sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Deus dará...
"Eu prefiro viver com a incerteza de poder ter dado certo, que com a certeza de ter acabado em dor."
Que onda de convardia é essa que cobre os corações apaixonados?
É fato, quando nos apaixonamos criamos um ovo, tão delicado quanto esta casca que protege o vitelo e a nova vida que dele se alimenta. Sempre optamos pelo preservar em vez do arriscar.
Nosso homens são assim, são esse ovo que carregamos em nossas bolsas como um marsupial. Até mesmo quando a casca se parte e dela sai um vida completamente nova, ainda a carregamos conosco, sem deixá-la partir para se aventurar, uma vez que nós, mulheres apaixonadas, somos essa fêmea protetora que não quer arriscar perde esse que fora cutivado e conquistado a custa de tanto choro contido, tanta cabeça baixa e tantas privações.
O ruim é que nem todas possuem o "sensor de quebra" que apitada deseperadamente no limiar entre a incerteza do amor e a certeza da dor.
Hoje fazem 15 anos que Caio Fernado atracou em seu porto.
Para vocês, alguns trechos deliciosos e dolorosos que chegam a assustar de tão verdadeiros:
"Tinha esquecido o perigo que é colocar o seu coração nas mãos do outro e dizer: toma, faz o que quiser."
"Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo, e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros." (essa daria uma boa tatuagem)
"Só quero ir indo junto com as coisas (...) até um lugar que não sei onde fica, e que você até pode chamar de morte, mas eu chamo de porto" (DEVIR)
"Para mim é horrível eu aceitar o fato de que eu tô em disponibilidade afetiva."
E essa, pra fechar:
"A gente teve uma hora que parecia que ia dar certo. Ia dar, ia dar, sabe quando vai dar?"
Que onda de convardia é essa que cobre os corações apaixonados?
É fato, quando nos apaixonamos criamos um ovo, tão delicado quanto esta casca que protege o vitelo e a nova vida que dele se alimenta. Sempre optamos pelo preservar em vez do arriscar.
Nosso homens são assim, são esse ovo que carregamos em nossas bolsas como um marsupial. Até mesmo quando a casca se parte e dela sai um vida completamente nova, ainda a carregamos conosco, sem deixá-la partir para se aventurar, uma vez que nós, mulheres apaixonadas, somos essa fêmea protetora que não quer arriscar perde esse que fora cutivado e conquistado a custa de tanto choro contido, tanta cabeça baixa e tantas privações.
O ruim é que nem todas possuem o "sensor de quebra" que apitada deseperadamente no limiar entre a incerteza do amor e a certeza da dor.
Hoje fazem 15 anos que Caio Fernado atracou em seu porto.
Para vocês, alguns trechos deliciosos e dolorosos que chegam a assustar de tão verdadeiros:
"Tinha esquecido o perigo que é colocar o seu coração nas mãos do outro e dizer: toma, faz o que quiser."
"Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo, e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros." (essa daria uma boa tatuagem)
"Só quero ir indo junto com as coisas (...) até um lugar que não sei onde fica, e que você até pode chamar de morte, mas eu chamo de porto" (DEVIR)
"Para mim é horrível eu aceitar o fato de que eu tô em disponibilidade afetiva."
E essa, pra fechar:
"A gente teve uma hora que parecia que ia dar certo. Ia dar, ia dar, sabe quando vai dar?"
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Sim, Freud explica:
"Se se ouvir pacientemente as muitas e variadas auto-acusações de um melancólico, não se poderá evitar, no fim, a impressão de que freqüentemente as mais violentas delas dificilmente se aplicam ao próprio paciente, mas que, com ligeiras modificações, se ajustam realmente a outrém, a alguém que o paciente ama, amou ou deveria amar. Toda vez que se examinam os fatos, essa conjectura é confirmada. É assim que encontramos a chave do quadro clínico: percebemos que as auto-recriminações são recriminações feitas a um objeto amado que foram deslocadas desse objeto para o ego do próprio paciente.
