terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Lista de coisas que parecem redundantes, mas fazem todo o sentido...
  • Homo sapiens sapiens: segundo meu grande professor Osterne, o homem que sabe que sabe. Toda a diferença.

  • O desconhecido desconhecido: porque o desconhecido é o que não se sabe e o desconhecido desconhecido é o que não se sabe que não se sabe, no discurso de um ex-secretário de defesa americano, citado por Humberto Gessinger.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011


Moram em mim 
fundos de mares, estrelas-d'alvas
ilhas, esqueletos de animais,
nuvens que não couberam no céu,
Razões mortas, perdões, condenações,
Gestos de amparo incompleto,
O desejo do meu sexo
E a vontade de atingir a perfeição.
Adolescências cortadas, velhices demoradas,
Os braços de Abel e as pernas de Caim.
Sinto que não moro.
Sou morado pelas coisas como a terra das sepulturas
É habitada pelos corpos.
Moram em mim
Gerações, alegrias em embrião,
Vagos pensamentos de perdão.
Como na terra das sepulturas,
Mora em mim o fruto podre,
Que a semente fecunda repetindo a vida
No sereno ritmo da Origem.
Vida e morte,
Terra e céu, 
Podridão, Germinação,
Destruição e criação.

Adalgisa Nery. "Cemitério Adalgisa", de Poemas (1937)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Insights, aventura, coragem, erro, felicidade, razão, assumir, desafios, evolução, menos do mesmo, novo, medo, porque não? Porque sim? tomar as rédeas, mudar... Sabe quando você tá se fodendo todinha, mas ainda tá de boa? Aquele assombro do 'errado' se foi!Não é errado, só não é tão certo. Porque ai entra mais um monte de coisas... O limite entre usar e ser usado, ou não usar nada nem ninguém. O grande desafio, assumir lugar de grande, ser e merecer. Ai o assumir traz consigo algumas muitas expectativas a serem correspondidas, mas, e daí? Não vim até aqui pra desistir agora. Aliás, como seria um padrão do meu antigo eu. Não é que exista um nov eu, só algumas substituições. A vida é assim, coisa que entra, coisa que sai, coisa que entra e sai, coisa que não entra e não sai, foraclusões, recusas, recalques, lembranças... Até agora tá tudo bem! Não que você se importe, mas eu aviso por aqui se melhorar! ;)

sábado, 17 de dezembro de 2011

sábado, 10 de dezembro de 2011

Cantar é...

ter regiões de onde se entra e se sai as escuras... 

chegar sem saber pra onde estar indo...

é um caminho psíquico, instintivo, 

um traço mnêmico...

onde o som é o achado de uma exploração.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Um dia eu vou dizer:  

"Eu era jovem e fingia não saber o que tava acontecendo, mas eu sabia o que tava acontecendo."

Mas, hoje, é que eu realmente sou jovem, posso até saber o que tá acontecendo, só não me acho na obrigação de saber o que fazer.
Pais: Os causadores que nem sempre são culpados.
Tem mais presença em mim, o que me falta.



Manuel Bandeira

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

         Porque essa é a brecha do meu narcisismo...
Vou ao delírio com uma plateia basicamente composta de músicos me venerando e gritando o meu nome.
Nunca acredito ser boa no que faço, nem que agora eu seja plena, mas me orgulho do meu potencial.
O blues me acolheu e eu lhe sou grata.
Não é um estilo fadado ao fim, porque, ao contrário do que alguns pensam, sabemos fazer música além do rótulos. Há uma gama infinita de possibilidades.
E continuo na busca pelo registro ;)

       I'm the lady who sings the blues

sábado, 3 de dezembro de 2011

Amor?


Onde começa e onde termina?
Qual o limite entre zelo e violência?
Amor?
Um documentário interessantíssimo baseado em relatos reais de pessoas em situações ambíguas de amor, dependência e violência.
Atuações simples e impecáveis.
Vale a pena conferir ;)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ter um grande interesse pela Perversão é um sintoma?
Não...talvez Freud esteja certo ao afirmar que todos nós 
sofremos a tal clivagem do Ego, o que nos diferencia é a 
intensidade e a vazão que damos a esse dark side. 


I'll see you on the dark side of the moon

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

heart in a box


Ponha seu coaração em uma caixa porque, ao contrário do que muitos pensam, não é com ele que você ama.
Ponha seu coração em uma caixa porque assim ele e você estarão mais seguros.
Ele, você, e tudo mais que isso abarca.
Ponha seu coração em uma caixa.
O coração na caixa é a chave.
Ponha seu coração em uma caixa, de preferência com um eficiente mecanismo de isolamento porque 
às vezes é assustador perceber o quanto as coisas se deterioram rápido.
Às vezes é preciso um pouco de afastamento para que se perceba o que realmente importa...
Por isso...
Ponha seu coração em uma caixa e só depois de vê-lo fora decida se deve ou não dá-lo a alguém. 

domingo, 27 de novembro de 2011

E se eu ainda pensasse assim?

E se discutíssemos o sexo dos anjos?
E se não distinguíssemos as diferenças na concentração de melanina?
E se a música nunca cessasse?
E se toda tristeza fosse efêmera?
E se entre nós houvesse um único idioma?
E se ao invés de física, estudássemos metafísica?
E se houvesse mais humildade nos grandes?
E se quebrássemos os padrões banais?
E se não houvesse o capitalismo?
E se esquecêssemos as burradas históricas?
E se vivêssemos mais em função da morte?
E se canonizássemos os microrganismos?
E se navegássemos ao invés de viver?
E se esquecêssemos o escarro e caprichássemos no beijo?
E se houvesse a anistia sentimental?
E se disséssemos tudo o que há para dizer?
E se plantássemos antíteses?
E se só houvesse os escravos de suas próprias vontades?
E se a riqueza fosse uma só?
E se o vento sempre indicasse a direção?
E se a fecundação fosse a única batalha a ser travada?
E se sempre pudéssemos usar outras palavras?
E se a utopia fosse o critério primordial?
E se decidíssemos ser simplesmente Humanos?


sexta-feira, 26 de dezembro de 2008.
Eu não preciso de você...
O mundo é grande e o destino espera
Não é você que vai me dar na primavera
As flores lindas que eu sonhei no meu verão

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Fazer o inesperado é tão esperado que nesse caso o inesperado perde a graça.
Toda a graça.



quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Jeff Buckley - Calling you

E essa sou eu conversando sobre essa música com um semi-deconhecido na madrugada:

" isso é foda né, porque você sabe que tá doendo em algum lugar,
por alguma coisa ai fica ouvindo essas coisas que cantam dores alheias
porque acaba tornando sua dor 'prazerosa' "



Espero...(com adaptações).

Dizem que eu não consigo gostar de ninguém.
Que não faço nada que seja pro meu bem.
Falo coisas de mal gosto, deixo escapar...
E até quando eu viro o rosto ao te ver chegar.
É difícil respirar sem você.
(Ela só quer)
Não
(algum lugar)
que eu não tenha sentimentos,
(E o que ela não)
 mas...sorrir pra quê?
(vá se lembrar)
Espero.
Já vai longe o tempo, mas... Espero.
Um dia pode ser...
Talvez eu venha a ver todas as cores de que falam,
inclusive você.
Eu só digo a quem me pede que eu dê voz ao coração
que me mostre uma razão.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Porque o meu tempo é atemporal.






