sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

So small...

O pior de tudo acabar e todos irem embora é que você continua lá. 
Continua lá, agora pequeno despedaçado. Mas, com a triste missão de "juntar os pedaços". 
Os benditos pedaços que não te deixam ser feliz sozinho, os malditos pedaços dos outros que fazem parte de você. Pior ainda é saber que vai faltar um pedaço. Ou mais um pedaço se vai, mais uma pessoa que perversamente veio, se fez importante e foi embora. 
É claro que eu coloco o outro na voz ativa como pura covardia, sei que quem o colocou lá fui eu, que quem o elegeu e deu funções a desempenhar também fui eu, mas... De que me adianta ter a responsabilidade por iss agora? É melhor dá-la a quem já partiu pra longe (nem tão longe).
Agora, de novo, você vai reaprender a viver. Quem disse que a vida era um aprendizado não tava falando de lições e conteúdos importantes, tava falando de aprender a viver de uma forma diferente diante de cada nova perca. 
Ruim já era até ai, antes mesmo de eu perceber que isso nunca vai dar certo. De que talvez a morte dos outros seja por todos os pedaços que foram embora com as pessoas que eles deixaram fazer parte de si mesmos. Mas a minha morte vai ser a da espera. A espera de um dia conseguir deixar pedaços pelo caminho como todo mundo. Porque agora que eu observo com cuidado, todos os pedaços estão aqui, inclusive os que eu enviei com destinatário.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

domingo, 25 de novembro de 2012


Vou te arranjar uma chuva forte,calma
Que te lave a alma destes desencontros
Desta quase angustia
E alguma noite calada e companheira
Que te guarde inteira
Pro renascer de nova manhã
Um quarto de sombras
E luz apagada
E uma cama pousada
Que embale teus sonhos
Até você despertar
E o meu abraço quieto e aconchegado
Que num laço apertado
Quer te lançar na busca
De se encontrar
Tendo o céu como o destino
Tendo o vento como guia
Procurando o sol a pino
De outro dia

Jessé

domingo, 18 de novembro de 2012

E você vai ter que ficar com o por enquanto.

Não com essas palavras, bem mais esteticamente talhado, claro, mas Clarice nos dizia que nós viemos e iremos para um vazio, viemos do vazio do antes de nascer e iremos para o vazio da morte. O que nos resta é um "por enquanto".

É nesse por enquanto que vamos levando, né? É nesse por enquanto que vamos sofrendo, caindo, levantando de cabeça baixa, se atrevendo a olhar pra cima aos poucos, levando topada, olhando pra baixo, esbarrando, olhando pra cima, levando topada...
A questão agora é que você tá angustiado. Mastiga, rumina essa angústia. Tem epifanias, faz coisas por causa delas, mas, concretamente, o que muda?

Felizes daqueles que não pensam. Mais felizes aqueles que não falam.

Você vai buscando, acreditando, mas aos poucos percebendo que a felicidade é um pássaro esperto. Ele se deixa ver, ouvir, até se orgulha de ser contemplado. Com toda a sua pompa te deixa envolver, admirar-lhe as asas e a ignorância, chegar perto, chegar perto... e voa. Sem nenhuma consideração.

Essa é a "queda". Depois disso, você rumina e levanta. Levanta porque a maioria de nós sempre levanta. A maioria de nós sempre levanta porque nunca de fato caiu. A queda de verdade é quase uma redenção. A queda de verdade é a liberdade. Quando se cai de verdade você não é mais obrigado a levantar. A queda verdadeira te livra do masoquismo escroto de ter esperança. Esperança. Vou te dizer, esperança é, nessa conversa, a força da gravidade. A força que te leva ao chão.
Não me julguem.
Não o façam.

Depois "dissos", você percebe que as coisas simplesmente são. Que você saiu do nada e vai pra lugar algum. Que o que te resta é o por enquanto. E o por enquanto é o que te resta.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Nunca o vazio me pareceu tão assustador como hoje. Depois de um dia acometida por uma dor de cabeça horrível, um fragmento de tarde incrivelmente simples e bom, e mais um sono profundo, a ideia da morte veio me assombrar. Esse fantasma que não liga se o ignoramos, porque independente disso ele se mostra um dia.
E como a morte é mote pra muita coisa, inclusive para a vida, eu fui escancarada por uma parte de mim mesma. Contato direto com os seus medos, isso é real. Contato direto com todos aqueles fantasmas que, ao contrário do primeiro que falamos, crescem com a sua indiferença. Diria até que, além de crescerem, reproduzem-se.
Agora tudo no que é penso é o meu medo diante da vida, o quanto ela tá me parecendo boa e o quanto ela pode parecer ruim.