A mulher que lamenta em altos brados o fato de o marido estar preso a uma esposa incapaz como ela, na verdade está acusando o marido de ser incapaz, não importando o sentido que ela possa atribuir a isso. Não há por que se surpreender com o fato de haver algumas auto-recriminações autênticas difundidas entre as que foram transpostas. Permite-se que estas se intrometam, de uma vez que ajudam a mascarar as outras e a tornar impossível o reconhecimento do verdadeiro estado de coisas. Além disso, elas derivam dos prós e dos contras do conflito amoroso que levou à perda do amor. Também o comportamento dos pacientes, agora, se torna bem mais inteligível. Suas queixas são realmente "queixumes", no sentido antigo da palavra. Eles não se envergonham, nem se ocultam, já que tudo de desairoso que dizem sobre eles próprios refere-se, no fundo, à outra pessoa.
Além disso, estão longe de demonstrar perante aqueles que o cercam uma atitude de humildade e submissão única que caberia a pessoas tão desprezíveis. Pelo contrário, tornam-se as pessoas mais maçantes, dando sempre a impressão de que se sentem desconsideradas e de que foram tratadas com grande injustiça. Tudo isso só é possível porque as reações expressas em seu comportamento ainda procedem de uma constelação mental de revolta que, por um certo processo, passou então para o estado esmagado de melancolia.
Não é difícil reconstruir esse processo. Existem, num dado momento, uma escolha objetal, uma ligação da libido a uma pessoa particular; então, devido a uma real desconsideração ou desapontamento proveniente da pessoa amada, a relação objetal foi destroçada. O resultado não foi o normal uma retirada da libido desse objeto e um deslocamento da mesma para um novo , mas algo diferente, para cuja ocorrência várias condições parecem ser necessárias. A catexia objetal provou ter pouco poder de resistência e foi liquidada. Mas a libido livre não foi deslocada para outro objeto; foi retirada para o ego. Ali, contudo, não foi empregada de maneira não especificada, mas serviu para estabelecer uma identificação do ego com o objeto abandonado. Assim a sombra do objeto caiu sobre o ego, e este pôde, daí por diante, ser julgado por um agente especial, como se fosse um objeto, o objeto abandonado.
Dessa forma, uma perda objetal se transformou numa perda do ego, e o conflito entre o ego e a pessoa amada, numa separação entre a atividade crítica do ego e o ego enquanto alterado pela identificação.
Uma ou duas coisas podem ser diretamente inferidas no tocante às pré-condições e aos efeitos de um processo como este. Por um lado, uma forte fixação no objeto amado deve ter estado presente; por outro, em contradição a isso, a catexia objetal deve ter tido pouco poder de resistência.
Conforme Otto Rank observou com propriedade, essa contradição parece implicar que a escolha objetal é efetuada numa base narcisista, de modo que a catexia objetal, ao se defrontar com obstáculos, pode retroceder para o narcisismo. A identificação narcisista com o objeto se torna então um substituto da catexia erótica; em conseqüência, apesar do conflito com a pessoa amada, não é preciso renunciar à relação amorosa. Essa substituição da identificação pelo amor objetal constitui importante mecanismo nas afecções narcisistas;
Na melancolia, as ocasiões que dão margem à doença vão, em sua maior parte, além do caso nítido de uma perda por morte, incluindo as situações de desconsideração, desprezo ou desapontamento, que podem trazer para a relação sentimentos opostos de amor e ódio, ou reforçar uma ambivalência já existente. Esse conflito devido à ambivalência, que por vezes surge mais de experiências reais, por vezes mais de fatores constitucionais, não deve ser desprezado entre as pré-condições da melancolia. Se o amor pelo objeto um amor que não pode ser renunciado, embora o próprio objeto o seja se refugiar na identificação narcisista, então o ódio entra em ação nesse objeto substitutivo, dele abusando, degradando-o, fazendo-o sofrer e tirando satisfação sádica de seu sofrimento. A auto-tortura na melancolia, sem dúvida agradável, significa, do mesmo modo que o fenômeno correspondente na neurose obsessiva, uma satisfação das tendências do sadismo e do ódio relacionadas a um objeto, que retornaram ao próprio eu do indivíduo nas formas que vimos examinando. Via de regra, em ambas as desordens, os pacientes ainda conseguem, pelo caminho indireto da auto-punição, vingar-se do objeto original e torturar o ente amado através de sua doença, à qual recorrem a fim de evitar a necessidade de expressar abertamente sua hostilidade para com ele. Afinal de contas, a pessoa que ocasionou a desordem emocional do paciente, e na qual sua doença se centraliza, em geral se encontra em seu ambiente imediato. A catexia erótica do melancólico no tocante a seu objeto sofreu assim uma dupla vicissitude: parte dela retrocedeu à identificação, mas a outra parte, sob a influência do conflito devido à "ambivalência", foi levada de volta à etapa de sadismo que se acha mais próxima do conflito."