O meu tempo não é o seu tempo.


O meu tempo é só meu.

O seu tempo é seu e de qualquer pessoa, até eu.


O seu tempo é o tempo que voa.

O meu tempo só vai onde eu vou.


O seu tempo está fora, regendo.

O meu dentro, sem lua e sem sol.


O seu tempo comanda os eventos.

O seu tempo é o tempo, o meu sou.


O seu tempo é só um para todos,

O meu tempo é mais um entre muitos.


O seu tempo se mede em minutos
,
O meu muda e se perde entre outros.


O meu tempo faz parte de mim,

não do que eu sigo.



O meu tempo acabará comigo


no meu fim.




Arnaldo Antunes

domingo, 30 de outubro de 2011

Breve sobre limiares, laços, portos e ainda os jogos.

Quando durmo pouco depois de longas jornadas acordo mais cansada que quando fora deitar. Rompi com a inércia e não atingi o limiar suficiente de energia para recomeçar. Depois ainda zonza tenho um breve lapso na felicidade de estar sozinha em casa. Sozinha em casa é meu status predileto dentre os quais já pude experimentar. Sozinha em casa é quase o aposto de tranquilidade.O medo não é exatamente um sentimento quanto ao novo, é sim uma espécie de resistência ao novo dentro de um velho cenário. O velho cenário sou eu, o novo é meio que tudo o que tem acontecido ultimamente. Medo também da falta de novo em alguns aspectos.Dos meus laços mais fortes apenas os mais fortes sobrevivem, mas todos nós precisamos de laços intermediários porque nem todas as situações atingem o limiar de recorrências dos laços mais forte e estes também não são onipresentes. Como toda embarcação precisamos de portos estruturados que nos suportem, mas vez em quando atracamos em águas desconhecidas.Leminski diz: "Sorte no jogo, azar no amor.De que me serve
sorte no amor se o amor é um jogo e o jogo não é o meu forte,meu amor?" No mais, esperando, planejando, levando as coisas com cuidado, pensando em muita das coisas que tem de ser ditas, mas "não sou eu quem vai dizer".

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

"Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão."

"O que aconteceu acontecerá de novo,

o que já foi feito será feito de novo,

nada de novo há debaixo do sol"

(Eclesiastes 1.9)

terça-feira, 18 de outubro de 2011


Não tem segredo, sou toda essa confusão que me aflige permeada por breves espaços de feliz distração.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

errado

às vezes quando a gente troca a casca, olha pra trás e acha tudo um lixo palavras erradas
expressões erradas
pessoas erradas
lugarem errados
impressões erradas
confusões erradas.

às vezes você olha pra trás e se pergunta porque se deu/se dá ao trabalho de cultivar tudo isso:
 pessoas erradas
palavras erradas
situações erradas
colocações erradas
ambiguidades erradas
.
às vezes você olha pra trás e pensa em frente, mas se dá conta de que já se foram oportunidades erradas pessoas erradas
administrações erradas
impressões erradas
falhas erradas
filhas erradas.


às vezes você olha pra trás e pensa que tudo é tão simples e tudo o que você fez foram focos e complicações erradas.
às vezes você olha pra trás se vê menor... imagens erradas.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Catarse

porque falar e quando saber calar. Saber amar. Soltar as rédeas. Entrar em situações sobres as quais não muito se sabe, não conseguir ler ou prever os próximos passos. Medo. Medo do que não se torna previsível.conseguir, ir além das possibilidades que me amarram. medo do outro. medo de machucar as pessoas erradas. medo de ser machucada pela pessoa errada. saber o real lugar das coisas. saber separar e, quando não, saber levar o que não está claramente separado. Lidar, adaptar, conviver, preponderar, reconhecer, aceitar, buscar, parar, paciência. transcender. sair do mesmo, entrar em outro. deixar-se entrar.maleabilidade.rigidez, coragem, decisão.  visão, aceitação, reconhecimento.fazer jus. gesso, desconforto, adequação, castração, submissão. Realização, responsabilidade, sucesso, confusão, correria, descoberta, admiração, dúvida, aporrinhação, compromisso, datas, repertório, inovação.alheia.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

ninguém me tem na medida certa
uns de mais, outros de menos
unidades incompatíveis
dúvidas mais recorrentes
Oxalá tivéssemos tabelas
forma de conversão
como não
convivemos com a imprecisão.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

e saíra daquele recinto juntando o pouco de dignidade que lhe restara.
não olhou para trás. andou um quarteirão e sentou no banco da praça.
ali...nada. não era nada, apenas o pouco que juntara ao sair.
pensou: " como?". reavaliou.vista turva. sensação estranha.
pedaços vinham na memória. lembrou que às vezes a memória 'falha'
tinha alguma coisa a ver com adrenalina. flashes.
aquele rosto. Porque? Como alguém podia ser daquele jeito?
levantou do banco.
perdera algo duramente conseguido: a capacidade de confiar.
e foi apenas isso que pediu de volta.
just like ever
eu te amaria,
mas você precisa mais de mim
do que eu preciso de você.

Você me amaria,
mas não a mim
e sim ao papel que eu assumiria na sua vida

Não estou pronta para ser a salvação de ninguém.

eu te amaria.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Não sou passiva de julgamento.
Não é por mal, muito menos por falta de amor.

sou um bicho que gosta de solidão, do silencio das horas, de fazer nada, das coisas do meu jeito.
Sendo assim, é normal que qualquer ser humano, quando experimenta um estado que lhe é mais confortável, queira retornar ao mesmo.


Sinto saudades de sentir saudades.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011


e que talvez eu não o diga,
obrigada por as coisas estarem indo bem.
Obrigada por colocar esse holofote no caminho.
Por asfaltar essa estrada
por torná-la trafegável.
Obrigada por ter calado o meu não.
Obrigada por colocá-los,
todos eles,
na minha direção e
fazei com que não seja apenas mais uma ilusão.
Obrigada por não me deixar desistir e
agora poder ser e fazer a minha
MÚSICA.
Qual a medida do exagero?

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

sobre o que verdes em mim...azuis, amarelos, furta-cor...