sábado, 7 de julho de 2012

Depois de grande a gente tem vontade de voltar a ser pequeno e ter a vida regrada pelos pais, as escolhas feitas por outros, não ter que ter tanto cuidado. Não saber o significado de sensatez, não ser apresentado à maioria das tentações. Não perceber que as leis só existem para proibir aquilo que quer ser feito. Não ter que ser exposto ao aversivo pra saber o que lhe é reforçador. Não vê que o mundo não é justo, que tá tudo errado mesmo, e que tudo que se pintava colorido era preto e branco. Saber que você não vale por suas capacidades e que, uma hora, ser certo estará errado, porque a música que você sempre ouviu tá tocando na hora errada, e essa nova música pede uma coreografia totalmente diferente, uma dança quase esquizofrênica onde você se perde no meio de uma nuvem de fumaça que deixa sua vista turva. É quase como se você tivesse que se guiar por intuição, mas tem muito barulho ao redor, e ás vezes fica difícil de se entender o que tá pensando...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Às vezes a loucura vem pra nos livras de um mundo são.
Sanidade é um conceito relativo.
Mas entrar no mérito da relatividade é entrar em loop infinito.
Às vezes eu fico pensando se eu vivo em um mundo compartilhado, ou se eu só acho que é assim.
Porque de todas as coisas simples do mundo eu caio nas complicadas?
Há tempos existo em algum lugar do mundo. 
Será que alguém nos aguarda do outro lado do tempo?

domingo, 17 de junho de 2012

Intermitente é algo que pára e recomeça por intervalos. Intermitente e raso são qualidades atribuíveis a um rio, mas não a um relacionamento. Se você juntou a isso tudo  mais, terás nada. E é o nada que eu vejo agora. 
Vejo uma quantidade de investimento enorme que está sendo direcionado a um vazio. E o vazio não tem medida, o que faz com que essa energia simplesmente se dissipe. 

Rios não são coisas ruins. Muito pelo contrário, trazem produtividade e vida. Mas os fenômenos meteorológicos são muito inconstantes e as intermitências dos rios muitas vezes assolam regiões inteiras com a seca. No final é algo totalmente aleatório, inseguro. Por isso as comunidades que dependem de rios, hoje em dia, são todas incentivadas a criarem outros tipos de irrigação. 

Eu não tenho tudo o que tenho, não cultivei e cuidei de cada semente pra ficar a mercê de um rio intermitente que pode vir e deixar tudo verde nessa estação, mas me faltar na próxima. 

Aliás, eu não quero mais saber de monoculturas.
Elas são limitadas e acabam com os nutrientes deixando o solo pobre. 

Eu quero mar, eu quero grande, eu quero uma quantidade infinita de gotas, quero maré cheia e maré baixa no mesmo dia, mas sempre imensidão. Quero vida dentro de mim, quero me sentir envolvida e protegida. Quero toda a transpiração, quero oxigênio, quero toda a vida marítima que é subjugada pela terra. 

Eu quero mar, e você é só rio.

sábado, 16 de junho de 2012


Dimensão do REAL

"O que não sei fazer desmancho em frases.
Eu fiz o nada aparecer.
(Represente que o homem é um poço escuro.
Aqui de cima não se vê nada.
Mas quando se chega ao fundo do poço
já se pode ver o nada.)
Perder o nada é um empobrecimento."

Manoel de Barros dissertando a mais encantadora das três dimensões do homem, o Real.

domingo, 10 de junho de 2012

formato mínimo

"Pra ele uma transa típica.
O amor em seu formato mínimo.
O corpo se expressando clínico.
Da triste solidão a rúbrica..."

sábado, 9 de junho de 2012

terça-feira, 5 de junho de 2012

Tristan und Isolde, Prelude



O melancólico é aquele que sofre por uma verdade que todos nós sabemos...
Só pode ser muita pulsão de morte acreditar em uma mentira que você conhece.

