domingo, 24 de novembro de 2013

Exatamente no mesmo lugar...

Quantas vezes já não tive a ilusão de que algo que se repete ia se repetir de uma maneira diferente? De que um filme repetido pode ter um final diferente, um final não tão escroto pra mim? É muito engraçada a lembrança de sensações. Acho que lembrança de sensações são mais impactantes que as lembranças dos próprios momentos, dizem mais deles que eles mesmo. A lembrança da sensação te dá mais propriedade, é quase mais tátil que a lembrança da imagem, por exemplo. Com certeza o fio da memória é mais forte com um "o que eu senti" do que com um "o que eu vi". A imagem é muito volátil, a lembrança é mais forte, mais concreta. E eis-me aqui, agora, diante desta tela estive várias vezes, escrevendo sobre angústias diversas, mas sempre com uma sensação em comum, a de que o meu final seria escroto. Há pouco estive neste mesmo lugar e tive a breve ilusão de que, talvez, eu poderia ser protagonista de um final diferente, que dessa vez eu tinha conquistado o público do "você decide", mas errei a programação, era só mais um "vale a pena ver de novo"?

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Você não me conhece (frase no imperativo).

Você não me conhece, certo? Dica especial para o público masculino: nunca se conhece uma mulher por inteiro. Isso é o fato. O conselho vem agora: nunca diga a uma mulher que você a conhece. Nunca diga que você entende seu funcionamento, ou que sabia que ela faria isso ou aquilo outro. Mulheres não se deixam conhecer. Apenas um personagem mítico, sendo homem e tendo sido condenado a passar um tempo como mulher, soube do segredo das mulheres, e por tê-lo revelado, fora severamente castigado com a perca da visão. A mulher é aquela que porta o segredo do desejo feminino. Sim, é por isso que nós não nos damos muito bem umas com as outras, pois sempre acreditamos que outra mulher porta um segredo da qual nós fomos privadas. A verdade é que aquela outra mulher também acredita que outra porta o mesmo segredo e assim por diante, seguimos sem a chave para o enigma de nosso desejo. Sim, os homens são uma classe bem mais unida que as mulheres, mas se há algo em que o grito feminino é uníssono é: Homens, vocês não sabem de nós. E nós mesmas não sabermos da nossa verdade já é duro, mas aos poucos uma mulher vai entendendo que essa é a fonte de sua magia, e que ter algo de "não-dito" pode ser bom, pode nos fazer mais íntimas de todos os outros não-ditos do mundo. Mas é muita injustiça nós termos de nos haver com isso e um cara, que com certeza não sabe do que tá falando, achar que sabe mais de nós que nós mesmas...

P.S.: isso não vale se você for o Chico Buarque ou escreva coisas tão coerentes sobre as mulheres quanto ele.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Pra dizer que eu não sei dizer onde é que isso vai dar...

Não mando mais no querer, é ele que tem me dado o tom dos dias, das cores, das músicas pra ouvir no banho ou antes de dormir. Totalmente submissa ao desejo, como não me lembro de ter estado. E é um querer grande, estranho, megalomaníaco, e ridiculamente infantil.
É da ordem da toxicomania, uns dias sem ele e vem uma agonia meio louca, uma angústia, uma coisa (substantivo) que coisa (verbo) dentro de mim. Não sei o que fazer com ela, não sei como fazer com ele, mas quando ele vem ela muda. Passa de coisa ruim pra coisa boa. Ai passa um tempinho e ela já muda de novo. Não é mais coisa ruim, nem coisa boa, é coisa doida. É coisa irracional, fantasística, que quer coisas outras que a gente sabe que não são possíveis, mas como infantil que é, de nada adianta saber, a cabeça não reina em terra de coração.


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A que nos apegamos?


Uma vez, resinificando umas coisas na minha vida, eu cheguei a conclusão de que paz era a única possibilidade de felicidade. Pensava: os meus melhores momentos são quando eu estou em paz, comigo e quando o mundo me deixa um pouco em paz. Mas nessa conta eu não inclui o amor. Ele foi incluído fora dela. E agora eu penso, o amor traz coisas boas, mas é inegável que ele tira a paz. Amor é movimento, é dinâmica, é invasão de um outro na sua vida, um outro que te faz readequar muitas coisas: crenças, valores, sentimentos, julgamentos, lugares, pessoas... Você com outra pessoa é outra pessoa. E não adianta vir com o argumento de autenticidade, identidade e esses troços todos: o amor te muda, e cada amor muda de uma forma diferente. Não se passa duas vezes pelo mesmo rio, não caem duas vezes as mesmas flores na primavera, não se ama da mesma forma duas pessoas. Você sairá uma pessoa diferente do amor anterior e será alguém diferente com a posterior. E a felicidade? Ah, foda-se a felicidade! A impressão que eu tenho é que só máquinas são felizes, porque são munidas de programas e mais programas que dão conta uns dos outros. Nosso hardware quebra se nosso software pira! Não dá pra entrar com um programa e reparar as ideias, o corpo dói, a carne cede, as lágrimas caem e o sorriso se abre! É, sim, o amor tem muita coisa ruim sim! E, desculpa a sinceridade, os covardes não amam. Ou pelo menos vão amar muito pouco e por um golpe de sorte. Porque o amor vai trazer dor, vai trazer trauma, e é sempre a isso que nós nos apegamos. Inevitavelmente, é sempre a dor que vai pesar, é sempre a decepção que vai contar a história, poucos, muito poucos, são os que conseguem superar os erros em nome da lembrança dos acertos.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Sobre como não achar uma sequência de erros, pílula azul e pescaria.

