abrangendo a escolha, o posicionamento. Você com certeza já viu muita mulher anatômica mais homem que muito homem anatômico e vice-versa.
Sim, mas... O que querem as mulheres? Eis a esfinge do mundo moderno. Desde que as amarras foram se desfazendo, as coisas foram mudando, as línguas foram se soltando, e nós começamos a dar mais trabalho que o habitual. Veio a tal da revolução sexual, donde queríamos ter o mesmo acesso ao prazer que os todo-poderosos homens, as pessoas não gostaram da ideia de início, mas foi questão de tempo passarmos (superficialmente) de um extremo ao outro. De repente, até onde os olhos viam, nós estávamos tão bem decididas quanto ao que queríamos e, corajosamente, fomos atrás do prazer. Liberdade sexual, queima de sutiãs, direitos iguais, feminismo... Isso tudo é muito mais uma metamorfose do véu que encobre o que realmente há por trás da mulher. Mudamos a forma dos desvios, dos disfarce, mas continuamos a buscar a mesma coisa. E uma busca que não cessa é uma busca por algo que não existe, que não se faz presente, que não ocupa seu lugar.
Agora chegamos ao homem que não existe. A mulher existe! Você certamente já conheceu meninas e conheceu mulheres, sutis belezas as diferenciavam, mas essa existência dentro da diferença só foi possível porque convencionou-se dar a nós, mulheres, o benefício da falta. Mulher é faltosa. Meninas são mais delicadas, algumas mulheres são mais fortes, entre meninas e mulheres existem diferenças nos seios, nas coxas, nos sorrisos, olhares, armas... Mas entre elas há um denominador comum: a falta. É isso que torna a nossa existência possível. Quanto ao que queremos, é isso que torna a existência do homem impossível. Elegemos uma série de quesitos, em sua maioria eles vem das histórias de amores e lutas que ouvimos quando estávamos sendo subjugadas a sermos mulheres. Daí cruzamos os elementos externos com nossas demandas interna e elegemos o nosso próprio modelo de objeto de desejo, um modelo bem peculiar, cheio de extravagâncias e, até pra mim que sou mulher, coisas da ordem do impossível. Como um boneco de pano, vamos enchendo, enchendo, costurando, customizando, e ao final dessa manufatura temos um ideal de homem. Eis a minha conclusão, o único homem que existe é esse de articulações frágeis que costuramos com nossos dotes femininos. A esse boneco não foi concedida a benção de Geppeto, não seria saudável para a ordem do mundo um homem que atendesse a tais regalias. E é por isso que somos assim, tão 'estranhas', 'loucas', 'irracionais', porque temos de conviver com o terror velado de viver em busca de algo que não existe, e, pior ainda, tentar, da melhor maneira possível, fazer algo com aquela luzinha que pisca incessantemente dentro de nós, aquela luz de alerta que nos deixa absurdamente divididas entre o desejo da transgressão e o desejo da proteção...

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Ah, mas se vais embora...


Por favor, vá embora logo!
Entre nesse avião, atravesse o oceano, volte às origens dessa terra maldita e não olhe pra trás!
Por favor, desapareça. Saber da tua partida iminente não evitou que eu me envolvesse, afinal, se a morte vem como decreto de fim, o sexo vem para além de qualquer aniquilação.
Por favor, me destrate, me maltrate, não me trate. Deixe que eu esgasse pelas noites toda e qualquer lembrança da tua pele, deixe que eu esqueça da maciez dos teus lábios e dos teus braços a me envolverem tão seguramente a ponto de eu querer o fim do mundo. 
Vá embora. De dentro e de fora de mim, só vá embora logo. 
Vá, e de preferência não volte. Ou volte, mas apenas quando tiver outro em seu lugar, 
depois de eu muito amaldiçoar a vida pelas bençãos que te dei. Vá embora, e faça uma saída triunfal, para que eu te odeie a cada gota. Vá e me mostre toda a sua fraqueza pra que eu me agarre nela a fim de te destituir do lugar de meu, de mestre.
Ah, não faça drama, não me force a acreditar que você se importa. Isso não importará quando eu precisar te destruir pra seguir em frente. 
Vá e leve com você a sua rua, a sua casa, todos os lugares em que fomos juntos.
Por favor, não esqueça de levar aquela música que cantaste para mim no chão. Aquela música é tudo o que não pode ficar por aqui, ela seria um iceberg que destruiria o navio do meu esquecimento. Leve-a consigo, leve a tua voz que era leve naquela noite. Leve, pra bem longe, porque saber da tua partida não me adiantou de muita coisa. Saber que tu iria embora não fez fenda na verdade da minha dependência.
Ah, vá embora! Toque fogo em tudo o que me possa remeter a você e de preferência me mande notícias de tua felicidade ao lado de outra moça.
Vá logo antes que eu te ache. Ah, vá embora. 
Me leva contigo. Mas se for levar em pensamentos prefiro que me jogue no meio de uma nuvem, num vácuo ou turbulência pra que eu nunca mais consiga encontrar o caminho de casa, nem o teu caminho, ou caminho algum. Só me leve se for a ponto de sentirdes minha respiração junto a tua, caso contrário me deixe. Me deixe, vá embora. Vá embora o mais rápido e rispidamente possível. 
Vá em-boa-hora. 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Imagina que louco...

Imagina que louco, num espaço curto de tempo e como num passe de mágica 

seus problemas vão se dissolvendo, escorrendo entre os dedos? Bom?

Imagina que louco não ter ninguém pra culpar pelo seu fracasso, nenhum perseguidor.

Imagina não ter a falta de tempo como desculpa pra tudo o que você não fez, não ter a 
falta de amigos pra mascarar a sua depressão que te faz ficar em casa no sábado a noite?

Imagina ter o corpo perfeito e ter que lidar com o fato de que sim, você é uma bela mulher desejável... 

Ou imagina ter 10 cm a mais de pinto e ter um exército de mulheres querendo você dentro delas...

Imagina ter 10 anos a menos e ter que aprender tudo que os últimos fracassos te ensinaram de novo?

"O que tem de seu naquilo que você se queixa?"
Já pensou que louco não ter mais esses escudos trazidos sob a alcunha de "problemas" 
e você ser o único infeliz responsável pela sua (in)felicidade? 
Imagina uma vida perfeita... completa... 

