Lá as ruas serão de paradoxos e todos os homens terão de andar a pé...
No céu brilhará a mudanças, mas antes de ver a luz do sol, todos terão de aprender a lhe dar com ela.
Na minha terra vai ser assim...Nada destonado, nenhum tom desafinado.
As paredes serão feitas de lembranças boas para que nos momentos ruins ninguém nem nada de bom seja esquecido.
A surpresa será fundamental...
Todos aprenderão como fazer um bom café da manhã para que depois de uma temporada de folhas caídas venham as flores...
Todos, absolutamente todos, terão um lindo sorriso e essa será a base de toda a comunicação...
Os ensinamentos serão feitos por metáforas para que, desde sempre, aprendamos que muito do que parece ser não é...
Antíteses serão permitidas, poeticamente ou não, já que a cabeça humana é essa confusão.
Lá, com o passar do tempo, eu e a mnha cabeça entraremos em trégua e perceberemos que apenas assim poderemos seguir em frente.
Essa Terra eu só encontrarei depois de atravessar uma verdadeira Amazônia, mas durante esse percurso confuso e massante, só depois dele, eu estarei preparada para viver em um mundo em que meus movimentos não serão controlados e que o próximo passo sempre fuja do meu controle.
Lá as palavras nunca serão esquecidas a fim de que não haja confusão por usarmos a palavra errada.
Palavra será como o sol que ilumina e o ar que se respira.
Todos concordarão que ela é tão essencial quanto qualquer outro mecanismo que nos permite viver.
A palavra cura.
A música acalma.
Até lá os homens já terão aprendido a viver sob sua própria repressão, liberando a externa. Aí, depois de séculos impera o principio de prazer.
Lá estão todos os grandes mestres...
Num fim de tarde tem uma roda de samba, com bolinhos de chuva, Noel e Vinícius botando a conversa em dia sob o som de um samba qualquer...
Elis espia quetinha, mas quando o tom sobe ela entra como de surpresa e com aquele sorriso dá as boas vindas a lua que aparece silenciosamente lá no céu.
Ah, a Lua desse lugar...
Amarela e gordíssima lá no alto...
vem aos poucos com uma clarineta chorando ao fundo...
Ah essa lua, é a lua dos amantes, também como aqui, mas lá a Lua foi domada por Caio Fernando Abreu!
Ah, essa lua...
Nunca sem seu dragão, o amor de sua vida...
A lua e o dragão são o maior exemplo de que o amor não é um mar de rosas nem uma coroa de espinhos, mas é ai que entra mestre Caio, que os ajudou a a poetisar os dias bons e ruins, assim fica tudo mais leve...
E é sob a luz dessa lua que no meu repertório de distrações eu o encontrarei...
Alguém que passou pela mesma peleja que eu, a diferença é que ele sempre se destraia.
Começaremos conversando sobre Leminski, sobre como aquele louco conseguia sintetisar coisas grandes e confusas em simples poetrix.
Falaremos sobre antigos medos e, sem perceber eu já estarei apaixonada.
Como boa aluna daquela Lua que me ilumina, poetizarei esse amor inicialmente platônico até que sob o som de minhas palavras cantadas em melodias ele me redescobrirá como aquela que irá afagar-lhe os cabelos todos os dias.
Mas como um bom romance nenhum dos dois terá certeza de nada ainda...
E eu...Bem, eu estarei sobre as rédeas de Caio...Tudo combinado.
Durante toda essa agonia ele apenas estará me ensinando a conviver com o desconhecido..
Me ensinando que eu não posso ter certeza da solidez do chão antes de todos os passos, e com suas belas palavras me convencerá a me jogar de onde já caí sem saber se será diferente, porque no fim...
"Não se afobe não que nada é pra já, o amor não tem pressa, ele pode esperar em silêncio."
E depois, eu, exímia defensora da clareza das palavras, estarei encantada por aquele silêncio entre dois que depois de penetrar a alam será quebrado por um beijo.
Ao som de Chico assuviando "Futuros amantes".