segunda-feira, 11 de agosto de 2014

De um amor que (diz)simetria


Prólogo:
Quando tudo tava calmo, eu copiei de uma canção de Belle e Sebastian: 
“Colour my life with the chaos of trouble, 
cause anything's better than posh isolation “. 
Não me dê o que eu lhe peço, pois não é isso que eu quero.

Capítulo único.
Já tem confusão o suficiente na minha vida”. Foi isso que pensei, e, assustadoramente, foi exatamente assim que o pensamento chegou à ponta dos meus dedos quando eu decidi pela última vez.
Eu acho que experimentei ser visceral. E fui. Esse amor me custou entranhas, me levou partes que eu não tinha. Amor é dar o que não se tem. Não há crescimento maior que mexer em ferida aberta.
Acabou por nada. Não por nada, mas pelo nada. Eu esperava algo, mas obtive nada. Não se sustenta um amor sozinha, não se deve pagar por erros alheios, não se muda alguém... Essas foram algumas das muitas lições que aprendi.
Uma vez, pensando na vida, como grande admiradora dela que sou, tive de aceitar que você só se torna bom nela depois que passa por ela. Não acho que o amor deva ser elevado a dignidade de vida, mas com ele também é assim. A habilidade de amar é cumulativa, mas requer sabedoria.
Amor não requer conhecimento, requer sabedoria. Requer sabedoria justamente para saber o que fazer com o conhecimento. Muito conhecimento sem sabedoria pode levar ao isolamento, e se existe o contrário do amor, é o isolamento.

Amar ao próximo te ensina a amar a si mesmo. Amor próprio e amor ao próximo são categorias dialéticas, e a vida, essa danada, é um pêndulo que oscila entre um e outro. O eu e o outro nessa dança dramática, nessa troca de pedaços. Um olho por uma unha, um fígado pelo baço, o amor te deixa com a anatomia torta, descompensada, mas não é saudável passar pela vida simétrico. Há beleza na dissimetria. 


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