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A lembrança é a patologia dos amores...


E a dádiva dos desamores.
Não conseguiríamos odiar se não cultivássemos lembranças ruins, 
e amaríamos muito mais sem elas... 
Em tempos onde a tecnologia dispõe de inúmeras alternativas externas de memória, 
tendemos a ter mais desamores que amores... 
Na parede ocupada por poucas prateleiras que guardavam momento seletos e importantes, 
que fizeram por onde merecer uma vaga suada nas lembranças, 
hoje temos inúmeras caixas de sombras, sem nomes nem significantes, só números e significados. 
Tudo em blocos, preto no branco, sem muito espaço para cores ou formas alternativas. 
São fitas, CDs, disquetes, pendrive... Num desses você guarda as provas que reafirmam os afastamentos, 
em outro você guarda as músicas que te trazem lembranças de dias bons. 

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Usando de Nietzsche pra te dizer que...

Até que olhar a tua mesa e ver um pouco do que tu costumavas ser para mim me fez sentir pena por hoje não suprir mais por ti o sentimento tão nobre que supri um dia... 

É importante que saibas que "não se odeia quando pouco se preza, odeia-se só o que está à nossa altura ou é superior a nós." Minha repulsa diz que ainda acredito em quem tu fostes, e que ainda há, mesmo que em seu reverso, o amor que senti um dia, mas prezo pelo fato de que "uma vez tomada a decisão de não dar ouvidos mesmo aos melhores contra-argumentos: sinal do caráter forte". 
O nosso interdito pode ser facilmente explicado, era tão óbvio que "sou demasiado orgulhosa para acreditar que um homem me ame: seria supor que ele sabe quem sou eu. " E era tão óbvio que tu dirias: "Também não acredito que possa amar alguém: pressuporia que eu achasse um homem da minha condição." E só achastes uma mulher.
Me recuso a acreditar que "não é a intensidade dos sentimentos elevados que faz os homens superiores, mas a sua duração", porque por mais breve que tenha sido, nossa ligação me elevou em algum sentido.
Por fim, havemos de nos contentar por termos nossos corações separados e mandados de voltas às nossas respectivas caixas torácicas, talvez pelo conforto de que "quando se amarra bem o próprio coração e se faz dele um prisioneiro, pode-se permitir ao próprio espírito muitas liberdades."

Isso era o que eu tinha pra dizer (com a ajuda do bigodudo).


domingo, 7 de julho de 2013

Um domingo na 3ª pessoa é mais confortável...



Ela já tava quase se apaixonando por mais um daqueles caras que lhe davam a ilusão de segurança. Acabado de sair de uma história com pitadas edipianas bem complicadas, ainda estava magoada, meio que de luto e sem um pingo de respeito por qualquer ilusão de amor. Principalmente quando ela estava implicada nesse sentimento. Depois de muito se proteger, baixou a guarda e quebrou a cara. E, como não poderia deixar de ser, não foi uma desilusãozinha qualquer, foi uma decepção daquelas colossais. Mas, no fundo ela já sabia que aquilo ia acontecer (talvez por isso tivesse acontecido). Fora isso, tava confusa e entediada. Suas expectativas eram tão efêmeras, que pareciam aquelas velas de aniversário que soltam faíscas, sabe? Elas demoram a acender, você precisa ficar percorrendo o fósforo em todo o cumprimento do cabo, só depois de um tempo ela acende, e dai você tem que cantar os parabéns bem rápido porque até ela apagar é questão de segundos. Seguia aquela rotina de sempre, que ela sabia que era rotina, sabia que nada de especial ia acontecer no final do dia, e se recriminava por continuar desejando calada algo que a fizesse sorrir como nunca. Na verdade, por mais que ela não quisesse admitir, ela estava mais sozinha do que nunca. Tinha perdido seu alvo de investimentos... E agora, de quem esperar? 
Não tinha muito o que ser feito. Ia preenchendo seus buracos com afazeres no dia-a-dia, estava aprendendo de tudo, um novo idioma, um novo instrumento, novas habilidades, velhas queixas.  Não tinha aula no domingo a noite e seus pais cancelaram o Tele Cine.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Sobre a estrada e o navegador...


Por mais que a gente cresça ouvindo que "a vida dá voltas", que "a vida é uma roda viva", e todas essas coisas mais que remetem à instabilidade, a gente nunca sabe qual a real proporção dessa incerteza. Quantas vezes você já foi destituído do lugar de controle da sua vida? Quantas vezes você quebrou a cara e levantou-se, logo em seguida, olhando pro lado e, caso ninguém tenha visto, continuou em frente, como se nada tivesse acontecido? A vida é que nem rodovia desconhecida, o problema é que essa rodovia só te deixa a possibilidade de seguir em frente ou viver uma vida medíocre à beira da estrada, vendo os que escolheram ir em frente buscarem seus caminhos. Sobre o caminho e os percalços dele é mais ou menos isso. Sobre quem está na direção... Bem, eu não sei como dizer isso de uma forma simples, mas é você sem saber que é. Você é guiado por uma bússola, mas algum sacana colocou um imã bem perto dela, então as coordenadas são bem confusas.  Não, não dá pra achar outra bússola, o máximo que você vai conseguir é um outro imã, daí eu já não tenho conhecimento físico suficiente pra saber o que isso pode causar, mas não acho que seja algo bom. Também não posso dizer que é ruim, é tipo agridoce. Um fluxo de energia bem peculiar, sai do corpo e da mente. Em suma, é tipo você bêbado. Às vezes seu reflexo estará lento, às vezes você vai perder a noção do perigo e pisar mais fundo do que devia, às vezes você vai ter sono e tirar o pé, seguir devagar quase parando, pode machucar pessoas no caminho, pode não chegar ao fim da linha, ou pode acordar na sua cama, sem saber como chegou lá. É tipo assim. Quanto ao passageiro. Bem isso dai é mais difícil de dar conta que à bússola confusa. Então, o passageiro estará lá algumas vezes, outras não. Ele poderá ser um bom navegador às vezes, às vezes não. Ele pode te fazer chegar da melhor maneira possível ao fim da prova, ou pode te dar as coordenadas erradas e te atrapalhar totalmente, a ponto de você ser eliminado da corrida. É melhor ir sozinho? Não sei. Com quem você vai conversar? Quem vai segurar o votante quando você precisar ter as mãos livres? Quem vai te distrair quando o sono chegar? Com quem você vai poder dividir os louros da vitória ou a responsabilidade do fracasso? Dai você me pergunta: e então? E eu te respondo, é tentar, vai tentando, tendo sempre em mente que nenhum deles será perfeito, mas algum deles vai ser o menos errado. Algum deles vai ter as qualidade que são seus defeitos, algum deles vai ter um pouco mais de noção espacial, algum deles vai saber fazer um café forte pra te manter acordado. Mas nenhum deles vai ser perfeito. No fim, mesmo com todos os defeitos de fábrica irreparáveis, é sempre mais seguro seguir com um navegador ao lado. Essa estrada é muito longa pra você ir sozinho. E, por mais que ele seja um merda na navegação, confunda esquerda com direita e não saiba a diferença entre 100m e 1 Km, pelo menos é alguém pra você conversar e não pegar no sono, porque, acredite, o sono virá.