Às vezes uma vontade louca de largar esse papel, deixar tudo de lado e buscar outro personagem. Às vezes uma sensibilidade que de tão discrepante com a minha realidade que chego a me machucar. Às vezes sou calma, às vezes não, mas não se preocupe, minha construção é simultânea...é fácil de derrubar.
Não tenho muita certeza de nada, nem sei se estou pronta pra isso. Amo o que eu faço.
No palco assumo um papel secundário que talvez seja o que eu realmente queria ser...Grande, imponente, segura...às vezes até indiferente. É o momento em que eu sou um todo maior mesmo sem usar de todas as minhas partes.
Aquela luz na frente do palco que faz com que o artista não veja a platéia é uma coisa mágica.
No mais, tenho precedentes que me fazem ver que atraio loucos, se me propus a ser psicóloga, isso pode ser um aspecto positivo (quase isso).
A loucura é um paradigma. Ou a quebra dele. Enfim, não a sua romantização, ser louco não é uma coisa bonita, pelo contrário. A loucura traz um sofrimento psíquico imenso.
Às vezes uma fuga. Às vezes vejo a loucura como uma fuga. Fuga desse mundão que, honestamente, não oferece muitas vantagens na sanidade.
Às vezes me surpreendo. Mesmo construindo barreiras às expectativas, vivo me frustrando. É por causa dessa confusão de ceticismos e fé que me permeiam.
Eis uma questão que me assombra...a maestria de todas as coisas. Quem conduz isso tudo? Será um Deus que criou o mundo, deu um peteleco no homem e foi embora? Ou um Deus muito maior que tudo isso que conseguimos enxergar? Se Deus não é bom quem haveria de ser? Como o homem pode ser agente de seu destino se não tem controle sobre os estímulos que recebe? E dentro de toda essa esfera racionalista, porque se insiste em falar em liberdade ou livre-arbítrio. É graça ou natureza?
Às vezes o fenômeno.O fenômeno que é tão valorizado, ou não. Mesmo assim, eu o vejo como um fenômeno e não sei bem o que falar.
Dentre os últimos aprendizados, venho conhecendo a calma. A calma que me fornece meios de lidar com essa minha tendência castastroficadora, do ato de transformar tudo em catástrofe.
Também venho conhecendo as oportunidades que chegam como fruto da maturação de um processo. Aceitando que as coisas tem o tempo de darem certo, ou não.Mas vai além disso. Vai além de fé ou empenho, é uma questão quase de...fenômeno?
Ás vezes um instrumento. O dilema da vez é como se deixar usar (ser usada). Marcuse foi meu grande mestre do início da faculdade, cheguei ao Freud melhor pela filosofia que pela psicanálise (mas isso só no acesso, depois de feito, a filosofia tornou-se apenas uma boa aliada), enfim, ele costumava dizer que as questões de vocação são apenas uma das justificativas dos mecanismos de repressão, ou que seja mesmo sublimação, não sei. Talvez ele até enquadre a própria sublimação dentro dessa perspectiva, mas a questão é que, seja como for, por agora a minha sublimação está dando conta. No sentido mais sublimatório que o contexto possa oferecer.
Ás vezes surpresa...assim como no desenhar desse texto que começou se propondo a falar de mim num âmbito pequeno e fútil e acabou mostrando uma face estranha das minha certezas e dúvidas... Talvez você não concorde com elas, mas, agora, é assim que eu me estruturo. Bem ou mal, é isso que estou pronta a receber. Ás vezes a perca é a melhor coisa que te acontece, justamente pro permitir que se adie o recebimento de uma carga potencialmente relevante, mas que naquele momento seria desperdiçada.
Você pode ser um desperdício para mim agora.

domingo, 28 de agosto de 2011


E quando a vida só reforça o seu estado de alerta
continue desconfiando.


Até onde se deve erguer o muro?
Até a altura dos olhos e, depois disso, só depende de você saber para quem tirar alguns tijolos.


"a vida é como um gás
Só um sopro, só um vento, nada mais"

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

aceite, sou discrepante.

domino apenas parte desta história,
a outra, escrita por você,
se encontra no campo da minha dislexia.

Não estranhe se eu não ler os sinais.
Não é indiferença,
é um desvio.

Te dou permissão para me guiar...
afinal, é isso que você faz.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

e às vezes as coisa se dão de forma natural.
os insights são a maior prova de que
distração é o nosso melhor estado.

"Distraídos venceremos!"


Só não vale deixar passar...

"O homem parou para olhar o mar
o mar não parou para ser olhado
e foi homem pra todo lado"

domingo, 1 de maio de 2011

Vem...


Vem!
Chegue e traga consigo o migo de volta.
Chega pra me fazer sorrir do nada, pular, cantar,brincar...
Contar piada sem graça, buscar novos poemas pra te dizer todos os dias, de maneiras diferentes, o quanto eu te amo e o quanto você me faz bem. Vem pra eu aprender um cheiro novo e reconhecer teu timbre num couro. Vem pra eu te ver em todos os lugares, pra eu sentir tua falta e ter raiva. Raivinha dos teus deslizes que serão absolutamente esquecidos com um beijo.Vem pra eu te ter dentro de mim e mapear teus territórios.Vem pra eu perder os meus limites e invadir tuas fronteiras. Vem para arrepiar meus pêlos e emanar toda essa excitação da minha pele. Vem pra que possa encher o saco das minhas amigas nos primeiros dias falando de como tudo ali me lembra de ti.Vem pra eu esperar a noite pra te perguntar do dia. Vem me mostrar uma banda nova ou uma música linda que só a gente vai conhecer...vem pra que completemos nossas frases, discordemos das críticas dos filmes e durmamos no sofá.Vem pra roçar a tua barba e me fazer compor uma música. Vem pra eu virar positiva, querer ir a praia e sujar os pés de areia. Vem pra eu limpar o chocolate do canto da tua boca, tirar um cisco do teu olho e te chamar de lindo. Vem pra atender às minhas expectativas e frustrar todas elas.Vem pra eu perder a razão e não pedir explicação. Vem, nem que você não venha, mas vem.

terça-feira, 26 de abril de 2011

O exercício das pequenas coisas...

"Quando você disser que longe é um lugar que não existe, se lembre também de me dizer onde é que você vai estar"
"Eu tenho o mundo inteiro pra salvar e pensar em você é Kriptonita"

E ele que se dizia um super homem, faz-se impossível não ser lembrado como a minha kriptonita.
Meu mundo foi salvo por pouco!

Piada interna.



quarta-feira, 6 de abril de 2011

Pequenas epifanias



Sabe, ontem ouvi alguém dizer que, às vezes, para atingirmos um equilíbrio, temos de ir de um extremo a outro.
This is it!
Estou nessa transição extremista agora.
Não é tão ruim quanto parece.
Por isso a epifania.
Tudo na vida acontece por um motivo, tudo.
Sei que se você estiver em situação difícil agora de nada vai adiantar lhe dizer isso, mas, como diria Caio, "e substituímos expressões pesadas como 'não resistirei' por outras mais mansas, como 'sei que vai passar'". E vai, pode demorar, pode doer, mas vai passar.
Há quem diga que o homem possui uma 'tendência auto-reguladora'. Que em todas as situaçãoe, algo inato nos conduz à regularidade...Quase um poder de cura, tipo a do Wolverine, mas só que psíquica. Ainda não tenho argumenos suficientes pra formar uma opinião sobre, mas a questão do equilíbrio é verdade.
Sabe, tudo acontece por algum motivo. Não por uma questão divina, talvez até sim, também não sei bem o que penso sobre Deus agora, mas é muito confortador você se ver diante de uma situação difícil e ter precedentes...
É confortador.
Sabe, conforto é tudo que preciso agora.
O grande problema é que, pra variar, eu continuo esperando que esse conforto venha de fora, quando já bem sei que ele deve vir de mim mesma...
E essa acaba por ser mais umas das coisas que têm de ser para um aprendizado posteror...
Tenho tanto a aprender sobre pessoas, sobre vínculos, sobre aproximar o eu de mim e afastar o eu da gente.
No fim, tudo é aprendizado.
Sabe, sempre o começo é pior que o fim...pelo próprio fim de um começo.
É sempre bom ter momentos como esses.
Momentos nos quais você percebe que nada foi em vão e que, por pior que pareça, você esta mais preparada para o que há DE VIR.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Essencialmente...




