Uma vez alguém me deixou alegando ser um precipício. Eu respondi que é diante deles que descobrimos se a vida vale a pena ou não. Depois de um tempo eu consegui entender e aceitar a iniciativa. Até, de certa forma, concordar. Nós dois éramos uma escuridão, e com apego a ela. Odeio admitir, mas uma relação precisa de uma quantidade mínima de luz e equilíbrio. Juntos sentaríamos à beira daquele abismo e talvez não pulássemos porque tínhamos um ao outro, mas nunca mais sairíamos de lá. Há um certo gozo em desafiar a vida, e em se desafiar. Ali ficaríamos o resto dos dias desafiando um ao outro, em uma luta desigual, que eu provavelmente perderia, pelas desvantagens óbvias que tinha.
A vida muda a cada novo impacto, e a função dela é produzir impactos. Os impactos são subjetivos, bem verdade. Pode ser um acidente de carro, pode ser uma frase (dita ou calada).
Uma segunda pessoa me deixou sem me deixar e ai, enfim, pude conhecer a dádiva do abandono.
O abandono é libertador, e precisa-se de muita dádiva para concebê-lo.
O abandono é altruísta, porque aqueles que não conseguem, ou não concebem, abandonar mantém um laço que pode vir a sufocar.
O não-abandono é uma forma de escravidão.
O abandono é libertador, e precisa-se de muita dádiva para concebê-lo.
O abandono é altruísta, porque aqueles que não conseguem, ou não concebem, abandonar mantém um laço que pode vir a sufocar.
O não-abandono é uma forma de escravidão.
Diante dos dois, admito o erro de julgamento.De que precisa-se amar muito pouco para continuar, e amar muito para deixar ir.

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