terça-feira, 25 de junho de 2013

É tipo quebra-cabeças de labirinto...

Uma coisa que eu já aprendi sobre a minha "dinâmica literária" é que eu não sou muito boa com títulos. Não sou boa com os títulos dessas coisas que eu escrevo aqui, não sou boa com os títulos das músicas que eu componho, muito menos com os títulos dos meus trabalhos acadêmicos. Isso é bem explicável quando penso que a droga do meu raciocínio não tem nada de linear. Agora, por exemplo, eu pensei em escrever um texto intitulado "Quando eu finjo que não sei", porque eu tava a fim de falar como é legal você omitir seu conhecimento em determinadas situações, porque isso meio que te dá um controle da situação às vezes da até pra manipular uns resultados. Não que eu faça isso, a parte séria do meu superego não permite, mas, às vezes, eu faço na minha cabeça. Eu meio que planejo os próximos passos, e, noooossa, como as pessoas se tornam previsíveis com um pouco de informação. "Ah, mas você é psicóloga", alguns devem tá pensando agora. E lhes digo: nada disso se aprende na faculdade. Aliás, uma das coisas que você menos aprende numa faculdade de psicologia é sobre psicologia (e isso que eu tô falando não tem nada de psicologia). Esse é o tipo de coisa que qualquer um que saiba calar e observar mais que qualquer outra coisa aprende. Eu não sei de onde veio essa minha veia meio intrusa na conversa alheia, mas eu simplesmente não consigo não prestar atenção se estiverem conversando perto de mim. Às vezes a conversa é uma merda (essas são as melhores), mas ainda assim eu fico prestando atenção. O meu maior gozo é pegar apenas fragmentos dos diálogos e ir construindo um raciocínio. É tipo fica olhando alguém montar um quebra-cabeças, saber qual peça ele deve colocar em que lugar, mas não poder opinar, simplesmente porque aquilo não te diz respeito. No começo eu deixava escapar, ai, do nada, me metia no meio da conversa, dando informação ou opinião, mas eu percebi (da pior maneira possível) que isso não é legal. O pior é que eu nunca uso isso pro mal. Ás vezes eu ficou ouvindo, quero poder ajudar, mas fico achando que vão me achar metida. Meu breve momento de liberdade é quando isso acontece com pessoas que eu conheço e tenho intimidade, por isso, não se assuste se eu me meter numa conversa que você achava que eu não tava nem ai... Essa é minha maneira preferida de conhecer as pessoas. Pegando as conversas por alto. Por favor, não me ache pentelha, eu não acho que o que eu faço é errado. Juro que se achasse já tinha parado. Mas é muito, muito, muito interessante. Ai voltando à parte da manipulação, você vem prestando atenção há tempos nas conversas de alguém, daí quando vai falar com ela, nas primeiras tentativas, já sabe que caminho seguir. Ah, outra coisa, eu sei exatamente quando você quer que eu ouça. Isso acaba com a fantasia toda da coisa, tá? É tipo fetiche, tem que ser do meu jeito, se não não funciona... Foi assim que eu me apaixonei da última vez. "Imagéticamente" o sujeito era exatamente tudo o que eu não gostava, por sorte (ou azar, pelo rumo das coisas) eu não o enquadrei na minha prateleira de repulsas, justamente porque alguma vez a conversa dele com alguém me chamou a atenção. Eu sei que eu não devia fazer esse tipo de enquadramento sem o conhecimento mais aprofundado da pessoa, mas, sim, esse é o tipo de coisa idiota que eu faço. Enfim, quanto mais eu prestava atenção nas conversas dele, mais eu tinha que fingir desinteresse e mais eu queria que aquelas conversas fossem comigo! Às vezes dava vontade de ser aquela criança chata do colégio que quer forçar a amizade e mostra todos os seus brinquedos legais, sabe? Eu tinha vontade de vomitar tudo o que eu sabia sobre o que ele tava conversando só pra ver se ele ia me achar interessante e querer ser meu amigo. Aos poucos eu dei um jeito de me inserir nas conversas, e dai eu meio que fui ficando viciada, ou como eu disse uma vez, condicionada, a ele. Aquela conversa era de longe a melhor que eu já tinha tido. Parecia que finalmente eu não precisava mais ser um terceiro elemento fantasmático de um diálogo, eu finalmente tinha alguém com quem tinha prazer de conversar, alguém que conseguia receber o que eu tinha pra dar, e que conseguia dar o que eu queria receber. Dai já dá pra imaginar onde isso ia dar... Cada vez mais eu queria espirrar o que eu sabia, minha opinião sobre as coisas, mas ai eu já não queria só conversa. E eu que julgava impossível, finalmente achei que tinha achado a minha outra pessoa. Eu queria mais, queria que meu mundo se restringisse a nós dois. Mas, não mais que de repente, eu não reconhecia mais aquele outro sujeito do diálogo. Ele se foi. Deu lugar a uma figura perfeitamente enquadrável naquela categoria que eu falei anteriormente. E o pior que eu sei que não foi um desaparecimento, foi uma foraclusão. Ele tá ali, mas não quer mais estar. A minha pessoa entrou em latência. Eu nem sei quanto tempo ela vai durar, mas já foi o suficiente pra eu reverter todo e qualquer investimento. Agora, tudo o que eu quero é vomitar coisas horríveis pra que ele sinta tanta raiva de mim quanto eu sinto dele. Tudo que eu quero é não mais querer nada que um dia ele possa vir a querer para que nem esse querer nós tenhamos em comum. O pior é que nem querer mais que ele volte eu quero. Meu querer agora é da ordem da ausência de átomos. Queria que ele simplesmente nunca tivesse existido. O que me seria bem mais cômodo, pois agora vai ficar aquela esperança chata e involuntária de achar um outro alguém com que eu possa voltar a ser um elemento de dois, e não de três e flutuante. Mas, enfim... Talvez seja hora de fingir que não sei pra mim mesma, talvez assim eu possa amortecer os próximos passos.