Cara, não adianta.
Nem sei se realmente lêem esse blog, mas, se sim, devem ter percebido a enchurrada que Caio faz na minha vida. Outros diriam: "será que estão enjoados?", Mas nós, sensíveis leitores que somos sabemos que Caio é um fonte eternamente renovavel.
Caio tem um novo dizer para cada nova fase de sua vida, Caio morreu em valores mundamos, mas é soberano nas suas palavras.
Sentimento estranho por alguém que nunca vi. Sentimento por alguém que me acompanha em cada nova peça de meu Devir!



“Em luta, meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não. Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora. No que está sendo. Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, de cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço. Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar, mas enfrentar e penetrar no que está sendo é coragem. Pensar é ainda fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar. Entrar nela significa viver.”- Caio Fernando Abreu in: Inventário do Ir-Remediável -

“Em luta, meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não. Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora. No que está sendo. Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, de cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço. Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar, mas enfrentar e penetrar no que está sendo é coragem. Pensar é ainda fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar. Entrar nela significa viver.”

- Caio Fernando Abreu


“Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tempo incapazes de ver uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que recomponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome”

- Caio Fernando Abreu

“Quero ser eu mesmo. Será difícil? Com tudo de mau que isso possa trazer. (…) É preciso agora concretizar a idéia: tirá-la dos limites do pensamento, arrancá-la apenas do papel e torná-la um pedaço de mim, decisão cravada no corpo”

- Caio Fernando Abreu



Essa merecia dedicatória:

“Pra ele, me guardo. Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor. Cuidado, comigo: um dia encontro”

- Caio Fernando Abreu

sábado, 2 de abril de 2011

Simon & Garfunkel, Bridge Over Troubled Water, Central Park

E disse que não era bem assim, não necessariamente o fim...

Hoje, nas poucas vezes que me distrái meu pensamento foi pousar em territórios alheios. E, confesso, foram alguns instantes de prazer. Aos poucos a raiva vai passando e tudo o que fica são as lembranças de, talvez, o ser que mais consegui deixar chegar perto.
Coincidentemente, lendo "A dor de amar", dou-me conta de que esse ser "amado" do qual me recordo é totalmente fruto da minha fantasia. J.-D.Nasio coloca o ser amado como um misto do real, o que é, e da fantasia, todas as imagens e representações que imprimo nele.
Em suma, aos poucos tudo vai ficando muito mais complicado porque as impressões do real vão se esfacelando na minha mente e ela cria e recria em cima da fantasia livremente, sem as rédeas da realidade...
Complicado.

"O corpo vivo do eleito, seu corpo de carne e osso, me é indispensável porque sem essa base substrato da minha vida fantasia desabaria e o sistema inconsciente perderia o sei centro de gravidade. Ocorreria então uma imensa desordem pulsional, acarretando infelicidade e dor."

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Final Mais que Alternativo...e definitivo.

Lá as ruas serão de paradoxos e todos os homens terão de andar a pé...
No céu brilhará a mudanças, mas antes de ver a luz do sol, todos terão de aprender a lhe dar com ela.
Na minha terra vai ser assim...Nada destonado, nenhum tom desafinado.
As paredes serão feitas de lembranças boas para que nos momentos ruins ninguém nem nada de bom seja esquecido.
A surpresa será fundamental...
Todos aprenderão como fazer um bom café da manhã para que depois de uma temporada de folhas caídas venham as flores...
Todos, absolutamente todos, terão um lindo sorriso e essa será a base de toda a comunicação...
Os ensinamentos serão feitos por metáforas para que, desde sempre, aprendamos que muito do que parece ser não é...
Antíteses serão permitidas, poeticamente ou não, já que a cabeça humana é essa confusão.
Lá, com o passar do tempo, eu e a mnha cabeça entraremos em trégua e perceberemos que apenas assim poderemos seguir em frente.
Essa Terra eu só encontrarei depois de atravessar uma verdadeira Amazônia, mas durante esse percurso confuso e massante, só depois dele, eu estarei preparada para viver em um mundo em que meus movimentos não serão controlados e que o próximo passo sempre fuja do meu controle.
Lá as palavras nunca serão esquecidas a fim de que não haja confusão por usarmos a palavra errada.
Palavra será como o sol que ilumina e o ar que se respira.
Todos concordarão que ela é tão essencial quanto qualquer outro mecanismo que nos permite viver.
A palavra cura.
A música acalma.
Até lá os homens já terão aprendido a viver sob sua própria repressão, liberando a externa. Aí, depois de séculos impera o principio de prazer.
Lá estão todos os grandes mestres...
Num fim de tarde tem uma roda de samba, com bolinhos de chuva, Noel e Vinícius botando a conversa em dia sob o som de um samba qualquer...
Elis espia quetinha, mas quando o tom sobe ela entra como de surpresa e com aquele sorriso dá as boas vindas a lua que aparece silenciosamente lá no céu.
Ah, a Lua desse lugar...
Amarela e gordíssima lá no alto...
vem aos poucos com uma clarineta chorando ao fundo...
Ah essa lua, é a lua dos amantes, também como aqui, mas lá a Lua foi domada por Caio Fernando Abreu!
Ah, essa lua...
Nunca sem seu dragão, o amor de sua vida...
A lua e o dragão são o maior exemplo de que o amor não é um mar de rosas nem uma coroa de espinhos, mas é ai que entra mestre Caio, que os ajudou a a poetisar os dias bons e ruins, assim fica tudo mais leve...
E é sob a luz dessa lua que no meu repertório de distrações eu o encontrarei...
Alguém que passou pela mesma peleja que eu, a diferença é que ele sempre se destraia.
Começaremos conversando sobre Leminski, sobre como aquele louco conseguia sintetisar coisas grandes e confusas em simples poetrix.
Falaremos sobre antigos medos e, sem perceber eu já estarei apaixonada.
Como boa aluna daquela Lua que me ilumina, poetizarei esse amor inicialmente platônico até que sob o som de minhas palavras cantadas em melodias ele me redescobrirá como aquela que irá afagar-lhe os cabelos todos os dias.
Mas como um bom romance nenhum dos dois terá certeza de nada ainda...
E eu...Bem, eu estarei sobre as rédeas de Caio...Tudo combinado.
Durante toda essa agonia ele apenas estará me ensinando a conviver com o desconhecido..
Me ensinando que eu não posso ter certeza da solidez do chão antes de todos os passos, e com suas belas palavras me convencerá a me jogar de onde já caí sem saber se será diferente, porque no fim...
"Não se afobe não que nada é pra já, o amor não tem pressa, ele pode esperar em silêncio."
E depois, eu, exímia defensora da clareza das palavras, estarei encantada por aquele silêncio entre dois que depois de penetrar a alam será quebrado por um beijo.
Ao som de Chico assuviando "Futuros amantes".

terça-feira, 29 de março de 2011

"Não me censure por que estou aborrecido, estou necessitado, eu preciso experimentar tudo..."


MEDO: Não é a total novidade de um objeto ou de uma situação que pode amedrontar, é o misto do conhecido com o desconhecido.

Sobre cabeça vazia, reorganização + final alternativo

Sabe, como que um insigt, esse trecho de "Os cegos do Castelo" é o melhor feed back pra começarmos:

"Eu não enxergo mais o inferno
Que me atraiu
Dos cegos do castelo
Me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, um lugar
E pro que eu sou"


Sabe, a minha confusão tá se desfazendo, mas o que tenho são ferramentas. Pedaços do que eu era antes de tudo isso começar, alguns rancores, muitas aprendizagem e, de bom, alguns "ufas!".

