Uma vez me perguntaram se o perdão existe. Guarde isto.
Outra vez eu ouvi "Olhos nos olhos" do Chico e me perguntei se aquele eu lírico havia superado o amor que o abandonara.
Ai uma vez eu amei, e tive matéria prima de sobra pra fomentar meus pensamentos...
Quando questionada sobre perdão, eu disse não acreditar nele. Eu disse que o perdão só servia pra quem quer ser perdoado, que no lado de quem foi a parte "lesionada" da história, só podia haver a superação. Então as coisas ficariam "bem" quando quem tivesse de perdoar superasse. A não ser que seja um desses seres humanos evoluídos (que eu não sou) e perdoe mesmo sem ter superado, em cima de argumento como "todo mundo erra", "amores serão sempre amáveis" ou quaisquer outros.
Ai me veio a oportunidade de saber que eu sou.
Na verdade eu sai da tal oportunidade ainda mais confusa que antes.
Porque? A pior cisa que alguém que vacila com você pode fazer é te levar a pensar racionalmente.
Eu não acho que "esfriar a cabeça" seja uma boa estratégia, porque junto da cabeça esfria o coração, e era só o calor dele que podia te salvar.
"Quando você me deixou meu bem, disse pra ser feliz, encontrar alguém... Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci, mas depois, como era de costume, obedeci..."
Não, não era dessa cabeça fria que eu estava falando.
Eis aqui a grande entrelaçada da história: Quantas vezes nós seguimos em frente, e quantas vezes nós vamos para frente? Quantos amores não nasceram em cima da mágoa de um falso perdão? Quantos novos sujeitos não pagaram a conta de um referencial ?
Será que nosso coração é que nem uma caixa de retalhos que vai acumulando restos de amores até virar uma colcha onde poderemos finalmente descansar, ou cada amor deita sob uma nova estampa?
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
O que eu vou fazer com a tal sinceridade?
Se digo, me complico
Se não digo, me
implico
Se eu guardo, me corrói
Se despejo, te destrói
O que o mundo já não
sabe
é que não cabe a
tal sinceridade
E que é cada vez mais (in)decente
O silencio dos
inocentes.
domingo, 12 de janeiro de 2014
"De dentro de mim não saio nem para pescar..."
De dentro de mim não saio nem para pescar, não por ser seguro, pelo contrário. Dentro de mim pode ser o lugar mais perigoso do mundo inteiro. Eu cheguei a pensar que ficar aqui dentro fosse covardia, logo eu que odeio todo tipo dela, e não fazia sentido. Eu tentei sair, tentei desconhecer a interdisciplinaridade dos meus pensamentos, ignorá-los, mas pensamentos são mosca numa tarde quente do sertão. Estão lá, não te deixam, incomodam, perturbam, (in)quietam. Então eu tive que pensar sobre isso. E pensei, esta mosca me venceu.
Dentro de mim aparece as vezes um ser humano estranho, um outro de mim, aparece um outro pela manhã, aparece um outro outro pela tarde, mas eu sempre volto ao controle durante a noite. A noite sou eu. Eu sou de noite. Há partes de mim ao amanhecer, um eu mais distraído, a beira de sair de mim... A tarde quem está aqui é uma versão mais cansada de quem começou o dia, mas esperançosa por saber que a noite chega. E com a noite eu chego também. Não que não goste de sol, mas a fotografia da noite é mais melancólica, e assim sou eu. De dia eu sorrio, muitas vezes, até sozinha. Não que eu não gostasse de ter com quem dividir a dádiva do sorriso, mas o meu sorriso é tão bonito. É um egoísmo meio narcísico, reconheço, mas como algo perto do melhor de mim, preservo. Preservo meu melhor sorriso para as melhores pessoas. As pessoas que me empolgam, que me cuidam, e que me falam. Ah como gosto das pessoas que me falam. Fui agraciada com o dom da escuta, mas condenada pela maldição da audição. Às vezes acho que as pessoas muito falam e pouco dizem, e sou sedenta de dizeres. Se o dizer fosse meu alimento, eu estaria prestes a morrer de inanição, porque são tantas meio-ditos, mal-ditos, des-ditos, onde estão os dizeres? Onde foi parar a beleza e a poesia das palavras?
E foi pensando nisso, depois de ser atormentada pela mosca, que cheguei a conclusão sobre o meu estar dentro. Não é covardia, é coragem. É coragem porque cada palavra que sai da minha boca pela colocação peculiar da língua entre os dentes, coroada com a vibração de minhas cordas vocais ocasionada pela passagem do ar, cada uma delas é investida de mim.
"Mim", meu poder mais valioso. O "mim" de dentro sempre prevalece sobre o "mim" de fora. "Mim conjuga verbo, constrói oração, mim sou eu! E pra "mim" ser eu, "mim" tem de saber o que se é. E isso é o impossível interminável. O "mim" ser eu, cada vez mais familiarizado do outro é o que poderia se chamar de horizonte. A cada cinco passos que dou eu sua direção, ele se afasta de mim dez. E não é difícil entender que há ma grande possibilidade de eu nunca alcançá-lo, mas meu movimento está no continuar tentando...