P.S.: Desculpa se pareceu ríspido, é que ultimamente eu sai dessa onda de fingir que não...

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Qual a profundidade da revolução?

Gente, toda essa movimentação que está acontecendo agora tem um caráter bem peculiar: Não temos uma única causa de luta, temos várias. Os R$0,20 foram o estopim, mas estamos na rua lutando por inúmeras melhorias. Ontem, ao voltar pra casa, nós tivemos que apanhar um taxi. Eu fiquei por último no trajeto, e ai o taxista me perguntou: "Porque vocês estão fazendo isso?", com um tom de recriminação. Eu, percebendo que ele não estava muito contente com as manifestações, tentei explicar com exemplos práticos.
Eu disse que não existia um único motivo pra estarmos lá. Mas que o fato de estarmos no dia do jogo era porque queríamos incomodar.
Ai ele me interrompeu e disse: "INCOMODAR? Taí, gostei do jeito que você falou, porque é só isso que vocês estão fazendo. Porque que tinha que ser logo agora na copa?"
Ai, eu tentei responder: Moço, o senhor imagina o quanto tá sendo gasto dos cofres públicos com essa copa? Um dinheiro que tá fazendo muita falta pra população na educação, saúde, segurança... Quer um exemplo? Eu estudo na UECE. O senhor conhece alguém que estude lá? Meu senhor, lá as coisas estão entregues. Os colegiados estão totalmente desfalcados, falta muita coisa, e o governador não faz nem questão de fingir que tá se importando com a nossa situação. Por vezes ele nos deixa claro que não pretende fazer investimentos lá. Tem gente que não sabe quando vai poder se formar por causa da falta de professores, de recurso e tudo o que isso causa.
Ai, ele me surpreendeu com a seguinte resposta:
"Mas, me diga... estudar pra quê? Olha, eu não tenho mais que uma segunda série, só sei assinar meu nome e ler uma besteirinha e sou 'doutô'. Sou o 'doutô' taxista. Tenho meu apartamento, meu carro particular, meus filho. Olha, eu não troco a minha vida pela vida de nenhuma pessoa com ensino superior não. E meus filhos? Eu vou deixar eles estudarem se eles quiserem, pago o que for preciso, mas eu não faço questão não. Qualquer coisa eu boto um comerciozim ali pra eles e eles me pagam quando estivem lucrando. Estudar pra quê, moça?"
Ai, eu peguntei, mas moço, se eu não estudar eu vou fazer o quê da minha vida?
Ele respondeu: "Ai eu não sei, mas eu não faço questão de ter estudo, nem faço questão de que meus filhos tenham."
Eu fiquei muito tentada a usar alguns argumento que me vinham à cabeça, do tipo "meu pai não vai colocar um 'comerciozim' pra mim", ou "como seu filho pode ter uma vida melhor que a sua?", mas eu também pensei: Porque? Porque aquele senhor não estava incomodado. E anda, ele deveria estar? Porque naquela hora eu me peguei com vontade de convencê-lo do meu ponto de vista? Porque eu acho que estou certa e ele não?
Sair do mundo das ideias e passar ao ato já foi uma grandessíssimo passo para o povo brasileiro, mas acho que uma maior conscientização das mazelas as quais sofremos poderia trazer um maior número de adesão à causa. E deixaria a coisa mais concisa, sem o risco de termos manifestantes alienados, sem o risco de termos o próprio povo contra nós. Não estou aqui me apoiando sob o saber. Não estou dizendo que eu estava certa e o taxista errado, só estou dizendo que esse homem não teve as mesmas oportunidades que eu. E estamos caminhando pra um futuro que os filhos dele também não terão. Sou simpatizante desse movimento sem uma causa específica, porque isso agrega! Cada um vai às ruas com as suas queixas e lá encontra outros com as mesmas queixas e vê que juntos eles podem fazer algo à respeito. Ter uma única causa limita, restringe, e faz com que o levante perca força. Além do mais, não precisa ser nenhum sociólogo pra saber que por mais que os desdobramentos sejam diversos, a raiz é uma só!
                                       
                                                            Foto: Heideger Nascimento.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

each other... e sobre o que não tem palavra pra ser dito.

