Sobre o amor, signo do impossível.
Signo diz de representação, e o amor,
enquanto tal, surge para dar conta de um imaginário humano.
Acho que o amor, dentro dos moldes românticos,
só cabe enquanto possibilidade aos seres de linguagem, pois o amor às vezes vem
na falha dela, e por ela se esvai.
Como diria Paulinho Moska, “poderia simplesmente
não se chamar, para não significar nada e dar sentido a tudo”. E é assim, a
melhor forma de manter um amor é não invoca-lo, pois amor é palavra pesada.
Embaixo de cada pedra, de cada
monumento, já houve um suspiro de amor. Reis e rainhas, heróis e heroínas,
esses também já amaram. Já ouvi de mais de uma pessoa sobre a teoria de que “a
gente nunca casa com o grande amor da nossa vida”. Não sei por que nunca
respondi: e é isso que faz dele o grande amor de uma vida... seu fracasso, sua
impossibilidade.
O amor tem essa face estética que a
cultura nos impele a não abrir mão. Tem de ter algo de grandioso, fantástico,
um abismo. Uma estética torta, disforme e incompleta, como aquilo que na
natureza é belo pela falha. E não pense que a gente inventa o amor. Ele nos é
transmitido no sangue das palavras, na tradição oral, quase como o hábito
humano mais essencial, aquele que perpassa toda a linha da espécie.
Não pensem vocês que eu não acredito
no amor, o que eu não acredito é em deus, e o único amor possível seria esse.
Aquele devotado e investido em uma figura completa, onipresente e onipotente.
Mas o que somos nós? Nós, os que estamos dentro do espaço amostral do amor
humano? Somos o que fica do “apesar de”...
O “amor” possível é o que fica depois
do “apesar de”. Pegue seu eleito, do passado ou do presente, faça uma lista e,
ao final, não terá nem de perto aquilo do que nos falava Shakespeare ou
Vinícius...
Existem os menos avassaladores,
desinvestidos de todo e qualquer drama, aquele do cobertor no fim do dia, mas
voltando a essência da coisa... se o amor é tentativa, o que vem do sucesso é
amor?
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