Luto e melancolia
A mulher que lamenta em altos brados o fato de o marido estar preso a uma esposa incapaz como ela, na verdade está acusando o marido de ser incapaz, não importando o sentido que ela possa atribuir a isso. Não há por que se surpreender com o fato de haver algumas auto-recriminações autênticas difundidas entre as que foram transpostas. Permite-se que estas se intrometam, de uma vez que ajudam a mascarar as outras e a tornar impossível o reconhecimento do verdadeiro estado de coisas. Além disso, elas derivam dos prós e dos contras do conflito amoroso que levou à perda do amor. Também o comportamento dos pacientes, agora, se torna bem mais inteligível. Suas queixas são realmente "queixumes", no sentido antigo da palavra. Eles não se envergonham, nem se ocultam, já que tudo de desairoso que dizem sobre eles próprios refere-se, no fundo, à outra pessoa.
Além disso, estão longe de demonstrar perante aqueles que o cercam uma atitude de humildade e submissão única que caberia a pessoas tão desprezíveis. Pelo contrário, tornam-se as pessoas mais maçantes, dando sempre a impressão de que se sentem desconsideradas e de que foram tratadas com grande injustiça. Tudo isso só é possível porque as reações expressas em seu comportamento ainda procedem de uma constelação mental de revolta que, por um certo processo, passou então para o estado esmagado de melancolia.
Não é difícil reconstruir esse processo. Existem, num dado momento, uma escolha objetal, uma ligação da libido a uma pessoa particular; então, devido a uma real desconsideração ou desapontamento proveniente da pessoa amada, a relação objetal foi destroçada. O resultado não foi o normal uma retirada da libido desse objeto e um deslocamento da mesma para um novo , mas algo diferente, para cuja ocorrência várias condições parecem ser necessárias. A catexia objetal provou ter pouco poder de resistência e foi liquidada. Mas a libido livre não foi deslocada para outro objeto; foi retirada para o ego. Ali, contudo, não foi empregada de maneira não especificada, mas serviu para estabelecer uma identificação do ego com o objeto abandonado. Assim a sombra do objeto caiu sobre o ego, e este pôde, daí por diante, ser julgado por um agente especial, como se fosse um objeto, o objeto abandonado.
Dessa forma, uma perda objetal se transformou numa perda do ego, e o conflito entre o ego e a pessoa amada, numa separação entre a atividade crítica do ego e o ego enquanto alterado pela identificação.
Uma ou duas coisas podem ser diretamente inferidas no tocante às pré-condições e aos efeitos de um processo como este. Por um lado, uma forte fixação no objeto amado deve ter estado presente; por outro, em contradição a isso, a catexia objetal deve ter tido pouco poder de resistência.
Conforme Otto Rank observou com propriedade, essa contradição parece implicar que a escolha objetal é efetuada numa base narcisista, de modo que a catexia objetal, ao se defrontar com obstáculos, pode retroceder para o narcisismo. A identificação narcisista com o objeto se torna então um substituto da catexia erótica; em conseqüência, apesar do conflito com a pessoa amada, não é preciso renunciar à relação amorosa. Essa substituição da identificação pelo amor objetal constitui importante mecanismo nas afecções narcisistas;
Na melancolia, as ocasiões que dão margem à doença vão, em sua maior parte, além do caso nítido de uma perda por morte, incluindo as situações de desconsideração, desprezo ou desapontamento, que podem trazer para a relação sentimentos opostos de amor e ódio, ou reforçar uma ambivalência já existente. Esse conflito devido à ambivalência, que por vezes surge mais de experiências reais, por vezes mais de fatores constitucionais, não deve ser desprezado entre as pré-condições da melancolia. Se o amor pelo objeto um amor que não pode ser renunciado, embora o próprio objeto o seja se refugiar na identificação narcisista, então o ódio entra em ação nesse objeto substitutivo, dele abusando, degradando-o, fazendo-o sofrer e tirando satisfação sádica de seu sofrimento. A auto-tortura na melancolia, sem dúvida agradável, significa, do mesmo modo que o fenômeno correspondente na neurose obsessiva, uma satisfação das tendências do sadismo e do ódio relacionadas a um objeto, que retornaram ao próprio eu do indivíduo nas formas que vimos examinando. Via de regra, em ambas as desordens, os pacientes ainda conseguem, pelo caminho indireto da auto-punição, vingar-se do objeto original e torturar o ente amado através de sua doença, à qual recorrem a fim de evitar a necessidade de expressar abertamente sua hostilidade para com ele. Afinal de contas, a pessoa que ocasionou a desordem emocional do paciente, e na qual sua doença se centraliza, em geral se encontra em seu ambiente imediato. A catexia erótica do melancólico no tocante a seu objeto sofreu assim uma dupla vicissitude: parte dela retrocedeu à identificação, mas a outra parte, sob a influência do conflito devido à "ambivalência", foi levada de volta à etapa de sadismo que se acha mais próxima do conflito."