"each other"... Fale isso em voz alta. É uma sonoridade muito legal, né? Não, eu não sou louca, vamos lá, fale em voz alta, rapidamente. "each other"!
They love "each other", they meet "each other".
O inglês tem umas expressões bonitas, "each other" é uma delas. Também gosto muito da palavra "miss". Do espanhol a expressão "pero no mucho" é minha preferida. Ela me da a sensação de medida das coisas... O português também tem muita coisa legal, saudade é uma palavra linda, exclusiva. Só com ela nós podemos expressar o que é saudade. Porque dizer "eu sinto sua falta" não é exatamente correspondente a "tenho saudades". Uma vez eu disse que saudade não era vontade, era só saudade, mas acho que saudade é "miss"+"wish". Você sente falta... mas sentir falta não quer dizer que você queira algo de volta. Mas saudades quer dizer isso sim, pois se você não quisesse de volta não seria saudade, seria apenas falta.
O que seria de mim se não fossem as palavras. Ficaria tudo ainda mais confuso? Às vezes eu não consigo explicar o que eu sinto/penso. Na psicanálise diria que o afeto não se ligou à ideia, ou que se trata de algo da ordem do real, mas em raissanálise eu diria que isso acontece porque você tá pensando do lugar errado. As palavras são poderosas demais pra não darem conta de algo. Talvez você seja alheio a isso por enquanto, mas um dia vai conseguir nomear. Existe alguma forma de expressar isso que se sente. Você só não chegou no lugar certo pra dar significado. Talvez só na Espanha eu possa ter a real medida das coisas, ou só nos EUA eu possa simplesmente sentir falta de alguém, sem ter essa vontade inquietante de conseguir sentir novamente... enfim. O que eu posso saber até agora é que aqui, no Brasil, eu sinto saudades. É o que eu consigo sentir. Sinto falta também, mas ai essa falta vem acompanhada do desejo. E o desejo vem acompanhado da angústia, que, por sua vez, vem porque eu não consigo nomear o que sinto. Daí voltamos à estaca zero. A questão é que no fundo eu sei que por mais que eu falasse todas as línguas dos homens, justamente por isso, eu nunca saciaria a minha sede seja lá do que ela for. E é assim, just like that, que a palavra instaura um furo em cada um de nós...

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Era ela..



-"Desculpe essa minha melancolia."
Era o que ela dizia com o olhar toda vez que deixava escapar quem realmente era. O que realmente pensava. Quando suas verdadeiras palavras saiam de seus lindo lábios.
E era ela. Toda aquela melancolia, aquela realidade. A atenção de quem carrega a responsabilidade do mundo nas costas, tudo isso combinando em um coquetel que a transformava linda.
Linda era sua sobriedade, porque escondia seu sorriso. O sorriso mais sincero, pois era aliviado. Ela não era daquelas que forjavam a felicidade. Por mais estranho que pareça, se um dia perderem toda a felicidade do mundo, poderão encontrar nela. Porque a dela tá guardada a sete chaves. E é da mais pura, a real, a com deformidades, uma das únicas que condizem com a verdade.
Estava sempre se desculpando. Mas pelo quê? Por ter olhos e ouvidos atentos? Por ter um coração onde supúnhamos que tivesse e um cérebro em perfeito estado? Porque recusara a lobotomia da modernidade? Porque admirava a loucura mais sã que jorrava da maior das alucinações? Porque não esperava que as coisas fossem como elas não deviam de ser? Porque tinha uma relação difícil com o seu desejo, mas preferiu isto a recusá-lo?
Porque eu haveria de desculpá-la?
Como poderia não amá-la?
Nunca conheci uma mulher tão menina. Mulher por necessidade e menina por escolha. Daquelas que se você soltar no mundo, acha sozinha o caminho de casa. Não espera pela ajuda, mas tudo o que queria era que ela chegasse. Não tenho porque desculpá-la, tenho sim, com todas as minhas forças, a missão de te fazer ver que o mundo te merece.
Como não se perder nesse labirinto infinito com paredes mutáveis?
Quando você pensa que ela se distraiu, ou que não está mais nem ai pros arredores, ela nos surpreende com aquela atenção flutuante e se coloca. Elegantemente, com a classe de poucos, um sutil dicionários faz as honras da casa.
Quando eu a vi pela primeira vez ela estava sozinha. O que, confesso, me assustou um pouco. A gente costuma não gostar de pessoas sozinhas. Fiquei pensando: "porque ela tá sozinha?" Daí vieram as 1001 hipóteses criativas que só alguém como eu poderia ter elaborado. Pensei que ela estivesse esperando alguém, mas ao final do filme ainda estava sozinha. Cogitei que não fosse daqui, por causa de sua fisionomia um pouco exótica, mas depois ela mostrou muita familiaridade com o ambiente. Não parecia estrangeira, não tinha aquela coisa que as pessoas de foram tem. Ela tinha um não-pertencimento, mas não era com o lugar em si... Eu observei, observei, mas não consegui chegar a nenhuma conclusão, até que ela parou pra observar o movimento ao redor. Foi ai que eu percebi. O seu não-pertencimento era do mundo. Ela não era daqui, mas sabia o suficiente sobre nós pra se infiltrar com sucesso.
Esse foi o arremate final: eu queria conhecê-la! Eu que sempre tive essa atração pelo que é de fora não me contive ao ver aquele ser de outro planeta. Tão pequena, frágil, e ao mesmo tempo ríspida. Mas ela era vítima de um determinismo tão natural quanto o dos ouriços. Nada nos diz que eles são animais perigosos, exceto os espinhos com os quais foram presenteados. Espinhos que carregam como um castigo. Pelo que? Quem sabe algum castigo da série de Prometeu... A incapacidade de ignorar as informações que a circundam, de passar ilesa pelo mundo. Essa era a sua condenação. Viver junto aos outros que lhe pareciam tão diferentes. Até o dia em que ela conseguiu estabelecer um padrão na diferença e se viu fora daquele enquadramento. Era abstrata demais para aquele mundo concreto.
Eu passei o resto da tarde seguindo seus passos, estudando uma maneira de abordá-la. Mas como? Como? Como penetrar essa armadura? Antes do cair da noite, quando eu já desistira de minha investida, e me preparava para bater em retirada, um vendedor ambulante me aborda: "Aceita?". Eu respondo: "Não, mas obrigada."
Por algum motivo que ainda hei de descobrir e voltar aqui para contar a você, ao ouvir a minha voz de longe ela direcionou o olhar em minha direção. Quando viu que eu a vi, deu um sorriso desconcertado, daqueles que dizem "desculpa por invadir o seu espaço", e desviou o olhar. Eu não podia perder aquela oportunidade, das profundezas das saídas mais sem graça do mundo, eu disse: "Por favor, que horas?"...