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Sobre Matrix, mal-estar, horizontes e pílulas...
Bem, quem me conhece melhor sabe da minha teoria sobre a Matrix. Quem me conhece um pouco sabe que eu faço psicologia, mas que eu gosto mesmo é de psicanálise. Quem me tem com "amigo" no facebook sabe que eu não sou lá a pessoa mais feliz do mundo, quem me conhece um pouco melhor sabe que eu não tô muito preocupada com isso. Quem sabe um pouco de psicanálise, ou qualquer coisa de Freud, pode vir a conhecer o que chamou-se de sublimação. Quem sabe superficialmente sobre isso entende que uma energia que seria sexual consegue ser "refinada" para algo mais "socialmente" aceito, em sua forma mais estética, em arte. Desse embrolho puxamos o fio e vemos que sofrimento também pode ser transformado em arte, esse sentimento pode ser aproveitado e (grifo meu) é dele que nascem as obras mais bonitas e as obras mais bonitas correm risco de entrarem em extinção, porque sofrimento é tapado com cimento fresco, e agente só fica cm cheiro do ralo. O que isso tem a ver com Matrix? Bem, nada, e ao mesmo tempo tudo. Na época de Freud não existia ainda a semente de toda essa tecnologia de hoje, então ele não tinha a matéria prima pra trabalhar em cima, mas em " mal-estar na civilização" (livro que, para mim, deveria ser a bíblia do mundo moderno), ele já diz de várias formas o que encontramos no que eu gosto de chamar de fábula da modernidade (a matrix). Freud fala, dentre outras coisas, sobre como e porque o homem busca a felicidade, e por quais motivos ele não a alcança. Enfim, o livro é muito bom, todos deviam lê-lo. É claro que se todos entenderem muita gente que hoje se dá bem vai passar a se dar mal, mas enfim... Não sou eu quem vai resolver essa questão. De alguma forma na minha cabeça matrix e mal-estar na civilização estão bem interligadas, numa espécie de retroalimentação.Bem, acho que posso começar a conexão pela pílula vermelha. No primeiro filme de matrix o Morpheu oferece a Neo a opção de escolher entre a pílula azul e a pílula vermelha. A pílula azul faria com que ele esquecesse sobre seu breve contato com a matrix e continuasse vivendo sua vida de ilusão e projeção, enquanto a pílula vermelha lhe faria ver a VERDADE. Prestem bem atenção, a VERDADE, ele não oferece liberdade, nem felicidade, ele oferece verdade. Acho que hoje, desde que nascemos, somos entupidos de pílulas azuis, de forma que criam-se mecanismos por trás de mecanismos para que nós, humanos, ridículo, limitados, que só usamos dez por cento de nossa cabeça animal, continuemos cegos e indiferentes ao mundo que nos cerca. Um mundo onde socialmente os valores estão absurdamente invertidos, onde você vale o que tem, onde uma criança na favela morre de bala perdida a cada vez que algum figurão pronuncia os dizeres: "Você sabe com quem está falando?", e o pobre do subordinado que ouve o dito se desespera com a possibilidade de que aquilo lhe faça perder algo. É um mundo onde as mulheres queimaram os sutiãs. Como assim? A mulher teve de perder essência pra ganhar poder? Feminismo, machismo, populismo, diaboaquatrismo... As pessoas não conseguem enxergar os fatos, os direitos tem que ser conquistados todos novamente a cada vez que precisamos deles. É tanta coisa torta, que acho que não existe mais uma perspectiva de horizonte, nada é reto, e para esse homem onipotente nada é impossível. É o homem ilimitado, que estende sua perspectiva de vida, trocando qualidade por quantidade, que cria o avião e depois o bate-papo pela internet. Sem o avião, quem deveria estar perto não estaria longe. É sempre assim, criam-se necessidades, e as soluções estão cada vez mais obsoletas. E o humano no meio disso tudo? As relações humanas tornaram-se um campo minado. Percepção e altivez são OS adjetivos que mais se mostram úteis em qualquer tipo de relacionamento. Você não pode ser sincero, pois ser sincero é produzir provas contra si mesmo, e no direito se diz que isso não deve ser feito. Você não pode demonstrar seus sentimentos, apenas pequenas doses homeopáticas a fim de que se cause dependência, é isso, a pessoa que se ama tem de ser dependente porque você a quer para si. O amor é risco, a entrega é risco, a verdade é risco e todos temos de usar neurônios para aprendermos as regras de um jogo que mata toda e qualquer espontaneidade, naturalidade, pureza. Nada mais é puro. A pílula vermelha, lembra? Ah, mas como você poderia lembrar se te enfiaram goela abaixo a azul, né?
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
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