quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Josué*

Josués são criaturas pequeninas e indefesas
que não nos olham nos olhos, 
pois não tem grandes certezas.
Josués são inseguros, 
não dão muito cabimento.
O que pouco sabem é que aqueles olhos baixos 
escondem muito sofrimento.




*Aluno do segundo ano do fundamental de uma escola pública municipal de Fortaleza.
Recebi a tarefa de aplicar uma avaliação individual com ele, com questões da língua portuguesa.
Com leitura limitada, nariz escorrendo e bracinho ferido, Josué não me olhava nos olhos. 
Mesmo estando só os dois na sala, eu e ele, ele permanecia com a cabeça baixa, até eu dizer: "Josué, Josué, olha pra mim". Ele olhava só por obediência, até que depois de umas três tentativas eu consegui prendê-lo nos olhos e esbocei algum tipo de relação humana igual com aquela criança.
Josué, pode ser que nunca mais nos encontremos. Talvez eu não tenha tocado o seu dia como você tocou o meu, mas obrigada por me lembrar de quanto podemos ser verdadeiro, coerentes, sem nos preocuparmos em não transparecer. Obrigada por me lembrar que o sofrimento é humano tanto quanto a alegria. E me desculpe. Me desculpe por ser só uma avaliadora, por ainda não ser alguém que vai te ajudar, que vai poder te fazer sorrir e que vai lutar pra que você consiga olhar todos os outros nos olhos.

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