quarta-feira, 22 de maio de 2013

Você vai ter que ficar com isso II

Eu adoro assistir a filmes, mas como uma boa neurótica eu sempre acho que não tenho tempo pra fazer o que gosto. Assim, eu sempre tenho algo mais importante a fazer quando cogito a possibilidade de assistir a um, contudo, vivo de esmolas e depois de dias bem corridos eu olho pra televisão e penso: agora eu tenho direito.
Essa questão do direito tem aparecido bastante na minha cabeça ultimamente. Em algum momento da minha vida eu levei bem a sério os dizeres de que "você tem que fazer por onde". Bem, eu meio que generalizei, o que não foi difícil, e apliquei essa regra a tudo. Tudo mesmo. Até aquilo que para todos era natural e gratuito eu conseguia inserir dentro de uma lógica de merecimento. Foi assim com os elogios, com as amizades, com o amor de pai, mãe, irmão, avós, homens, mulheres, crianças, sucesso, dinheiro, presente... tudo. Eu poderia dizer agora que um dia eu cansei, chutei o balde e decidi que nem tudo devia ser desse jeito, mas não foi assim que aconteceu. O máximo que eu posso dizer é que de vez em quando eu canso. Eu canso porque se fazer merecedora de tudo que o universo decide levar até você é um trabalho árduo. E, dentro da lógica binária, o desmerecimento também está presente. Fica basicamente assim: tenho o que faço por onde, e o que não tenho é justamente porque fiz por onde não ter. Tá confuso? É confuso. E cansativo, e desgastante. Tem uma hora que você pensa: "pera ai! porque eu ainda não consegui isso?! Já fiz tudo o que eu podia."
Às vezes eu dou uma de doida. Por exemplo, no terceiro ano eu ouvi todo aquele discurso de professores, alunos, irmão de alunos, pais, mães e eta. de que você deve dar tudo de si em ano de vestibular. Que a dedicação deve ser total, que você deve abrir mão da diversão e demais coisas fúteis (tudo o que não for estudo). Bem, ai a minha lógica sádica me ajudou. Eu pensei: "Porra, eu estudei duro a minha vida inteira. Tirei o mínimo de notas baixas possíveis, me esforcei pra caralho vindo pra essa cidade estudar em um colégio grande, onde eu consegui me destacar. E isso não foi de graça. Eu penei, eu sofri. Se serve contra, vai servir ao meu favor também." Foi ai que eu decidi que não ia me matar de estudar. E que se eu tivesse de passar no vestibular seria por consequência de toda a minha vida escolar, não de um último suspiro de morte. Parece que funcionou. Não foi fácil, foi tipo 45 min do segundo tempo, mas eu passei.
Ai, eu resolvi deslizar essa doutrina pra minha religiosidade também. Eu fui criada dentro da igreja católica. Por muitos anos participei dos grupos da igreja, cheguei a ser missionária, mas eu nunca me questionei muito sobre o que eu tava fazendo. Não via muito nexo em todos aqueles ritos, mitos e pregações. Eu ainda preciso me questionar mais sobre isso, mas a parte que nos interessa é que: Eu sigo todas as regras que eu acho importante, e acho que existem maneiras mais efetivas de se fazer o bem. Não é porque eu não vou à missa todos os domingos e dias santos que algum deus vai me castigar, isso não condiz com a minha lógica. Ai foi quando eu decidi abandonar a igreja e seguir a minha própria doutrina. Aos poucos você vai descobrindo formas mais efetivas e pontuais de ser uma pessoa digna de algo parecido com um paraíso. A minha doutrina é baseada basicamente em sorriso, educação, respeito e gratidão. Dentro dessa lógica que eu tô explicando aqui exaustivamente isso deve me garantir algum conforto no futuro.
Mas, apesar de alguns avanços, a parte colorida não vinha por mais que eu cultivasse tintas e aquarelas. Foi ai que eu cheguei no rochedo. Porque? Porque as coisas tem de ser assim? Pra onde vai e de que vale todo esse esforço? Por mais que eu me esforçasse, eu nunca consegui estabelecer uma correspondência direta entre esforço e compensação, e olha que eu até me esforcei pra ser otimista e tal. Foi ai que eu peguei um pouco de fatalismo. Ninguém é pleno. Essa conta nunca vai fechar. Há um equilíbrio a ser mantido e as variáveis muitas vezes estão além do nosso controle. É como a balança do self-service, tem sempre a tara do prato que fica pro dono. Você nunca come exatamente o que pagou.
Ai, mais uma vez, eu me pergunto: "Sim, mas o que eu faço?". E mais uma vez a resposta: Você vai ter que ficar com isso...

quinta-feira, 2 de maio de 2013

à deriva...

O amor e a melancolia tem uma coisa interessante em comum: O esmagamento pelo objeto. 
Ambos te esmagam, te sobrecarregam, te exaurem. Eu não nego a minha veia (meu sistema cardíaco inteiro) melancólica, mas eu sempre neguei meu amor. Exibia a melancolia com orgulho, como uma grande resistência, quase uma revolução. Não às ditaduras de sorriso amarelo, o meu sorriso era verdadeiro quando tinha de vir. Ainda o é.
O amor tem algo de anti-melancólico, mesmo sendo quase uma forma de melancolia. Uma melancolia do Outro. Mas, afinal, toda melancolia não vem do Outro? Ele tem algo de eufórico também, te faz acreditar, te faz esquecer. Eu não sei nem se é esquecer propriamente dito, mas meio que te faz mudar de perspectiva. Você ainda sabe o mundo em que vive, mas a perspectiva do mundo do Outro se torna mais atraente, quase te suga. Te faz repensar princípios, te deixa boba, bêbada, bolada.
Tem uma frase de que gosto muito, não sei sitá-la literalmente, mas é do Filme "Grandes Expectativas". Ela fala sobre uma menina que fora ensinada durante toda a sua vida sobre os perigos do sol, mas um dia, quando se vê mulher, o sol a convida para sair e brincar. O sol é uma metáfora para o amor. A menina crescera sendo advertida sobre os perigos do amor, e instruída sobre como nunca se deixar dominar, submeter. É essa a minha metáfora. Eu cheguei perto, muito perto de acreditar que poderia estar acima (ou além, ou alheia) de toda essa esfera de envolvimento, mas quebrei a cara. Quebrei a cara feio. Depois de anos de trabalho e elaboração, colocando meteoros gigantes sobre toda e qualquer possível fonte de amor/dependência/afeto, me vejo diante de um gêiser insufocável. Um gêiser que emana água quente pra me aquecer numa noite de frio. E que recusa isso? Nós, nós neuróticos sempre recuamos quando estamos frente ao desejo. Eu recusei, relutei, e me entreguei. Aceitei. Vi-me vulnerável e tomada por uma vontade da qual nunca tivera notícias. O que é isso? O que eu faço com isso? Como faz? Estou nua, despida de toda e qualquer resistência e proteção. Eis o que sou, e para quem sou, para você. Eu finalmente assumira a posição de objeto, de querer ser objeto. Mas, histórias de amor não duram mais 90 minutos, né? Não essa.
Ficou difícil demais. Me apaixonei por meu carbono quiral, meu reflexo masculino, e isso se fez da ordem do impossível. Não estabeleceu-se comunicação. É sempre no não-dito, inter-dito, quase-dito, meio-dito. As palavras engasgam na boca, quase como quando te falta o vocabulário. E nesse mar de palavras sufocadas eu estou me afogando. Ainda vejo a luz do sol e me sinto atraída por ela, mas logo esses raios serão bloqueados por algum protetor fator 50.