"Give me back my point of view cause I just can think for you."
De repente você olha ao redor e se vê afundando em um pântano de gente vazia e mesquinha que você sempre desprezou, mas esquecera disso a algum tempo.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Jeff Buckley - We all fall in love sometimes

Something happened it's so strange this feeling
Naive notions that were childish
Simple tunes that tried to hide it
But when it comes
We all fall in love sometimes





Por isso, nunca mais me beije.

domingo, 27 de maio de 2012

Uma música poderosa desenrola-se, e você pode contribuir 
com um verso.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Quer saber se alguma coisa vale à pena?
Tente imaginar a sua vida sem ela!

terça-feira, 22 de maio de 2012

pontuação

No fundo toda mulher tem vontade de não ligar pra nada e fazer tudo.
No fundo toda mulher tem vontade de não ligar pra nada.
No fundo toda mulher tem vontade.
fundo, mulher!



VAZIO

AGUDO

ANDO

MEIO

CHEIO

DE

TUDO

!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Eu quase nunca morri

Eu quase nunca esperei por você
Eu quase nunca lembrei sem saber o porquê
Eu quase nunca fantasiei em vão
Eu quase nunca quis que tudo não fosse
Eu quase nunca me vi num turbilhão
Eu quase nunca fiz rimas pobres
É só quando se trata se paixão.
É que eu costumo ignorar sentimentos nobres...
Eu quase nunca me entreguei desse jeito...
Talvez, porque quase nunca eu não achasse defeito.
Eu quase num me vi subvertida
É quase uma aventura...
Mas, o que mesmo é a vida?
Eu quase nunca vejo o mesmo filme
Ou ouço o mesmo CD,
E porque logo tinha que repetir você?
E se não podemos estar juntos,
Eu quase nunca desejei o contrário.
Eu quase nunca sei o que dizer
(Principalmente quando se trata de você)
Tempo é insuficiente, você insistente e esse amor? Indecente!.
Tudo o que eu nunca procurei encontrei em ti.
Eu quase nunca morri
De amor por você.

Mariana Aydar - Palavras Não Falam

segunda-feira, 14 de maio de 2012

como chegar?

"Pela geografia, aprendi que há, no mundo, um lugar, onde um jovem como eu 

pode amar e ser feliz. Procurei passagem: 

avião, navio... Não havia linha praquele país."

Psicologia é...

no final você passa 5 anos estudando 1001 maneiras diferentes de dizer  

"isso passa"

domingo, 13 de maio de 2012

Intermitente

Eu sei que vai muito do ponto de vista, mas eu não consigo estabelecer uma linha de continuidade nas coisas da minha vida. Nem remexendo as gavetas da memória, nem esboçando planos pro futuro. É como se sempre que eu chegasse perto houvesse uma cisão. Uma cisão implacável. E isso eu coloco em vários campos da minha vida, com coisas e pessoas. Consigo lembrar de muitas pessoas que por vezes eu pensei serem parte de mim e que simplesmente secaram, como um rio que seca no verão, mas depois não volta no inverno porque alguma coisa mudou na estrutura no ambiente. Na mesma linha seguem a maioria das minhas ideias... Lembro de como eu via o mundo. Desse mundo não resta mais nem a sombra.
Desde que eu entrei na faculdade que a minha linha de raciocínio acerca do homem vem se estruturando exatamente nessa perspectiva de metamorfose em que se baseia o devir. Isso fica claro pra mim em tudo o que eu penso, observo, enfim, até no nome do blog. Aliás, em um paradoxo daqueles geniais eu penso em tatuar a palavra devir. Uma palavra que vai se eternizar no meu corpo significa exatamente a "aeternização", a mutabilidade, a inconstância.
Bem, eu comecei a escrever isso porque, apesar de compreender a lógica desse dinamismo todo a que estamos presos por sermos seres de linguagem, isso tudo tá me irritando. Provavelmente seja o contexto de recentes percas, mas eu simplesmente tô vendo tudo escorregar pelos espaços entre os meus dedos como um líquido qualquer que eu sinto, vejo, mas não tenho a estrutura impermeável pra represar. É legal ser rio, mas às vezes eu queria ser represa. Poder ver um ciclo inteiro da água, criar vínculo com o que quer que seja. Essa volatilidade toda tá me deixando vazia e, quanto mais eu procuro ao redor por coisas sólidas, mais eu vejo o vazio.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

domingo, 29 de abril de 2012

Perdido desde sempre...
É algo que precisou forjar uma existência a fim de concretizar-se na perca,
mas que na verdade nunca existira.


domingo, 22 de abril de 2012

achando falta em todo canto...


