Uma vez, resinificando umas coisas na minha vida, eu cheguei a conclusão de que paz era a única possibilidade de felicidade. Pensava: os meus melhores momentos são quando eu estou em paz, comigo e quando o mundo me deixa um pouco em paz. Mas nessa conta eu não inclui o amor. Ele foi incluído fora dela. E agora eu penso, o amor traz coisas boas, mas é inegável que ele tira a paz. Amor é movimento, é dinâmica, é invasão de um outro na sua vida, um outro que te faz readequar muitas coisas: crenças, valores, sentimentos, julgamentos, lugares, pessoas... Você com outra pessoa é outra pessoa. E não adianta vir com o argumento de autenticidade, identidade e esses troços todos: o amor te muda, e cada amor muda de uma forma diferente. Não se passa duas vezes pelo mesmo rio, não caem duas vezes as mesmas flores na primavera, não se ama da mesma forma duas pessoas. Você sairá uma pessoa diferente do amor anterior e será alguém diferente com a posterior. E a felicidade? Ah, foda-se a felicidade! A impressão que eu tenho é que só máquinas são felizes, porque são munidas de programas e mais programas que dão conta uns dos outros. Nosso hardware quebra se nosso software pira! Não dá pra entrar com um programa e reparar as ideias, o corpo dói, a carne cede, as lágrimas caem e o sorriso se abre! É, sim, o amor tem muita coisa ruim sim! E, desculpa a sinceridade, os covardes não amam. Ou pelo menos vão amar muito pouco e por um golpe de sorte. Porque o amor vai trazer dor, vai trazer trauma, e é sempre a isso que nós nos apegamos. Inevitavelmente, é sempre a dor que vai pesar, é sempre a decepção que vai contar a história, poucos, muito poucos, são os que conseguem superar os erros em nome da lembrança dos acertos.

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