terça-feira, 12 de março de 2013

Te desejo a minha falta.




There'll come a time, when you'll regret it
Some day, when you grow lonely
You heart will break like mine and you'll want me only
After you've gone, after you've gone away



domingo, 10 de março de 2013

Preso no grito


Escrevo para gastar de alguma forma esse sentimento que me engasga.
Esse sentimento que eu plantei e alimentei por debaixo da minha própria censura.
Escrevo porque não posso gritar, 
canto porque não posso dizer, 
e assim sigo vivendo de consolações  àquilo que não posso fazer. 

Calar um grito é tarefa árdua, pois mesmo de boca fechada ele me escapa pelos olhos em forma de lágrima.
Calar um grito é tarefa dura, porque, além de tudo, tenho a doce lembrança que me impede de transformar tudo em amargura.

Quisera eu (ah, como quisera) agora ser uma sereia
Para deixar de lado toda a farsa terrena,
afundar mil navios e lançar meu grito a fim de que você me queira.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

a falta que a falta faz...

"elaborar" é a palavra da vez...
Elaborar o luto, elaborar estratégias de como fugir da dor, estratégia de como fugir das lembranças, ocupar  tempo, evitarmos um ao outro, enfim... é a vez de elaborar. Elaborar uma vida nova. Sem essa proporção toda que parece ter, mas é uma vida que ainda vai insistir em ter alguém que já se foi. E o pior, deixou um fantasminha camarada pra tornar tudo um pouco mais difícil.
A vida é de aprendizados, mas como eu já disse aqui uma vez, além das coisas novas, a cada nova pessoa que sai da sua vida, lhe é exigido um novo aprendizado... aprender a viver sem. Sem aquilo que circundava a sua falta.

Mas...mas... como dói.
Como doem as lembranças, as palavras, as músicas, a solidão, o automatismo de continuar procurando nos lugares e ocasiões de costume.
Como dói a fantasia do podia ter sido diferente, da ideia do fim de uma relação sem o fim de um sentimento... como dói.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

por força da força..

Às vezes você cultiva laços que lhe parecem sem sentido, mas ainda assim continua presa a eles de uma forma assustadora...
Bem, tô falando como se acontecesse com todo mundo, mas, na verdade, eu só sei que isso aconteceu comigo.
Mas, a tirar pelas descrições, isso tem um "quê" de amor. De como as pessoas descrevem suas ligações com o ser amado, enfim...
A grande questão é que eu vou escrever aqui pra fazer uma espécie de justiça cósmica. Eu sei que provavelmente o destinatário nunca leia, mas pelo menos um dia eu vou puder dizer que escrevi, e que estava ao alcance dele, mas talvez não o tenha visto por mais uma questão de desencontro. Já que a nossa história foi marcada por tantos...

A você, sois único no mundo para mim. E por isso, muito obrigada.
Eu sei que isso tudo envolveria algumas desculpas e explicações, mas eu fico com o que pode vir de mim e somente de mim: o obrigada. Obrigada por todas as noites que sem saber você me fazia sentir um pouco mais acolhida e menos hóspede indesejada nesse mundo estranho. Obrigada por me deixar perceber que nós éramos tão parecidos (por mais que eu nunca tenha admitido), e assim me sentir igual a pelo menos um. O 'um' que me fez não querer ser igual a mais de 'um' poque sendo só você e eu nós tínhamos uma relação especial. "Relação", como um substantivo bem indefinido, porque era o que nós tínhamos. Você me correspondia como um olhar de uma mãe boa que sabe do que o filho está precisando. Você me acolhia com as palavras que um homem diz a uma mulher, por saber do que ela está precisando. Você me acolhia em seus braços, e até em sua respiração. Você fazia o mundo parecer digno de nós dois. Nem de mim, nem de você, mas de nós dois como um todo. Por mais que às vezes eu não compreendesse, e por isso desconfiasse de nossa semelhança, mas você viveu mais que eu, e, assim, desenvolveu uma agressividade que não mais suportava ser direcionada pra dentro e precisou ir em direção ao mundo. A minha agressividade ainda é criança frente à sua, e talvez por isso eu ainda a direcione apenas a mim mesma. Mas você, inclusive, me fez ver cedo que tenho que fazer alguma coisa com isso. Eu não sei o quê agora, mas posso pensar em algo, tenho algum tempo. Você não saiu de mim. Eu ainda te busco com o olhar, com os pensamentos, e até o meu inconsciente ainda te traz em sonhos. Você não é um arquivo ruim na minha memória. A distância me fez finalmente entender que talvez você seja um arquivo raro. Uma sessão de um livro só. Não sei se um dia vou encontrar em alguém um outro eu como encontrei em você. Nem sei se isso seria bom, porque me faria querer mais, me faria querer você, e você eu não tenho. Você eu não tive, nós tivemos um ao outro. Também só com a distância eu pude ver que você me teve. Me teve da melhor forma que eu posso me oferecer a alguém, me teve na verdade. Você teve a mim mesma. E talvez tenha tido capítulos inéditos que nunca mais serão reprisados, porque precisam de você para irem ao ar, e eu não tenho mais você. Nem você me tem. Nem temos mais os olhares de cumplicidade, nem os entendimentos por nada dito. Acho que, geograficamente, nós éramos donos do mesmo ângulo no prisma do mundo. Você era meu mestre Jedi e eu sua padawan, mas a mesma força que nos uniu, nos separou. Não guardo mágoas, pois só nos perdemos porque um dia nos tivemos.Ver o quanto você foi importante pra mim, me fez ter ideia de que também tive alguma importância pra você. E é isso, obrigada. Obrigada por termos sido tudo o que fomos um para o outro.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

DOAMOR






Afinal, do que tanto falam, do que tanto cantam, do que tanto pintam, do que tanto sentem?
O que é o amor? O que é o amar? Quem é a pessoa que se ama?
Pra falar a verdade, do amor só tenho dúvidas e a sombra. 

