domingo, 7 de julho de 2013

Um domingo na 3ª pessoa é mais confortável...



Ela já tava quase se apaixonando por mais um daqueles caras que lhe davam a ilusão de segurança. Acabado de sair de uma história com pitadas edipianas bem complicadas, ainda estava magoada, meio que de luto e sem um pingo de respeito por qualquer ilusão de amor. Principalmente quando ela estava implicada nesse sentimento. Depois de muito se proteger, baixou a guarda e quebrou a cara. E, como não poderia deixar de ser, não foi uma desilusãozinha qualquer, foi uma decepção daquelas colossais. Mas, no fundo ela já sabia que aquilo ia acontecer (talvez por isso tivesse acontecido). Fora isso, tava confusa e entediada. Suas expectativas eram tão efêmeras, que pareciam aquelas velas de aniversário que soltam faíscas, sabe? Elas demoram a acender, você precisa ficar percorrendo o fósforo em todo o cumprimento do cabo, só depois de um tempo ela acende, e dai você tem que cantar os parabéns bem rápido porque até ela apagar é questão de segundos. Seguia aquela rotina de sempre, que ela sabia que era rotina, sabia que nada de especial ia acontecer no final do dia, e se recriminava por continuar desejando calada algo que a fizesse sorrir como nunca. Na verdade, por mais que ela não quisesse admitir, ela estava mais sozinha do que nunca. Tinha perdido seu alvo de investimentos... E agora, de quem esperar? 
Não tinha muito o que ser feito. Ia preenchendo seus buracos com afazeres no dia-a-dia, estava aprendendo de tudo, um novo idioma, um novo instrumento, novas habilidades, velhas queixas.  Não tinha aula no domingo a noite e seus pais cancelaram o Tele Cine.

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