Saio dessa tormenta com mais algumas certezas do que não quero, com algumas decepções e, principalmente, muita votade de me achar. Dentro ou fora de mim...
Alguém que não tenha medo de ser quem realmente é, ou alguém que tenha sua própria marca, sendo mais que uma coletânia de textos alheios. Porque no fim, acho que foi nisso que eu me tornei, uma série de características que admirava nos outros, mas nunca imprimi nelas a minha subjetividade. Disso nasceu um monstro que é esse meu super-ego castrado e opressor que não me permite dar um passo sem olhar pra trás ou para frente, que não me permite arriscar e que quando pensa que tá agindo de forma congruente tá na verdade se boicotando.

Saio com um esboço do que quero ir tornando-me.
Com uma inquietude ainda mior que a que tinha.
Contudo, não posso negar, saio com mais medos do que quando entrei, justamente pelo fato de que as minhas poucas investidas deram errado.
Saio, de forma errônea, esperando um holding, um ego auxiliar, mas procuro isso em um outro que não virá. Assim, tenho de desagarrar desta ideia e fazer isso por mim mesma.
A parte difícil? Ainda estou em processo de luto figurativo por um amor ou não-amor que se foi. Mas as ocupações cotidianas se encarregarão dele.

Sobre isso, um final alternativo pela distração...
sei lá, depois de curtir essa fossa encontrar com ele, do nada e perceber que, sei lá, só finalmente vir do id pro ego...só trazer pra consciencia, ter o insight quanto a ele...fechar a gestalt, sair desse ciclo de pulsão de morte e...
comprar o TORNAR-SE PESSOA, do Rogers.

uma torção de 180º e ainda tornando-me!

terça-feira, 15 de março de 2011

Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo - Trailer





Um longa metragem premiadíssimo e, diga-se de passagem, mais que merecidamente.
De forma simple a fiel, um geólogo viaja pelo inerior do NE para avaliar as terras que serãO afetadas pela transposição das águas do Rio São Francisco.
Durante essa viagem ele amarga a dor de ter sido deixado pela mulher que tanto ama, a "galega" botânica, como ele a chama.
Uma "roedeira de osso" linda, simples, as vezes até meio forte, mas bonita pela veracidade dos sentimentos e pela simplicidade das imagens. Ele encontra várias mulheres pelo caminho e não se nega a retratá-las. Mulheres simples do interior do sertão, viajantes, prostitutas, donas de casa, enfim, mas sempre sua paz repousa nas lembranças de sua "galega", a tal botânica.
O romance entre um homem que estuda as falhas geológicas e uma mulher que estuda flores.
Suuuper indico!


"QUndo te vejo me calo.
Tudo penso, nada falo.
Tenho medo de chorar."


Quanto a mim...Entre trancos e barrancos vou superando o coitado deste amor que, quando finalmente conseguiu nascer teve de ser sufocado.
Meu amor também era viajante.
Não me chamava de galega, nem me amava, mas era viajante.
Amor viajante, um momento aqui, o outro distante.
Ai, lembro bem das duas vezes que cruzei com ele na CE-040.
Era um desencontro tolo, mas pra mim tovara ares de destino e aqueles carros que se ultrapassavam sem ter noção do que carregavam era instrumentos de acesso a um universo paralelo.
Ainda hoje sonho com aquele sorriso de homem safado que vai te ganhar na lábia.
Homem que sabe bem que mulher é um bicho que já nasce carente.
E, aos poucos, vou aprendendo a respeitas esse sentimento. Talvez não o objeto do desejo, mas o desejo em sim. Porque depois de tudo, tudo o que nos resta é fantasiar.
Um dia ele vai voltar...porque me ama?

domingo, 13 de março de 2011

E depois da tempestade...

Ainda tô no furacão, mas agora com novos elementos.

Passou o carnaval e dele trouxe alguns débitos e outros "créditos" (nem sei se posso dizer assim...).
Como tudo é aprendizagem, continuo aprendendo que tudo muda, só o que permanece é a mudança.Acredito que tive um desfalque de duas grandes amizades nesta festa da carne. N]ao sei se perdi os amigos, afinal eles ainda estão lá e eu ainda estou aqui, mas como palavras uma vez lançadas ao vento jamais poderão ser domadas, as circunstâncias entre nós jamais serão as mesmas. Para mim, o que importa nisso tudo é que saio de cabeça fria. Fui mais que uma amiga para ambos. Eu e essa minha síndrome de mãe que ainda vai dar muuito na minha cara até eu aprender que as pessoas não precisam de mim e que se assim o parece, apenas esperam uma oportunidade para me colocarem no meu devido lugar: intrusa!
Agora, quanto a isso, eu tenho um protesto!
Tudo bem que agora eu tô numa depressão do caralho, as coisa não têm dado muito certo, mas, para uns e outros por ai, sim, eu suporto a felicidade. Eu sei acordar feliz sem motivos, eu sei rir feito boba de uma piada sem graça, eu ver beleza no que inegavelmente é feio, eu ser extrair o mais belo néctar das flores mais simples. Sei e por muitas vezes o fiz. Fiz sozinha e fiz ao lado das pessoas que tinha como essenciais na minha vida.
A vocês que aos poucos destroem o meu mundo, um dia, lá na frente, vocês estarão bem fadigados dessas felicidades instantâneas que não suprem nem uma planta e eu estarei lá...de pé vestindo o meu melhor sorriso e convicta de que consigo ser feliz com as coisas simples da vida. Aos poucos vou aprendendo, como diria Alex Supertramp, que "a felicidade só é real quando compartilhada".

Vida nova, Raissa.
Novas pessoas, novos lugares, novos projetos, novas sensações, novos "agente mediadores externos" (uma lousa que comprei pra colocar no quarto e servir de agenda gigante), novos medos, novas dores, enfim...


"Só choro às vezes porque a vida me parece bela (O sol. As cores. As coisas). Mas é de emoção, não de dor. Tá tudo certo."

Caio, meu Lindo!

Ah, quanto ao que veio a mais...
Senhor, perdoei essa minha pulsão maldita que encontra abrigo nos braços alheios que me embebedam com uma ilusão fálica. Dai-me discernimento de tempo e espaço quando estiver em berço esplêndido e, se possível, nem me deixe nele repousar. Não estou pronta para lhe dar com tais sensações avassaladoras que me arrepiam os cabelos com o poder de uma simples lembrança, mas, se assim o for, Senhor, que o seja de corpo e alma. Que esse novo inquilino se instale nas minhas entranhas e que eu possa, pela primeira vez, desfrutar de algo puro, verdadeiro, e essencialmente recíproco. Amém!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Vou ver o jogo se realizar de um lugar seguro...


Bem, acho que já deu pra perceber que as coisas têm andado meio "turbulentas" ultimamente, mas...let it be!
Assumo meu excesso de pessimismo, mas em relação a ir morar sozinha com gatos, parafraseando o grande Snoop, "ontem, fui um cachorro, hoje sou um cachorro e amanhã serei um cachorro... sem perspectivas de melhoras".
Ah cachorrrinho danado.

Esses dias têm sido bem úteis para uma análise aprofundada das minhas circunstância.
E, meio que pecebi que estou me colocando em segundo plano, deixando pra depois, esperando pra ver o que é que dá...Contudo, sou autora da minha própria história. Se serei acometida por essa maldita náusea sartreana, se vou sofrer pela culpa inevitável de ser senhora do meu destino, que pelo menos eu faça o que eu realmente quero e não o que acho que os outros acham que devo fazer.