A vida é uma sequência de encontros com o inédito. Ninguém nunca passa duas vezes pelo mesmo rio: tanto porque devido ao ciclo da água aquele reservatório é constantemente renovado, tanto porque você tem seus próprios ciclos e está constantemente renovado. Por favor, não sejamos românticos a ponto de considerar 'renovado' algo que só pode vir com uma conotação positiva. Renovado vem de novo, novo é desconhecido, desconhecido pode ser bom ou ruim, se isso fosse matemática, muito provavelmente eu conseguiria convencê-los de que é mais seguro e confortável ficar com o velho e seguro, mas ainda insisto em ter fé de que "a magia acontece fora da zona de conforto". Hoje eu realmente não sei sobre o que eu quero falar, mas hoje é um daqueles dias que a falta se manifestou de forma negativa. Porque "se manifestou". Se manifestou porque eu mereço os créditos de vir aprendendo a fazer coisas boas, eu diria muito boas, com a minha falta. Mas, se fosse de outro jeito não seria falta, seria algo com ma conotação mais positiva, né? Falta vai ter que te jogar coisas duras no colo, e você, menino ou homem, terá de lidar com ela. Uma das minhas últimas lições de falta diz respeito à falta de respostas. E de ter tantas e tantas perguntas, um pouco mais de alteridade me fez perceber que: ninguém tem as respostas. O que faz de você melhor ou pior é o que você faz com o quê? Com a falta de respostas! Você pode sentar e cruzar os braços, pode procurar as respostas em outro lugar, ou, ainda, minha opção preferida (o que não quer dizer que seja a mais praticada) você pode criar as suas pro´prias resposta e ir se desvinculando aos poucos dessa forma de saber a qual nós estamos habituados: temos respostas, mas não temos verdades. O que você prefere, respostas ou verdades? Se eu fosse Morpheu, você escolheria a pílula azul ou a vermelha? Eu às vezes acho que nunca escolheria a pílula azul. Não faço o tipo "estou bem em meu mundo colorido". Sou muito mais do tipo que cava pra encontrar ossadas, um terreno verde é sempre uma escavada em potencial, e não um lugar pra estender a toalha e fazer pic-nic. Há quem eu tenha perdido no meio do caminho por isso, há quem eu tenha ganhado por isso também. Há coisas belas e sujas, ao nosso redor, todas ao nosso redor, e a vida... A vida é uma "boa"
pescaria.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Menos com menos dá mais (na vida real)?

Na matemática sim, tem essa lógica inapreensível por mim, aliás como toda a matemática, e isso me confundia muito, perdia questões inteiras por esquecer de trocar o maldito sinal. Todo o esforço de alguém que podia ter desistido antes mesmo de começar, alguém que enfrentou as probabilidades pra estar ali e isso não fora considerado. Por essas e algumas outras eu desisti de estudar matemática no segundo ano do ensino médio. Me recusava a perder tempo com algo que sabia que não ter capacidade para levar adiante. Agora... Porque eu não estendo essa decisão para alguns outros milhares de campos na minha vida? Talvez nem precisasse da matemática toda, mas apenas do jogo dos sinais. “volta, volta que tu vai ter que inverter um monte de sinais nessa relação, vai se desgastar pra caramba e no final não vai dar certo”. Você é um grande sinal de menos (-) que insiste em se apaixonar por alguém tão negativo quanto você. Agora me diz, se você desistiu de matemática há tanto tempo, como acha que isso pode dar certo? Filosoficamente falando não faz sentido, não tem como estabelecer o equilíbrio. “A cabeça cheia de problemas(...) eu gosto mesmo assim...”. Eu acho que quero alguém que possa minimamente me dar respostas e insisto em me encantar por pessoas que tem tantas dúvidas quanto eu. Só as interrogações e as reticências me são charmosas. Pontos finais e exclamações são agressivos, duros, inflexíveis. Por isso gosto do português, porque ele tem a maleabilidade do significante, uma coisa, dentro da mesma estrutura, pode ser várias coisas diferentes, dependendo do contexto, e isso é encantador. É encantador... Talvez, no fim eu não queira respostas, queira só alguém pra compartilhar as dúvidas, pra deslizar nas curvas das interrogações do texto da vida...