"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar.
Estou desorganizada porque perdi o que não precisava? Nesta minha nova covardia - a covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura, essa minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la -, na minha nova covardia, que é como acordar de manhã na casa de um estrangeiro, não sei se terei coragem de simplesmente ir. É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo. Até agora achar-me era já ter uma idéia de pessoa e nela me engastar: nessa pessoa organizada eu me encarnava, e nem mesmo sentia o grande esforço de construção que era viver. A idéia que eu fazia de pessoa vinha de minha terceira perna, daquela que me plantava no chão. Mas e agora? estarei mais livre?"

Lis-pector.

Porto...

Só ter que se preocupar em ser boa pra uma pessoa...

Ter uma pessoa que se preocupa em ser boa pra você.


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Loucos e Santos

Não diria que destes se constitui a totalidade dos meus amigos, mas esse seria um ideal digno para se perseguir. Porque você precisa estar rodeado de pessoas que te apoiem, claro, mas também de pessoas que te desafiem pra que, assim, você seja constantemente lembrado daquilo que é capaz.    

A prova da irracionalidade do inconsciente é que essa noite ele me deu um presente.
E essa noite eu tinha dois amores em um.
 Era um amor do passado projetado em um futuro
e selado com um beijo que eram de três bocas em duas.

In these dog days...

sábado, 14 de abril de 2012

sexta-feira, 13 de abril de 2012

sobre meninos e... e o quê mesmo?



Conheço muitos meninos e nenhum homem.
Pensei em dizer "conheço muitos meninos e poucos homens",
mas ao procurar um único referencial de homem,
só me veio o Mr. Clint Eastwood, em Gran Torino.
 Rodei, rodei e não encontrei homens, apenas meninos.
Em uma geração de crianças sem pai, vê-se muitos meninos, mas poucos homens.

segunda-feira, 9 de abril de 2012


"O amor é feito um feitiço
Que desata compromisso
E não obedece a gente
O amor é acidente
É nadar contra a corrente"

domingo, 8 de abril de 2012

Quando eu soltar a minha voz...




O cantor que exerce seu dom é alguém que da origem a outro ser dentro de si, a voz. Não falo de uma voz como todas as outras vozes, uma voz falada, dessa que os bebês penam pouco para começar a utilizar. Não falo dessa voz que é gasta por ai à toa em conversas sem sentido que sempre acabam por desaguar no sexo dos anjos. Não falo da voz dos vendedores ambulantes ou aquela mesma que os parlamentares usam para jogar injúrias no colo dos seus companheiros e para persuadir os eleitores que se sentem importantes uma vez a cada quatro anos. Não falo da voz usada com fins racionais.
A voz à qual me refiro é uma entidade que coabita o corpo de alguns dos homens. Eu falo de uma voz que geralmente se cala. Falo de uma voz que é emoção, que é válvula de escape, que é sublimação.
Muitos são os caminhos que o levaram a achar a sua voz, mas depois disso uma coisa é certa: você achou um outro que é poderoso e vive dentro de você. Um outro que talvez ainda não tenha forma, volume ou identidade e, assim, como na vida cotidiana, o auto conhecimento será o caminho para dar autonomia a esse novo que chegou. Uma voz tem que ter volume. Tem que se fazer ouvir, tem que se fazer provocar emoções. As emoções que você, dono dela (ou seria ela sua dona?), guarda, reprime, por inúmeros motivos e que uma hora, mais cedo ou mais tarde, terá que soltá-las. Voz é emoção. Voz é emoção em ondas sonoras.        
A sua voz tem que ter identidade. Nenhum ser humano tem o mesmo timbre que o outro. A voz é uma espécie de subjetividade, essa propriedade que faz de nós, homens, seres tão diferenciados. A identidade da sua voz será a sua personalidade impressa nela. Vai ser aquilo pelo qual você se fará ouvido. Pode ser um processo natural, sua voz pode já vir com algo muito peculiar que a diferencie, mas, caso não seja assim, será um trabalho de caminhada que você fará junto com ela. Você descobrirá o seu jeito único de cantar, de soltar a voz.
A sua voz será o seu consolo. O consolo no final dos dias. O consolo diante das intempéries da vida. O conforto diante dos seus fracassos. O conforto diante do amor que não te, o conforto diante da sociedade que te esmaga, o conforto diante de suas atividades mecânicas e forçadas, o conforto diante das pequenas humilhações diárias, o conforto diante da intransigência dos grandes quando se é pequeno, o conforto diante do esmagamento dos seus sonhos. Não importa o quanto te anulem, não podem tirar a sua voz.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Gnarls Barkley - Crazy

My heroes had the heart to lose their lives out on a limb
And all I remember is thinking "I want to be like them"
Ever since I was little, ever since I was little it looked like fun

And it's no coincidence I've come

And I can die when I'm done


Então é isso...

