terça-feira, 22 de janeiro de 2013

DOAMOR






Afinal, do que tanto falam, do que tanto cantam, do que tanto pintam, do que tanto sentem?
O que é o amor? O que é o amar? Quem é a pessoa que se ama?
Pra falar a verdade, do amor só tenho dúvidas e a sombra. 

O amor tem sido a minha sombra.

Tem estado comigo o tempo todo, me seguindo, ao meu lado, mas me deixa quando a noite cai e, quando quero tê-lo, ele se faz abstrato.

O amor é água. 

Limpo, líquido e essencial, mas não tente agarrá-lo, ele escapa entre os dedos com a fluidez de uma alma. O amor é aquela poça rasa de água cristalina onde você pode se ver, mas não que seja você. O amor é uma imagem refletida.

O amor é metamorfose, ou melhor, é o resultado dela. 

Porque nós só nos amamos quando borboletas. As lagartas vem na época da paixão, da carne, da novidade, é o peso que rasteja pelo chão. O amor é bicho de asas, asas coloridas, é o que vem depois da fase do casulo. Que traz o caos entre elas. E assim, tem vida curta. O problema é que os animais que não são homens não sabem do amanhã, e quando amamos somos assim, animais que não são homens. Sei lá o que são.  Sou mulher.

O amor é um delírio, quem pode falar sobre ele?

O amor é o tic-tac do ponteiro dos segundos. 

De um relógio com pilhas novas ou pilhas velhas? Não sei se o amor é o segundo do relógio analógico ou digital. Talvez, só talvez, o amor seja o segundo no relógio de pêndulo. O sentimento todo é a breve trajetória entre o céu e o inferno, o bem e o mal, a alegria e a tragédia.

Eu não sei falar sobre a condição de "incodição", de até onde ele vai, mas o amor não é coisa desse plano. O amor é real, o amor tira o melhor e o pior de nós. O amor é um vento de estação, não o clima de um lugar.

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