Tô presa em dois projetos que muito me acrescetaram de início, mas que agora só me desgastam e tenho medo de sair do barco e me arrepender...Vou me arrepender é de ficar nesse barco esperando ele afundar e não partir pra outra. Uma das fugas já está bem encaminhada, a outra está sendo acometida de paleativos porque envolve muitas coisas e seria muito feio da minha parte sair assim do nada...Mas, let it die!

Quanto ao campo sentimental...uma coisa eu tenho que dizer: "Guardou com fome o gato vem e come!"
kkkkkkkkkk
Nesse aspecto eu só quero me distrair.
Deixar de ficar procurando sinais, indícios, me dar por vencida, enfim..
quero poder dizer siceramente que "tanto faz como tanto fez".
Quero parar de esperar por ligações fúlteis que seguem sempre o mesmo roteiro derrotado, que são alimentadas por uma cascata de sentimento básicos que acabam por mascararem-se superiores...

Por fim, quero voltar a ser feliz com as pequenas coisas. Com outras pessoas, que sejam, mas quero reencontrar a felicidade das coisas simples porque, depois que a gente cresce, consegue complicar até a felicidade.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

The Cranberries - Linger

Deus dará...

"Eu prefiro viver com a incerteza de poder ter dado certo, que com a certeza de ter acabado em dor."

Que onda de convardia é essa que cobre os corações apaixonados?
É fato, quando nos apaixonamos criamos um ovo, tão delicado quanto esta casca que protege o vitelo e a nova vida que dele se alimenta. Sempre optamos pelo preservar em vez do arriscar.
Nosso homens são assim, são esse ovo que carregamos em nossas bolsas como um marsupial. Até mesmo quando a casca se parte e dela sai um vida completamente nova, ainda a carregamos conosco, sem deixá-la partir para se aventurar, uma vez que nós, mulheres apaixonadas, somos essa fêmea protetora que não quer arriscar perde esse que fora cutivado e conquistado a custa de tanto choro contido, tanta cabeça baixa e tantas privações.
O ruim é que nem todas possuem o "sensor de quebra" que apitada deseperadamente no limiar entre a incerteza do amor e a certeza da dor.


Hoje fazem 15 anos que Caio Fernado atracou em seu porto.
Para vocês, alguns trechos deliciosos e dolorosos que chegam a assustar de tão verdadeiros:

"Tinha esquecido o perigo que é colocar o seu coração nas mãos do outro e dizer: toma, faz o que quiser."

"Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo, e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros." (essa daria uma boa tatuagem)

"Só quero ir indo junto com as coisas (...) até um lugar que não sei onde fica, e que você até pode chamar de morte, mas eu chamo de porto" (DEVIR)

"Para mim é horrível eu aceitar o fato de que eu tô em disponibilidade afetiva."

E essa, pra fechar:

"A gente teve uma hora que parecia que ia dar certo. Ia dar, ia dar, sabe quando vai dar?"

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sim, Freud explica:

"Se se ouvir pacientemente as muitas e variadas auto-acusações de um melancólico, não se poderá evitar, no fim, a impressão de que freqüentemente as mais violentas delas dificilmente se aplicam ao próprio paciente, mas que, com ligeiras modificações, se ajustam realmente a outrém, a alguém que o paciente ama, amou ou deveria amar. Toda vez que se examinam os fatos, essa conjectura é confirmada. É assim que encontramos a chave do quadro clínico: percebemos que as auto-recriminações são recriminações feitas a um objeto amado que foram deslocadas desse objeto para o ego do próprio paciente.

A mulher que lamenta em altos brados o fato de o marido estar preso a uma esposa incapaz como ela, na verdade está acusando o marido de ser incapaz, não importando o sentido que ela possa atribuir a isso. Não há por que se surpreender com o fato de haver algumas auto-recriminações autênticas difundidas entre as que foram transpostas. Permite-se que estas se intrometam, de uma vez que ajudam a mascarar as outras e a tornar impossível o reconhecimento do verdadeiro estado de coisas. Além disso, elas derivam dos prós e dos contras do conflito amoroso que levou à perda do amor. Também o comportamento dos pacientes, agora, se torna bem mais inteligível. Suas queixas são realmente "queixumes", no sentido antigo da palavra. Eles não se envergonham, nem se ocultam, já que tudo de desairoso que dizem sobre eles próprios refere-se, no fundo, à outra pessoa.

Além disso, estão longe de demonstrar perante aqueles que o cercam uma atitude de humildade e submissão única que caberia a pessoas tão desprezíveis. Pelo contrário, tornam-se as pessoas mais maçantes, dando sempre a impressão de que se sentem desconsideradas e de que foram tratadas com grande injustiça. Tudo isso só é possível porque as reações expressas em seu comportamento ainda procedem de uma constelação mental de revolta que, por um certo processo, passou então para o estado esmagado de melancolia.

Não é difícil reconstruir esse processo. Existem, num dado momento, uma escolha objetal, uma ligação da libido a uma pessoa particular; então, devido a uma real desconsideração ou desapontamento proveniente da pessoa amada, a relação objetal foi destroçada. O resultado não foi o normal uma retirada da libido desse objeto e um deslocamento da mesma para um novo , mas algo diferente, para cuja ocorrência várias condições parecem ser necessárias. A catexia objetal provou ter pouco poder de resistência e foi liquidada. Mas a libido livre não foi deslocada para outro objeto; foi retirada para o ego. Ali, contudo, não foi empregada de maneira não especificada, mas serviu para estabelecer uma identificação do ego com o objeto abandonado. Assim a sombra do objeto caiu sobre o ego, e este pôde, daí por diante, ser julgado por um agente especial, como se fosse um objeto, o objeto abandonado.

Dessa forma, uma perda objetal se transformou numa perda do ego, e o conflito entre o ego e a pessoa amada, numa separação entre a atividade crítica do ego e o ego enquanto alterado pela identificação.

Uma ou duas coisas podem ser diretamente inferidas no tocante às pré-condições e aos efeitos de um processo como este. Por um lado, uma forte fixação no objeto amado deve ter estado presente; por outro, em contradição a isso, a catexia objetal deve ter tido pouco poder de resistência.