Quando tudo passa, nada mais se espera passar.
Aquela falta de expectativas, um copo que mesmo cheio pela metade ainda tem uma metade vazia.
Aquela vontade de falta de compromisso, ânsia de novidade, falta de perspectiva.
Aquela hora que sem querer você deixou de viver e agora só assiste à vida dos outros e à reprises da sua.
A hora de querer arriscar, de fazer planos irrealizáveis, mas você topa tudo o que aparecer.
Aquela hora de reavaliar as condutas com pessoas que você ainda gostaria de ter por perto.
Hora de correr atrás?
Hora de deixar pra trás?
Hora de pesar a verdadeira grandeza dos que lhe cercam...
Tentar lembrar o porque você gosta deles.
Hora de se colocar a prova.
Quanta dor você suporta?
Quanto você consegue fingir?
Você é realmente bom?
vazia.
Porque quando você finalmente se volta pra si é isso que encontra:
O vazio em torno do qual se esforça pra preencher e desse esforço vem tudo aquilo que é você.
Aquela hora em que seu coração pede um recanto selvagem...

"Digamos por letra este suporte material que o discurso concreto toma emprestado da linguagem..."

                                                                                 Lacan.



sábado, 31 de março de 2012

ensaios sobre meu narcisismo....

Raissa, a mulher que não amava os homens...
Não por serem homens, mas é que o seu narcisismo a levava muito mais na direção 
de ser amada que de amar.
Sobre os homens que a amavam, é fato que o narcisismo de outra pessoa 
exerce grande atração sobre aqueles que renunciaram a uma parte de seu próprio narcisismo 
e estão em busca do amor objetal.

Porque metade de mim...

"Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas 
como prece e nem repetidas com fervor... 
Apenas respeitadas como a única coisa que resta 
a um homem inundado de sentimentos.
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
(...)
Metade de mim é o que eu penso
Mas a outra é um vulcão."


"Não é o prédio que está caindo, são as nuvens que estão passando!"




*Citado por um grande amigo que não vejo a tempos, mas que quando aparece na minha vida é só pra lembrar o quanto eu o amo e o quanto ele é importante pra mim. E, em mais uma dessas de não entender a linguagem do universo, ele aparece e diz isso que traduz muito do meu momento atual.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Gal Costa - Ensaio - "Folhetim"




É dessas horas que a gente quer jogar os falsos moralismos de lado e ser de alguém sem sentir nada...
Ser dessas mulheres que só dizem sim!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Sobre gestalts que se fecham e tudo a seu tempo...



E é só aos poucos, em dose homeopáticas de acontecimentos, que você aprende as coisas da vida. Aprende que tudo tem o seu tempo e a sua razão. Muitas vezes são razões que vão além da nossa compreensão, mas em algum lugar do universo elas tem uma função e fazem um sentido. Aprende que não importa o quão cética você seja, a vida vai te pregar peças, apender que por mais que você procure entender a linguagem dos homens, nunca entenderá muito da linguagem do universo. Aprenderá que um olhar nunca será igual ao outro, pois por aqueles olhos já se passaram muitas outras coisas. Aprenderá que percas e finais muitas vezes são apenas condições para novos começos, e aquisições e que olhar pra trás às vezes implica em vínculos prejudiciais com o passado. Aprende que não existe a pessoa certa, apenas a suficiente. Aprende que você tem que se colocar em primeira pessoa do singular para que as outras pessoas e os outros modos se encaixem e façam sentido na sua vida. 

sábado, 24 de março de 2012

Final alternativo Final.



E as histórias na vida real tem uns desfechos que não se comparam aos dos grandes romances, mas pelo menos elas acabam. E o fim... Ah, o fim é sempre a deixa pra um novo começo. Parecia que eu sabia que tava perto.