Luto e melancolia
Quando o amor era medo, Frejat
Ontem tive uma epifania trágica: estou com medo.
Muito medo.
Achei que não passasse de raiva, que estava tudo meio que perdido, mas, ironicamente, sob controle.Mas, ontem, tive a impressão de ter visto um no meio da multidão e esse um fizera com que eu me sentisse muito mal.
Perdi o chão, paralizei, só voltei ao normal quando percebi que não era ele.
Contudo, isso me fez pensar...e se fosse?
Outra noite dessas, contando pra um amigo, ele me acertou em cheio com a pergunta: "e se você o visse novamente? E quando ele ligar? O que você vai fazer?"
Sabe o que percebi?
Que, covardemente, espero que ele desapareça!
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
(...
"Como se eu estivesse por fora do movimento da vida. A vida rolando por ai feito roda gigante, com todo mundo dentro, e eu aqui parada, pateta, sentada no bar. Sem fazer nada, como se tivesse desaprendido a linguagem dos outros. A linguagem que eles usam para se comunicar quando rodam assim e assim por diate nessa roda-gigante. Olhando de fora, a cara cheia, louca de vontade de estar lá, rodando junto com eles nessa roda idiota..."
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Final alternativo II
"O amor é uma espera e a dor a ruptura súbita e imprevisível dessa espera."
A dor de amar, J. D. Nasio
Dia sacal, mas ao lembrar do quanto tinha feito para ficar de férias, sem pestanejar, peguei a bolsa e sai de casa.
Cinema.Era essa minha decisão ao entrar no ônibus, por sorte, vazio. Sorte não era algo que me acompanhava ultimamente.Então, de imediato percebi o feito e fiquei satisfeita.
Não queria um cinema de quinta, queria o melhor cinema. Há muito se especulava sobre um shopping novo da cidade que eu ainda não fora. As cadeiras eram marcadas e tudo mais. Decisão toma, rumo a seguir.
A estrutura do shopping era fascinante. Nem se comparava ao shopping de bairro com o qual eu me contentava. As lojas eram bem atraentes, mas como a grana tava curta me detive a procurar a parte dos cinemas.
Descobri que era no terceiro andar e, então, fui em busca de um elevador.Apertei o botão para chamá-lo e quando a porta abriu entrei.Entrei de cabeça baixa, meio que encabulada por ser uma estranha naquele ambiente. Não que não tivesse condições de pertencê-los, mas nunca fizera o meu gênero. Nunca fui muito adepata aos exageros do capitalismo, e era extamente o que aquele ambiente gritava:consuuuuumo!
Depois de me acomodar resolvi examinar os outros que estavam no mesmo barco que eu e, logo que levanto a vista, ele.
Fui tomada por uma vertigem, mas disfarcei, pois se tem algo que eu faço bem é desfarçar. Estava sério, com cara de poucos amigos, falando sobre trabalho ao celular. Com aquela blusa branca, por mim muitas vezes amarrotada, aquela com três pranchas de surf no peito esquerdo. Uma calça jeans que de tão lavada tava quase branca e o tênis de sempre. Ainda aquele ar de "Don Juan deMarco", uma mistura de louco/infantil/homem/sedutor.