O amor tem sido a minha sombra.

Tem estado comigo o tempo todo, me seguindo, ao meu lado, mas me deixa quando a noite cai e, quando quero tê-lo, ele se faz abstrato.

O amor é água. 

Limpo, líquido e essencial, mas não tente agarrá-lo, ele escapa entre os dedos com a fluidez de uma alma. O amor é aquela poça rasa de água cristalina onde você pode se ver, mas não que seja você. O amor é uma imagem refletida.

O amor é metamorfose, ou melhor, é o resultado dela. 

Porque nós só nos amamos quando borboletas. As lagartas vem na época da paixão, da carne, da novidade, é o peso que rasteja pelo chão. O amor é bicho de asas, asas coloridas, é o que vem depois da fase do casulo. Que traz o caos entre elas. E assim, tem vida curta. O problema é que os animais que não são homens não sabem do amanhã, e quando amamos somos assim, animais que não são homens. Sei lá o que são.  Sou mulher.

O amor é um delírio, quem pode falar sobre ele?

O amor é o tic-tac do ponteiro dos segundos. 

De um relógio com pilhas novas ou pilhas velhas? Não sei se o amor é o segundo do relógio analógico ou digital. Talvez, só talvez, o amor seja o segundo no relógio de pêndulo. O sentimento todo é a breve trajetória entre o céu e o inferno, o bem e o mal, a alegria e a tragédia.

Eu não sei falar sobre a condição de "incodição", de até onde ele vai, mas o amor não é coisa desse plano. O amor é real, o amor tira o melhor e o pior de nós. O amor é um vento de estação, não o clima de um lugar.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

I'm so happy I can't stop crying

É fato que uma escolha vem em "compra casada" com o ato de assumir a responsabilidade sobre ela. Tá certo que tem gente que não tá nem ai pra isso, mas comigo é assim. As coisas tem seu peso. A realidade tem a sua cor. É ai que entra a tal da subjetividade, particularidade, relatividade, whatever. O que eu tô querendo dizer é que as coisas são como são de uma forma peculiar para cada pessoa. No discurso é muito bonito, mas eu sou uma das pessoas que menos pode levantar essa bandeira.
Normalmente eu me recriminaria por isso e nem tocaria no assunto com medo de ser apontada, mas eu parto do princípio que assumir isso me isenta em parte de apedrejamento. E assumir isso, pra mim, só é possível porque, ao contrário do que eu pensei por muito tempo, isso não é nem de longe uma tarefa fácil.
Eu podia trazer aqui alguns princípios teóricos de pessoas que foram a campo e depois sentaram a bunda na cadeira pra dissertar sobre isso de "rejeitar" o diferente, mas acho que isso é uma coisa tão do dia-a-dia que não faz-se necessário escudos intelectuais.
Outra coisa que eu também normalmente faria pra inserir o que eu realmente quero dizer aqui seria dar inúmeros exemplos até chegar no meu, mas também não tô com paciência pra isso. 
A questão é: Como tem que ser!/Como tem que ser?
Eu acho, acho mesmo, que um pouco de tolerância tem um poder mágico. E a vida seria linda se isso fosse fácil, mas não é. Tolerância é exercício, é prática. E, como diria Rumpelstichen, "Toda magia tem um preço". E é um preço que pra muitos não é válido. 
Acho também que o que vem aqui é uma coisa que fala sobre ela mesma. É que eu tô falando de recriminação e preconceito, mas me vejo dentro dessa esfera implicada duplamente. Anteriormente eu já assumi parte dos meus pecados, e segundo a igreja católica eu já posso ser perdoada, mas não é bem essa a lógica em vigor.
Cortando em miúdos, o que eu quero dizer é que eu tenho me sentido afetada por ter uma característica/visão/perspectiva que faz de mim um alvo fácil pra uma maioria (na minha opinião uma maioria alienada, porque eu aceito ser julgada pelas pessoas que aprenderam a conviver com isso, aliás, as pessoas que aprenderam a conviver com isso não julgam. As que julgam são outras). A primeira coisa é que "Você precisa ser feliz pra viver. Eu não". Tenho minhas próprias crenças sobre a felicidade, que, resumidamente, a fazem um objeto do mundo fantasístico das ideias. Porque eu simplesmente não acredito que alguém possa manter ideias/ideais de felicidade enxergando um palmo além do nariz. Mas, isso não quer dizer que eu não acredite na alegria e no valor dos momentos, a diferença é que ao invés de almejar um estado de espírito a ser alcançado, eu preso pela minha memória, e por poder olhar pra trás e reviver com satisfação alguns momentos com coisas e pessoas.  Eu estranho toda essa noção de equilíbrio, homeostase, e etc. Todas essas denominações que as pessoas usam para justificar/explicar o fato de a conta do mundo ser ou não ser uma divisão de 1:1 (coloque nessa divisão o que quer que seja: renda, comida, oportunidade, talentos, benção etc. E também não venha me dizer que só depende de cada um, se você pensa assim pode parar de ler agora). Eu simplesmente não acredito nisso. E hoje em dia existe toda uma máquina que vive e se sustenta em cima dessa ilusão. Vive para ratificá-la e se sustenta e sua eficácia.
Eu não quero destruir seus sonhos com isso, nem acho que eu tenha tal poder (porque seria um grande paradoxo), eu só acho que algumas coisas vão além do que se pensa, algumas coisas tem seu valor no que se sente. E acho que se ficar racionalizando resolvesse alguma coisa, eu seria um guru, melhor amigo de Gandhi e Dalai Lama.

I'm so happy that I can't stop crying
I'm so happy I'm laughing through my tears