Hoje fui tomada por um exército de sentimentos. Uso exército porque dentro de mim provocaram uma verdadeira batalha. Nessas, sempre há um vencedor? Nas batalhas há baixas em ambos os lados, não vejo como possa haver vitória nelas. Em mim, baixas dos dois lados e no meio, no meio da minha divisão, no meio da minha dúvida, e da certeza de que ser é se perder um pouco a cada dia. E eu, menina dos jazz e blues me vi entregue à melancolia não-mais-punk do cara da capital federal. Eu quis ser ar-tista, quis poder cantar em notas os meus sentimentos, o meu afastamento do que quer que seja que eu venha me afastando. Hoje eu quis pegar o violão e achar as palavras certas, quis fazer do sentir música pra que eu nunca mais esquecesse, quis construir uma memória sonora e harmônica. Lapidar a harmonia do desequilíbrio. Quis falar do tempo perdido, da razão das coisas feitas pelo coração quase sem querer. Quem me dera ao menos uma vez ser a menina de "Ainda é cedo", ser alguém a ser lembrada, mesmo depois de um grande desencontro, quis que uma música pudesse concertar o (des)entendimento.
Hoje era dia de análise, mas pelas contingências de uma capital caótica o encontro não se deu. E eu não tinha levado isso em consideração até pouco tempo. Hoje eu era minha própria repetição. Repetindo, repetindo, olhando no olho da maldita, "malfeita", "malvinda". O que é a vida, se não re-pe-ti-ção. E, pior que isso, o que é a vida se não uma sequência assustadora de deja-vùs, falhas na matrix de cada um de nós. Sim, porque cada um de nós precisou de uma pra seguir em frente. Acho que meu inconsciente foi condicionado a um relógio analítico, e o amor que emerge todo dia, na mesma hora e no mesmo lugar, hoje também veio, chegou atrasado e de uma fonte diferente. Hoje a fenda apareceu em slow motion, hoje veio em grãos, hoje eu fui rio. Rio de lágrimas, rio com correnteza, rio que deságua no precipício, e rio que tem duas margens, sempre impedidas de serem uma, sob pena de não ser mais rio e virar (a)mar. Hoje, por efeito retardado, o meu dia foi do amor, amor de transferência, mesmo sem a presença, amor do (im)possível, amor do (in)compreendido, amor do (ir)real... Amor da (diz)tância.

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