Quando fitei nele ele percebeu e me olhou.
Parou de falar com quem quer que seja ao telefone e sorriu. Eu exitei, mas sorri de volta, mas um sorriso amarelo com o queixo erguido, não o meu sorriso de olhinhos fechados.
Voltou ao telefone e fez sinal para que eu saísse no mesmo andar que ele. Como uma boa fêmea obedeci.
Saímos e eu o aguardei terminar o telefonema no canteiro.
Quando ele se voltou para mim, nem esperei dizer nada, apenas esperei o sorriso (do qual me lembrara noites a fio) e o beijei. O beijei como há muito não beijava. Um beijo que, seguindo a ordem natural, terminaria em cama. Um beijo que há muito queria retribuir, pois era sempre assim que ele me beijava, com fome. Lembro de tentar impor o slow, mas ele não dava chance nunca. Parecia que o fato de sempre demorarmos para nos encontrar o deixava com fome, e, temendo um 'delta T' sempre maior, ele queria me aproveitar por aquele instante. Um beijo até cansativo, mas, no que diz respeito ao prazer, inigualável. E assim eu o fim. Dei-lhe um beijo faminto que, durante todo ele, eu só pensava na respiração. Aquela respiração conjunta que acompanha os beijos longos, quando você e ele compartilham o mesmo oxigênio e é como se, pelo menos por aquele instante, precisassem um do outro para sobreviver. Como o ronco de um motor que pede marcha, macho e fêmea exalam seus hormônios e pensam em reprodução. É uma espécie de pause do mundo real e play do mundo sexual. Um instante em que tudo que importa é o toque dos narizes que compartilham o combustível da respiração.
Pois, assim o fiz, e depois, cai em mim.
Não sei do fora acometida, mas todos aqueles meses de espera por um mero telefonema que fora prometido para o dia 15 pesaram em mim como uma tonelada e eu disse:
-eu ia f#%$@ com você sabia. Eu sentia a sua vontade de f#%$@ comigo, mas eu tava com medo, sabia que era com você. Desgraçado, esperei tanto você me ligar, até que um dia eu tive a bendita epifania de não tratar como prioridade quem me trata como opção. F#%$@ com o primeiro que apareceu, mas precisava te dizer: pensei em você!
Parei olhei pro relógio e ouvi o barulho da porta do elevador abrindo. Etrei naquele elevador e, pelo cubículo transparente ele me olhava com uma cara de quem tentava entender, até que entendia. Apertou freneticamente o botão do elevador, mas eu já tinha descido, e talvez já estivesse envolvida em alguma trama alheia, realzação de desejo reprimido, sentada em uma poltrona acochoada comendo pipoca com uma pepsi twist, em lembrança a um velho conhecido.
Fim(...
"O amor é um acidente esperando para acontecer."
A dor de amar, J. D. Nasio
Dia sacal, mas ao lembrar do quanto tinha feito para ficar de férias, sem pestanejar, peguei a bolsa e sai de casa.
Cinema.Era essa minha decisão ao entrar no ônibus, por sorte, vazio. Sorte não era algo que me acompanhava ultimamente.Então, de imediato percebi o feito e fiquei satisfeita.
Não queria um cinema de quinta, queria o melhor cinema. Há muito se especulava sobre um shopping novo da cidade que eu ainda não fora. As cadeiras eram marcadas e tudo mais. Decisão toma, rumo a seguir.
A estrutura do shopping era fascinante. Nem se comparava ao shopping de bairro com o qual eu me contentava. As lojas eram bem atraentes, mas como a grana tava curta me detive a procurar a parte dos cinemas.
Descobri que era no terceiro andar e, então, fui em busca de um elevador.Apertei o botão para chamá-lo e quando a porta abriu entrei.Entrei de cabeça baixa, meio que encabulada por ser uma estranha naquele ambiente. Não que não tivesse condições de pertencê-los, mas nunca fizera o meu gênero. Nunca fui muito adepata aos exageros do capitalismo, e era extamente o que aquele ambiente gritava:consuuuuumo!
Depois de me acomodar resolvi examinar os outros que estavam no mesmo barco que eu e, logo que levanto a vista, ele.