No mercantil:

Eu: Ei, é você mesmo?
Ele: Oi...
silêncio estranho. De dois estranhos que já se envolveram a tal ponto que eu nem sabia que duas pessoas podiam se envolver daquele jeito.
Ele: E ai? Ainda tá fazendo psicologia?
Eu: Tô
Não era eu ali... Era alguma substituta que mandaram enquanto em tava em choque. Era como se as coisas acontecessem, mas eu estivesse apenas assistindo.
Ele tava com uma criança no carrinho. Que, aliás, foi a minha salvação. Era na criança que eu concentrava a atenção.
Eu: É o teu filho?
Ele: É sim, danado!
Eu: Coisa mais linda. Tão fofo.
E o menino gostou de mim. Agarrou o meu dedo e não queria mais soltar.
Ele: E aquela ali na frente é a minha mulher. E me juntei...
Eu olhei rápido, com medo de ela olhar pra trás e estranhar ver o marido conversando com uma estranha no super mercado.
Ele: E o teu pai? Ainda tá com negócios lá no interior?
Eu: Tá. Tá, mas a gente tá morando aqui agora.
Ele: E o teu irmão?
Eu: Tá ali, ó.
Ele: Tá enorme.
Nessa hora ele acenou pro meu irmão e cumprimentou ele de longe.
Eu: Pois é, tá um homem. Maior que o meu pai.
Mais um pouco daquele silêncio desconcertante...
Ele: e o teu número ainda é o mesmo?
Nesse momento abriu-se uma fenda no tempo. E eu finalmente cheguei a conversa. Cheguei apenas pra decidir que era hora dela acabar. Nós não éramos mais os mesmos. Ele era um pai de família, com filho e esposa e lista de compras. Eu agora sou uma jovem mulher, com todo um mundo pra conquistar, um universo de coisas a descobrir. Solteira, desimpedida, mas que tinha alguém no coração. Uma gestalt aberta... Um alguém que às vezes não me deixava ir em frente. Mas agora esse alguém se diluíra bem ali na minha frente. Não éramos mais aqueles dois que tinham sintonia, que se gostavam, se desejavam. Eu pensei em todas as vezes que eu pensei nele. Em todas as vezes que eu peguei o telefone pra ligar. Em todos os caras que eu imaginei que não chegassem aos pés dele. E agora ele tava ali, na minha frente. Mas ele não era ele. E eu não era eu.
Eu: Vô indo. Tudo de bom.
Olhei pro bebê: Tchau bebê!
Não olhei pra trás. Cada passo que eu dava era uma passo estranho, de alguém mais leve. Era uma sensação estranha, muito estranha. É como se só aos poucos eu caísse em mim... O que tinha acontecido. Como se aos pocuos eu me desse conta do fim. Fim

terça-feira, 20 de março de 2012

"Um pequeno oásis de fatalidade, num deserto de erros..."

Hobby.

Hobby - son.

If I lay here...


If I just lay here...
O chão é mais confortável.

Quem escreveria essa história, da garota deitada vendo o movimento alternado de sol e lua, 
o voo dos pássaros, o passar de cada segundo, todo o meu corpo tocando o chão, 
cabeça, linha do peito, costas, calcanhar.Com as pernas esticadas e 
os braço ao longo do corpo... 


segunda-feira, 19 de março de 2012

Da sutileza dos vínculos...



Eu não suportaria uma traição. Talvez por isso eu não suporte um compromisso.

Que dirá ela? Que dirá a terrível consciência. aquele espectro no meu caminho?

                                                                            Chamberlain - Pharronida






sexta-feira, 16 de março de 2012


Por mais que eu tente te esquecer... 
Basta fechar os olhos e tenho você.

quinta-feira, 15 de março de 2012

- E o que quer dizer cativar?

- É uma coisa meio fora de moda...
  Significa criar laços.

A quanto tempo você não se sente realmente cativado por alguém?


terça-feira, 13 de março de 2012

E quando seu pensamento vai além, você deve segui-lo ou deixá-lo ir?
E quando as circunstâncias te dizem mais do que você deveria saber?
De quem é essa informação? O fato de você tê-la a torna sua?
Quais os seus direitos sobre ela? Vale mesmo a pena induzir o raciocínio a
seguir a velocidade da percepção?

Sou cego, não nego, Enxergo quando... quiser!

sexta-feira, 9 de março de 2012

quinta-feira, 8 de março de 2012

isso não existe  isso não existe  isso não existe  isso não existe
isso não existe  isso não existe  isso não existe  isso não existe
isso não existe  isso não existe  isso não existe  isso não existe
esse nó existe esse nó existe esse nó existe esse esse nó existe.

terça-feira, 6 de março de 2012

sábado, 3 de março de 2012

Das Ding

"É como se você quisesse sair daqui e ir pra outro lugar, do outro lado da cidade. 
Você sabe pra onde quer ir, então tem que se decidir pelo melhor caminho para se chegar até lá."

