Prólogo:
Quando
tudo tava calmo, eu copiei de uma canção de Belle e Sebastian:
“Colour my life
with the chaos of trouble,
cause anything's better than posh isolation “.
Não
me dê o que eu lhe peço, pois não é isso que eu quero.
Capítulo
único.
Já
tem confusão o suficiente na minha vida”. Foi isso que pensei, e,
assustadoramente, foi exatamente assim que o pensamento chegou à ponta dos meus
dedos quando eu decidi pela última vez.
Eu
acho que experimentei ser visceral. E fui. Esse amor me custou entranhas, me levou
partes que eu não tinha. Amor é dar o que não se tem. Não há crescimento maior
que mexer em ferida aberta.
Acabou
por nada. Não por nada, mas pelo nada. Eu esperava algo, mas obtive nada. Não
se sustenta um amor sozinha, não se deve pagar por erros alheios, não se muda
alguém... Essas foram algumas das muitas lições que aprendi.
Uma
vez, pensando na vida, como grande admiradora dela que sou, tive de aceitar que
você só se torna bom nela depois que passa por ela. Não acho que o amor deva
ser elevado a dignidade de vida, mas com ele também é assim. A habilidade de
amar é cumulativa, mas requer sabedoria.
Amor
não requer conhecimento, requer sabedoria. Requer sabedoria justamente para
saber o que fazer com o conhecimento. Muito conhecimento sem sabedoria pode
levar ao isolamento, e se existe o contrário do amor, é o isolamento.
Amar
ao próximo te ensina a amar a si mesmo. Amor próprio e amor ao próximo são
categorias dialéticas, e a vida, essa danada, é um pêndulo que oscila entre um
e outro. O eu e o outro nessa dança dramática, nessa troca de pedaços. Um olho
por uma unha, um fígado pelo baço, o amor te deixa com a anatomia torta,
descompensada, mas não é saudável passar pela vida simétrico. Há beleza na
dissimetria.