Fui tomada por uma vertigem, mas disfarcei, pois se tem algo que eu faço bem é desfarçar. Estava sério, com cara de poucos amigos, falando sobre trabalho ao celular. Com aquela blusa branca, por mim muitas vezes amarrotada, aquela com três pranchas de surf no peito esquerdo. Uma calça jeans que de tão lavada tava quase branca e o tênis de sempre. Ainda aquele ar de "Don Juan deMarco", uma mistura de louco/infantil/homem/sedutor.
Quando fitei nele ele percebeu e me olhou.
Parou de falar com quem quer que seja ao telefone e sorriu. Eu exitei, mas sorri de volta, mas um sorriso amarelo com o queixo erguido, não o meu sorriso de olhinhos fechados.
Voltou ao telefone e fez sinal para que eu saísse no mesmo andar que ele. Como uma boa fêmea obedeci.
Saímos e eu o aguardei terminar o telefonema no canteiro.
Quando ele se voltou para mim, nem esperei dizer nada, apenas esperei o sorriso (do qual me lembrara noites a fio) e o beijei. O beijei como há muito não beijava. Um beijo que, seguindo a ordem natural, terminaria em cama. Um beijo que há muito queria retribuir, pois era sempre assim que ele me beijava, com fome. Lembro de tentar impor o slow, mas ele não dava chance nunca. Parecia que o fato de sempre demorarmos para nos encontrar o deixava com fome, e, temendo um 'delta T' sempre maior, ele queria me aproveitar por aquele instante. Um beijo até cansativo, mas, no que diz respeito ao prazer, inigualável. E assim eu o fim. Dei-lhe um beijo faminto que, durante todo ele, eu só pensava na respiração. Aquela respiração conjunta que acompanha os beijos longos, quando você e ele compartilham o mesmo oxigênio e é como se, pelo menos por aquele instante, precisassem um do outro para sobreviver. Como o ronco de um motor que pede marcha, macho e fêmea exalam seus hormônios e pensam em reprodução. É uma espécie de pause do mundo real e play do mundo sexual. Um instante em que tudo que importa é o toque dos narizes que compartilham o combustível da respiração.
Pois, assim o fiz, e depois, cai em mim.
Não sei do fora acometida, mas todos aqueles meses de espera por um mero telefonema que fora prometido para o dia 15 pesaram em mim como uma tonelada e eu disse:
-eu ia f#%$@ com você sabia. Eu sentia a sua vontade de f#%$@ comigo, mas eu tava com medo, sabia que era com você. Desgraçado, esperei tanto você me ligar, até que um dia eu tive a bendita epifania de não tratar como prioridade quem me trata como opção. F#%$@ com o primeiro que apareceu, mas precisava te dizer: pensei em você!
Parei olhei pro relógio e ouvi o barulho da porta do elevador abrindo. Etrei naquele elevador e, pelo cubículo transparente ele me olhava com uma cara de quem tentava entender, até que entendia. Apertou freneticamente o botão do elevador, mas eu já tinha descido, e talvez já estivesse envolvida em alguma trama alheia, realzação de desejo reprimido, sentada em uma poltrona acochoada comendo pipoca com uma pepsi twist, em lembrança a um velho conhecido.
Fim(...
"O amor é um acidente esperando para acontecer."
sábado, 5 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Mau dia!
Hoje, o dia foi tão (bom), que meu egocentrismo quis me fazer pensar que tudo conspirava contra mim.
De madrugada tinha um trabalho sobre memória pra terminar, e advinha, apagão!
Ok, termino pela manhã e entrego a tarde.
Acorodo com uma mensagem:
"Amiga, tem aula extra de psicologia e arte 9hs."
Tinha planos de fazer meus exames porque essa porra de dor tá me matando.
Penso: vou pra aula, saio mais cedo, faço os exames, termino o trabalho e entrego pra professora antes do fim da aula.
Pego o ônibus errado, ando a Santo Dumont de cabo à rabo,chego na clínica e o cartão da Unimed não autoriza o exame.
Vou na unimed:
"Aqui consta que seu novo cartão foi enviado dia 28/01, você deve ter recebido"
Ok, eu e o cartão do plano nos desencontramos.
Não seria o primeiro desencontro desses dias.
A sorte e eu nos desencontramos.
O amor e eu nos desencontramos.
A fé eu nos desencontramos.
A alegria e eu nos desencontramos.
A professora e eu também!