Conforme Otto Rank observou com propriedade, essa contradição parece implicar que a escolha objetal é efetuada numa base narcisista, de modo que a catexia objetal, ao se defrontar com obstáculos, pode retroceder para o narcisismo. A identificação narcisista com o objeto se torna então um substituto da catexia erótica; em conseqüência, apesar do conflito com a pessoa amada, não é preciso renunciar à relação amorosa. Essa substituição da identificação pelo amor objetal constitui importante mecanismo nas afecções narcisistas;

Na melancolia, as ocasiões que dão margem à doença vão, em sua maior parte, além do caso nítido de uma perda por morte, incluindo as situações de desconsideração, desprezo ou desapontamento, que podem trazer para a relação sentimentos opostos de amor e ódio, ou reforçar uma ambivalência já existente. Esse conflito devido à ambivalência, que por vezes surge mais de experiências reais, por vezes mais de fatores constitucionais, não deve ser desprezado entre as pré-condições da melancolia. Se o amor pelo objeto um amor que não pode ser renunciado, embora o próprio objeto o seja se refugiar na identificação narcisista, então o ódio entra em ação nesse objeto substitutivo, dele abusando, degradando-o, fazendo-o sofrer e tirando satisfação sádica de seu sofrimento. A auto-tortura na melancolia, sem dúvida agradável, significa, do mesmo modo que o fenômeno correspondente na neurose obsessiva, uma satisfação das tendências do sadismo e do ódio relacionadas a um objeto, que retornaram ao próprio eu do indivíduo nas formas que vimos examinando. Via de regra, em ambas as desordens, os pacientes ainda conseguem, pelo caminho indireto da auto-punição, vingar-se do objeto original e torturar o ente amado através de sua doença, à qual recorrem a fim de evitar a necessidade de expressar abertamente sua hostilidade para com ele. Afinal de contas, a pessoa que ocasionou a desordem emocional do paciente, e na qual sua doença se centraliza, em geral se encontra em seu ambiente imediato. A catexia erótica do melancólico no tocante a seu objeto sofreu assim uma dupla vicissitude: parte dela retrocedeu à identificação, mas a outra parte, sob a influência do conflito devido à "ambivalência", foi levada de volta à etapa de sadismo que se acha mais próxima do conflito."

Luto e melancolia

Quando o amor era medo, Frejat





Ontem tive uma epifania trágica: estou com medo.
Muito medo.
Achei que não passasse de raiva, que estava tudo meio que perdido, mas, ironicamente, sob controle.Mas, ontem, tive a impressão de ter visto um no meio da multidão e esse um fizera com que eu me sentisse muito mal.
Perdi o chão, paralizei, só voltei ao normal quando percebi que não era ele.
Contudo, isso me fez pensar...e se fosse?
Outra noite dessas, contando pra um amigo, ele me acertou em cheio com a pergunta: "e se você o visse novamente? E quando ele ligar? O que você vai fazer?"

Sabe o que percebi?
Que, covardemente, espero que ele desapareça!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

(...

"Como se eu estivesse por fora do movimento da vida. A vida rolando por ai feito roda gigante, com todo mundo dentro, e eu aqui parada, pateta, sentada no bar. Sem fazer nada, como se tivesse desaprendido a linguagem dos outros. A linguagem que eles usam para se comunicar quando rodam assim e assim por diate nessa roda-gigante. Olhando de fora, a cara cheia, louca de vontade de estar lá, rodando junto com eles nessa roda idiota..."

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Final alternativo II

"O amor é uma espera e a dor a ruptura súbita e imprevisível dessa espera."
A dor de amar, J. D. Nasio

Dia sacal, mas ao lembrar do quanto tinha feito para ficar de férias, sem pestanejar, peguei a bolsa e sai de casa.
Cinema.Era essa minha decisão ao entrar no ônibus, por sorte, vazio. Sorte não era algo que me acompanhava ultimamente.Então, de imediato percebi o feito e fiquei satisfeita.
Não queria um cinema de quinta, queria o melhor cinema. Há muito se especulava sobre um shopping novo da cidade que eu ainda não fora. As cadeiras eram marcadas e tudo mais. Decisão toma, rumo a seguir.
A estrutura do shopping era fascinante. Nem se comparava ao shopping de bairro com o qual eu me contentava. As lojas eram bem atraentes, mas como a grana tava curta me detive a procurar a parte dos cinemas.
Descobri que era no terceiro andar e, então, fui em busca de um elevador.Apertei o botão para chamá-lo e quando a porta abriu entrei.Entrei de cabeça baixa, meio que encabulada por ser uma estranha naquele ambiente. Não que não tivesse condições de pertencê-los, mas nunca fizera o meu gênero. Nunca fui muito adepata aos exageros do capitalismo, e era extamente o que aquele ambiente gritava:consuuuuumo!
Depois de me acomodar resolvi examinar os outros que estavam no mesmo barco que eu e, logo que levanto a vista, ele.
Fui tomada por uma vertigem, mas disfarcei, pois se tem algo que eu faço bem é desfarçar. Estava sério, com cara de poucos amigos, falando sobre trabalho ao celular. Com aquela blusa branca, por mim muitas vezes amarrotada, aquela com três pranchas de surf no peito esquerdo. Uma calça jeans que de tão lavada tava quase branca e o tênis de sempre. Ainda aquele ar de "Don Juan deMarco", uma mistura de louco/infantil/homem/sedutor.
Quando fitei nele ele percebeu e me olhou.
Parou de falar com quem quer que seja ao telefone e sorriu. Eu exitei, mas sorri de volta, mas um sorriso amarelo com o queixo erguido, não o meu sorriso de olhinhos fechados.
Voltou ao telefone e fez sinal para que eu saísse no mesmo andar que ele. Como uma boa fêmea obedeci.
Saímos e eu o aguardei terminar o telefonema no canteiro.
Quando ele se voltou para mim, nem esperei dizer nada, apenas esperei o sorriso (do qual me lembrara noites a fio) e o beijei. O beijei como há muito não beijava. Um beijo que, seguindo a ordem natural, terminaria em cama. Um beijo que há muito queria retribuir, pois era sempre assim que ele me beijava, com fome. Lembro de tentar impor o slow, mas ele não dava chance nunca. Parecia que o fato de sempre demorarmos para nos encontrar o deixava com fome, e, temendo um 'delta T' sempre maior, ele queria me aproveitar por aquele instante. Um beijo até cansativo, mas, no que diz respeito ao prazer, inigualável. E assim eu o fim. Dei-lhe um beijo faminto que, durante todo ele, eu só pensava na respiração. Aquela respiração conjunta que acompanha os beijos longos, quando você e ele compartilham o mesmo oxigênio e é como se, pelo menos por aquele instante, precisassem um do outro para sobreviver. Como o ronco de um motor que pede marcha, macho e fêmea exalam seus hormônios e pensam em reprodução. É uma espécie de pause do mundo real e play do mundo sexual. Um instante em que tudo que importa é o toque dos narizes que compartilham o combustível da respiração.
Pois, assim o fiz, e depois, cai em mim.
Não sei do fora acometida, mas todos aqueles meses de espera por um mero telefonema que fora prometido para o dia 15 pesaram em mim como uma tonelada e eu disse:
-eu ia f#%$@ com você sabia. Eu sentia a sua vontade de f#%$@ comigo, mas eu tava com medo, sabia que era com você. Desgraçado, esperei tanto você me ligar, até que um dia eu tive a bendita epifania de não tratar como prioridade quem me trata como opção. F#%$@ com o primeiro que apareceu, mas precisava te dizer: pensei em você!
Parei olhei pro relógio e ouvi o barulho da porta do elevador abrindo. Etrei naquele elevador e, pelo cubículo transparente ele me olhava com uma cara de quem tentava entender, até que entendia. Apertou freneticamente o botão do elevador, mas eu já tinha descido, e talvez já estivesse envolvida em alguma trama alheia, realzação de desejo reprimido, sentada em uma poltrona acochoada comendo pipoca com uma pepsi twist, em lembrança a um velho conhecido.

Fim(...



"O amor é um acidente esperando para acontecer."

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Mau dia!