Tempo de tomar a decisão mais importante da minha carreira, 
ver onde "a coisa" vai me levar.




‎"Forever I shall be a stranger to myself. 

In psychology as in logic, 

there are truths but no truth."

                                                                                                 (Albert Camus)




e entramos no âmbito das verdades...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Tudo é pequeno sem ter com quem dividir as coisas banais

Tenho todo esse mundo de minhas peculiaridades para abstrair sozinha sem conversas gratuitas.
São todos os pensamentos altos,
todas as sutilezas em série,
toda a guerra de paradoxos.
São livros, músicas, frases, textos daqueles que ninguém nunca achou interessante, mas eu achei depois da garimpagem.
(...)
Toda essa diversão não compartilhada parece egoísta.

Color my life with the chaos of trouble
Cause anything's better than posh isolation

domingo, 26 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

"Mudar 'foi assim' para 'eu quis assim' é o que chamo de redenção..."

É algo a ser almejado. Algo a ser analisado e pensado até que ponto há reais diferenças entre o 'foi assim' e o 'eu quis assim'. 
No final eu concordo com a teoria das "profecias auto realizadoras", acredito realmente que o pensamento pode manipular o resultado final das coisas, porque inconscientemente você fará por onde confirmar a sua crença. Não quero com isso dizer que tudo o que acontece é fruto de nosso pensamento a respeito de algo, mas muitas vezes por acreditarmos em algo este algo acaba se tornando real.
Contudo, acho que entendi bem o que Nietzsche quis dizer com isso. Acho que ele quis falar sobre assumirmos as rédeas de nossas vidas e fazermos valer a nossa vontade, assumirmos a responsabilidade daquilo que nos acontece não no sentido de sermos culpado, mas no sentido de sermos sujeitos ativos de termos ciência e consciência daquilo que nos acontece, de o que fazemos da nossa vida. Ele quis falar de auto conhecimento! 
Assim, não nos custa nada tirar as caraminholas que só nos amarram ao atraso e a dependência e afinal... "Porque correr para a porta de saída antes da hora de fechar?"

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Josué*

Josués são criaturas pequeninas e indefesas
que não nos olham nos olhos, 
pois não tem grandes certezas.
Josués são inseguros, 
não dão muito cabimento.
O que pouco sabem é que aqueles olhos baixos 
escondem muito sofrimento.




*Aluno do segundo ano do fundamental de uma escola pública municipal de Fortaleza.
Recebi a tarefa de aplicar uma avaliação individual com ele, com questões da língua portuguesa.
Com leitura limitada, nariz escorrendo e bracinho ferido, Josué não me olhava nos olhos. 
Mesmo estando só os dois na sala, eu e ele, ele permanecia com a cabeça baixa, até eu dizer: "Josué, Josué, olha pra mim". Ele olhava só por obediência, até que depois de umas três tentativas eu consegui prendê-lo nos olhos e esbocei algum tipo de relação humana igual com aquela criança.
Josué, pode ser que nunca mais nos encontremos. Talvez eu não tenha tocado o seu dia como você tocou o meu, mas obrigada por me lembrar de quanto podemos ser verdadeiro, coerentes, sem nos preocuparmos em não transparecer. Obrigada por me lembrar que o sofrimento é humano tanto quanto a alegria. E me desculpe. Me desculpe por ser só uma avaliadora, por ainda não ser alguém que vai te ajudar, que vai poder te fazer sorrir e que vai lutar pra que você consiga olhar todos os outros nos olhos.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Pai, dai-me discernimento para distinguir aquilo que sou 
daquilo que almejo ser.
E, de sobra, dai-me capacidade para transformar os dois na mesma coisa.
Amém.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Um pouco de realidade te faz 'desestigmatizar' o pensamento...



erro001
Crianças da escola pública não são pequenos marginais violentos e desobedientes.
São crianças educadas, carinhosas, muitas vezes com um potencial incrível.

erro002
Separar turmas por nível de desenvolvimento é um CRIME. É desumano. Impede a Zna de Desenvolvimento Proximal e sobrecarrega o educador.

erro003
O problema da escola púbica NÃO é apenas o professor. Por incrível que pareça, os professores em sua maioria fazem o melhor que podem, mas sem uma base familiar adequada muito desse trabalho é em vão.