Fiz das tripas coração pra terminar o trabalho.
Vou pra aula e, quando saio pra ir no banheiro, a professora recebe um telefonema e tem que sair.
Ok.
Saio da faculdade com esses acontecimentos na cabeça.
pego uma carona até a parada de ônibus.
Ele demora e eu resolvo errar pela 13 de maio.
Entro em uma livraria, vejo um monte de livros do Leminski, mas lembro que tenho pouco dinheiro.
Entro em outra livraria e veji um livro super barato do Caio Fernando, compro.
Mas, na verdade, queria ter compra "a dor de amar", 'o ovo apunhalado', "gramática do erotismo" e "o que Lacan fala das mulheres", mas, já sabe, o dinheiro tá curto.
Compro só o de bolso do Caio, tomo um sorvete de chocolate flocado com doce de leite, volto pra parada e aqui estou.]
Compartilhando minhas aventuras com vocês.
Ah, pra criar uma sinestesia, tô desde as 8hs da manhã sem um banho.
Uow, fedendo pacas!
Meus pais e meu irmão vão chegar e minha mãe vai reclamar que a casa tá desarrumada, que meu quarto tá uma bagunça.
O quarto reflete como estamos por dentro.
Depois de ler isso você acha que meu quarto tem de estar arrumado.
Estranho seria...
Quem me garante que eu vou acordar viva amanhã??
De madrugada tinha um trabalho sobre memória pra terminar, e advinha, apagão!
Ok, termino pela manhã e entrego a tarde.
Acorodo com uma mensagem:
"Amiga, tem aula extra de psicologia e arte 9hs."
Tinha planos de fazer meus exames porque essa porra de dor tá me matando.
Penso: vou pra aula, saio mais cedo, faço os exames, termino o trabalho e entrego pra professora antes do fim da aula.
Pego o ônibus errado, ando a Santo Dumont de cabo à rabo,chego na clínica e o cartão da Unimed não autoriza o exame.
Vou na unimed:
"Aqui consta que seu novo cartão foi enviado dia 28/01, você deve ter recebido"
Ok, eu e o cartão do plano nos desencontramos.
Não seria o primeiro desencontro desses dias.
A sorte e eu nos desencontramos.
O amor e eu nos desencontramos.
A fé eu nos desencontramos.
A alegria e eu nos desencontramos.
A professora e eu também!
Fiz das tripas coração pra terminar o trabalho.
Vou pra aula e, quando saio pra ir no banheiro, a professora recebe um telefonema e tem que sair.
Ok.
Saio da faculdade com esses acontecimentos na cabeça.
pego uma carona até a parada de ônibus.
Ele demora e eu resolvo errar pela 13 de maio.
Entro em uma livraria, vejo um monte de livros do Leminski, mas lembro que tenho pouco dinheiro.
Entro em outra livraria e veji um livro super barato do Caio Fernando, compro.
Mas, na verdade, queria ter compra "a dor de amar", 'o ovo apunhalado', "gramática do erotismo" e "o que Lacan fala das mulheres", mas, já sabe, o dinheiro tá curto.
Compro só o de bolso do Caio, tomo um sorvete de chocolate flocado com doce de leite, volto pra parada e aqui estou.]
Compartilhando minhas aventuras com vocês.
Ah, pra criar uma sinestesia, tô desde as 8hs da manhã sem um banho.
Uow, fedendo pacas!
Meus pais e meu irmão vão chegar e minha mãe vai reclamar que a casa tá desarrumada, que meu quarto tá uma bagunça.
O quarto reflete como estamos por dentro.
Depois de ler isso você acha que meu quarto tem de estar arrumado.
Estranho seria...
Quem me garante que eu vou acordar viva amanhã??
I learn that with you...
Hoje tinha um amontoado de concreto e tijolos na frente do meu por-do-sol.
Lembro que uma vez alguém me prometeu um pôr-do-sol inesquecível.
Alguém e eu nos desencontramos.
Alguém nunca mais me procurou.
Alguém me esqueceu, mas eu não esqueci alguém.
Lembro que uma vez alguém me prometeu um pôr-do-sol inesquecível.
Alguém e eu nos desencontramos.
Alguém nunca mais me procurou.
Alguém me esqueceu, mas eu não esqueci alguém.
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