quarta-feira, 30 de abril de 2014

Condenação

A ti minha juventude, meu frescor, minha inexperiência. 
A ti meus sonhos de amor e loucura. 
A ti minha entrega, tudo que fui esteve em tuas mãos. 
Estive eu, nua, no calor do teu corpo. 
Lá estavas tu entre o suor das minhas pernas. 
A mim a tua sede, tua gana o teu ódio. 
Me deste o que podia dar. 
Te dei o que não podias (nem poderá) receber. 
À tua embarcação mil piratas invadiram e invadirão
Às tuas oiças já imunes ao canto de mil sereis, os bons sons não chegarão.
Nosso cambio foi de fluidos tão fluidos quanto o sentimento que tu pode suportar... 
És líquido, volátil, escorregadio, tua embarcação não possui âncora, 
arquitetura tão condizente com a leveza do teu ser. 
Eu sou o próprio porto, recebo as embarcações que por aqui quiserem ancorar, 
mas entre eu e você a interseção sublimou e sumiu no ar.
Depois de ti, aos que vierem, portas abertas.
Se tu voltares, com efeito de vingança do meu frágil coração,
condenada à prisão do primeiro amor, poros abertos.

Um comentário:

  1. Verdadeiro, tem carne e cheiro de real. Eu senti cada palavra e me identifiquei em metade delas no doer de entregar e perder por aqueles q nunca receberam. Bjs em tu

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