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a família, por sua vez, tem EXTREMA importância no ensino, mas isso não é novidade, nem é peculiaridade do ensino público.

erro004
Criança na rede pública municipal não pode ser reprovada para não atrapalhar s índices de desenvolvimento da escola. Resultado, tem criança na 3ª série sem saber ler nem escrever.


erro005
Um assistente educacional ou um psicopedagogo não substituem um psicólogo dentro da escola.
Existem erros graves sendo cometidos n sistema educacional.
erro005.1
nada disso é novidade

domingo, 5 de fevereiro de 2012

É uma necessidade de não pertencer. Quando por fora, quero estar dentro, 
mas quando se desenha o momento da chegada, o exato instante da inclusão, 
sobe como uma ânsia de vômito incontrolável, eu apenas quer estar fora. 
São coisas, pessoas, lugares, meios, ambientes.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Prelúdio Nº 2 (Paz do Meu Amor)

Os que vieram antes de nós faziam do amor um sentimento mais bonito
Momento nostalgia:
viajando de carro com o dad, "bulinando" nos CD's, até que acho um verdinho com um nome estranho, tipo: TAIGUARA!
Era o CD da calma.
Um dos grande nome marginalizados da nossa música brasileira.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Eu quase te odeio por vários instantes.
Eu quase te amo por diversos deles.
Eu quase me escondo da tua esperteza.
Eu quase me presto às tuas grandezas.


Tudo o que eu sinto por você surgiu com o único propósito de ser impossível.
Não me mostre possibilidade, pois eu não as quero ter!


"Teus pelos, teu gosto, teu rosto, tudo
Que não me deixa em paz...
lá lá lá lá lá...
lá....
lá."

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O medo é como o fogo,
se você dominá-lo ele te aquece e cozinha a sua comida,
mas se ele te domina, pode te queimar, te destruir.  

sábado, 28 de janeiro de 2012

amor de rima pobre

Como uma grande roda que gira,
estamos todos nos a olhar
 dentro ou fora, não importa a perspectiva,
 ponho-me sempre a te procurar.
Não importa o que eu faça,
onde eu esteja traduzo todas as notas pra te (en)cantar.
Somos a seta e o alvo, confete e serpentina,
sigo sempre o seu rastro na esperança de um dia nos encontrar.
Porque quando é sobre pessoas nunca se sabe a verdade.
A imagem que queremos passar, a imagem que passamos, aquilo que percebemos.
No final, é como um par óculos, se está meio embaçado, com o tempo você se acostuma e ai tanto faz um sujo a menos ou um a mais. Contudo, quando você finalmente se dar ao trabalho de limpá-los, o menor sujinho já é motivo para desconforto.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Porque as pessoas não prestam atenção no que elas falam? Sério, qual o problema? É um conjunto. As pessoas precisam umas das outras, e não me venham com essa história de que ninguém tá se importando, as pessoas se importam sim. Tem gente que não se importa, mas tem gente que, ao seu modo, tá tentando fazer um mundo melhor. Um mundo melhor não é feito por ações grandiosas, mesmo porque essas em sua maioria são cênicas e desnecessárias, a gente melhora o entorno, meu amigo. São os pequenos gestos. É a boa vontade, é o altruísmo, a mudança de atitude. É um bom dia, é um capricho, é algo bom inusitado, é não deixar adormecer a capacidade incrivelmente fortalecedora de se surpreender. É cérebro, nós nos acostumamos com os padrões. É comportamento, tendemos a diminuir condutas que são punidas ou mesmo que não são reforçadas. Então, por mais que pareça pouco, valorize aqueles atos que alegram mesmo que um pouco a sua vida, que facilitem, mesmo que um pouco o seu dia.

sábado, 21 de janeiro de 2012



Cantar é o que eu sou. 
Cantar é o que eu faço de bom...
 Até eles entrarem em cena.
A voz treme, esqueço a letra, perco o tom.
"Fica tão cicatrizado que ninguém diz que é colado".




Quando eu era mais nova, o que mais me chamava atenção no espelho era o meu olhar. Eu tinha um olhar tão perdido, era um olhar alheio, estrangeiro, era um olhar meio foraclusão, nem por dentro, nem de fora. Um belo dia eu decidi que aquele não era o olhar que eu queria pra mim.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

"Você disse que a melhor coisa em se apaixonar é que você aprende tudo sobre a pessoa amada,
e aprende rápido. E se for amor verdadeiro você se enxerga através dos olhos dela revelando o melhor de você, então, é quase como se você se apaixonasse por si mesmo."