Se há dois meses atrás alguém me dissesse algo do tipo "mas pelo menos você viveu", eu fuzilaria com o olhar. Porque ninguém sabe da dor do outro. Nem mesmo o outro sabe a real dimensão da dor que sente. Ele perde toda e qualquer noção quando esta passa a ser física. É uma dor no peito que se espalha até as pernas, e te impede de dar o próximo passo.
Quando eu percebi que tudo acabara da primeira vez não doeu tanto, talvez porque era só o começo do fim. O fim, como tudo na vida, tem começo, meio e, depois do meio acaba, então temos o fim. O começo é a "estreia" da ideia: o mundo pode acabar. O meio é toda a tragédia do mundo acabando, e o fim é o mundo novo.
Há uma sutil intercessão entre o fim do fim e o começo do começo que só é perceptível a quem se entregou desde o começo do fim. Só para estes ela faz sentido, porque é quando você consegue decantar os sentimentos ruins em relação ao que foi vivido (isso inclui todos os lamentos), e finalmente tem água limpa novamente. Água adicionada de sais, sais do suor das noites quentes, das lágrimas que foram derramadas, sais vitais que agora você poderá usar na nutrição do próximo amor.
Do antigo amor você leva tudo o que aprendeu, mas com a ressalva de que o próximo é com outra pessoa. No final, nós somos boa parte feitos de todas as pessoas que passam por nós.
E, sim, hoje eu trago lembranças e um suspiro que diz calado:
"continuar vivendo... aliviado, o próximo amor vai ser mais fácil".

O negocio é sobreviver até o fim fim, até lá vão pedaços, vidas, tudo e um pouco mais. Mas um dia acaba tudo acaba até a dor. Bom te ver assim saindo do fim e começando o acaso. :-)
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