Hoje, o dia foi tão (bom), que meu egocentrismo quis me fazer pensar que tudo conspirava contra mim.
De madrugada tinha um trabalho sobre memória pra terminar, e advinha, apagão!
Ok, termino pela manhã e entrego a tarde.
Acorodo com uma mensagem:
"Amiga, tem aula extra de psicologia e arte 9hs."
Tinha planos de fazer meus exames porque essa porra de dor tá me matando.
Penso: vou pra aula, saio mais cedo, faço os exames, termino o trabalho e entrego pra professora antes do fim da aula.
Pego o ônibus errado, ando a Santo Dumont de cabo à rabo,chego na clínica e o cartão da Unimed não autoriza o exame.
Vou na unimed:
"Aqui consta que seu novo cartão foi enviado dia 28/01, você deve ter recebido"
Ok, eu e o cartão do plano nos desencontramos.
Não seria o primeiro desencontro desses dias.
A sorte e eu nos desencontramos.
O amor e eu nos desencontramos.
A fé eu nos desencontramos.
A alegria e eu nos desencontramos.
A professora e eu também!
Fiz das tripas coração pra terminar o trabalho.
Vou pra aula e, quando saio pra ir no banheiro, a professora recebe um telefonema e tem que sair.
Ok.
Saio da faculdade com esses acontecimentos na cabeça.
pego uma carona até a parada de ônibus.
Ele demora e eu resolvo errar pela 13 de maio.
Entro em uma livraria, vejo um monte de livros do Leminski, mas lembro que tenho pouco dinheiro.
Entro em outra livraria e veji um livro super barato do Caio Fernando, compro.
Mas, na verdade, queria ter compra "a dor de amar", 'o ovo apunhalado', "gramática do erotismo" e "o que Lacan fala das mulheres", mas, já sabe, o dinheiro tá curto.
Compro só o de bolso do Caio, tomo um sorvete de chocolate flocado com doce de leite, volto pra parada e aqui estou.]
Compartilhando minhas aventuras com vocês.
Ah, pra criar uma sinestesia, tô desde as 8hs da manhã sem um banho.
Uow, fedendo pacas!
Meus pais e meu irmão vão chegar e minha mãe vai reclamar que a casa tá desarrumada, que meu quarto tá uma bagunça.
O quarto reflete como estamos por dentro.
Depois de ler isso você acha que meu quarto tem de estar arrumado.
Estranho seria...
Quem me garante que eu vou acordar viva amanhã??

I learn that with you...

Hoje tinha um amontoado de concreto e tijolos na frente do meu por-do-sol.
Lembro que uma vez alguém me prometeu um pôr-do-sol inesquecível.
Alguém e eu nos desencontramos.
Alguém nunca mais me procurou.
Alguém me esqueceu, mas eu não esqueci alguém.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Final alternativo.

Não sei bem como, nem porque. Eu nunca fui muito de vagar. Meu tino racional sempre me impedira, mas naquele dia meu coeficiente de solubilidade dos problemas tinha sido atingido. Era uma tarde estranha. Acabado o inverno, o sol voltava a reinar e castigar aqueles que, diante das chuvas, haviam comemorado a sua queda. Era o fim das manhãs melancólicas e o reinado das tarde de oásis.
Sempre me perguntei como os homens no deserto se deixavam enganar por eles. Estava ali, tonta a constatar algo relacionado à refração naquele asfalto quente. Saí sem destino por aquelas ruas do outro lado da cidade, confesso que quase inéditas para mim. Comecei a observar as pessoas e tentar criar uma realidade para elas. Tarefa difícil quando se tinha tantos problemas na cabeça.Desisti e continuei a nadar pelo quarteirão.
Decidi dar uma última chance à minha criatividade e fitei um homem que saia da loja de material de construção (Qual sinal o meu inconsciente captou? Porque ele não me alertou?). Quando dei por mim ele já estava me olhando com aquele sorriso sorrateiro pelo qual eu havia me encantado anos atrás.
Não sei a que velocidade meus pensamentos chegaram, mas, até o primeiro esboço de ação, meus planos foram de um extremo ao outro e, não mais que de repente, eu, famosa por não resistir aquele homem, disparei:
- Fazem dois anos, e eu estava apaixonada por você.

Ele, meio que sem entender, continuou na minha direção e tentou um beijo cordial;
Eu me esquivei e disse:

- Sabia que eu esperei meses, que dirá anos? Procurei você em tudo e em todos. Você ficou de me ligar,lembra?

Ele desmanchou o sorriso aos poucos, balbuciou, desistiu. Fitou meu queixo. O que terá pensado? Ele adorava o meu queixo. Sempre mencionava o sinal milimetricamente centralizado. O "sinal de indiana", como ele dizia.
Não sei quais eram seus planos, mas ele os mudou e disse:

- Apaixonada? Você? É... eu cheguei a cogitar, mas você me deixou confuso. Era aquele morde/assopra. Talvez eu tenha desconfiado, mas você...

Uma raiva tomou conta de mim e, acho que por minutos ou frações de segundos, eu só olhava seus olhos...pensei em quantas vezes tinha planejado aquele encontro e como eu reagira diferente. Era eu, ali?

- Pois é.
Ãh?!
Pra cima de mim? Esqueceu? Esqueceu quem eu sou, baby?
(a voz forte e com tom de acusação começou a tremer. Tirei forças não sei de onde...)
O bonsai com o seu nome morreu pouco antes de você desaparecer. Pensei em conseguir teu número e ligar, mas você disse que me ligava depois do dia 15! E esperei, cara. Imaginei de tudo, até achei que você tivesse realmente ido pro norte, como tinha me dito uma vez, mas não. Você e eu estávamos na mesma cidade, por anos!
(minha veia cinematográfica impôs uma hesitação dramática, como em todos os filmes que eu assistira por anos pensando nele)
Sabe, você sem mim, talvez seja o mesmo cara. Mas, eu sem você sou uma pessoa melhor.


Mais alguns infernais segundos de silêncio e, quando finalmente ele esboçou uma reação (talvez o tempo de inventar uma desculpa), eu invadi o taxi parado no semáforo e mandei seguir pro segundo posto da Expedicionários, à direita.


Conto fruto da insônia.
Personagens frutos da saudade.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Tori Amos - Northern Lad

Para ler o texto baixo...

Temporal...


Tempo, olhos, ouvidos, dor, gel, luz e pena.
Um turbilhão de coisas vindo à tona. Medo do escuro, procura. Experiência. Percepção. A percepção e a atenção podem ser guiadas pela orientação. Gosto tanto da solidão que escreveria um ensaio sobre ela. Medo da solidão. "Quero colo, vou fugir de casa, posso dormir aqui, com você?". Quero quase sempre. Quero pause. Distração. "Distraídos venceremos"? Quero parar de pensar em ninguém e em tudo. Quero pensar em alguém e em nada. Quero o escuro a dois. Pêlo. Pele. Cheiro. Dor.
Sinestesia.
Quero ver o cheiros, sentir as cores e movimentos. Quero gozar em silêncio esse meu não passar duas vezes no mesmo lugar. Quero poder não querer, apenas estar. Ser sempre sendo. óculos, vírgulas, passos, ácidos e épicos. Fruição inconsciente. Quero os sons. Cantar como nunca. Calar como nunca. Sentir o absoluto. Dançar o infinito. Terminar entre lençóis, tonta, atordoada, arrependida. Confusa.
Vento. Quero o vento no rosto arrepiando o meu cabelo já bagunçado. Pingos d'água. Enxurrada deles.Frio. Vento frio. Corpo quente. No fim da cama quatro pés se aquecendo mutuamente. Sem pensar.