segunda-feira, 18 de agosto de 2014

by yourself

A gente nasce sozinho e vai se envolvendo com as pessoas, 
ou a gente nasces envolvido com as pessoas e vai ficando sozinho? 
Nietzsche dizia que "nunca é alto o preço a pagar pelo privilégio de pertencer a si mesmo". 
Privilégio? 
Propriocepção foi uma palavra que eu sempre gostei. Além de ser bonita de ouvir, "propriocepção", é o tipo de palavra que dispensa apresentações, e eu gosto de tudo que dispensa apresentações. 
Sempre fui a favor de tudo que fala por si mesmo. 
Sempre fui a favor de tudo que fala.
Olhando ao redor, o movimento das pessoas é sempre em direção ao outro.
O bebê em direção a mãe, 
a criança em direção a outra, 
a mulher em direção ao homem, 
o homem em direção às mulheres. 
Mas quem corre na direção de si mesmo?

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

De um amor que (diz)simetria


Prólogo:
Quando tudo tava calmo, eu copiei de uma canção de Belle e Sebastian: 
“Colour my life with the chaos of trouble, 
cause anything's better than posh isolation “. 
Não me dê o que eu lhe peço, pois não é isso que eu quero.

Capítulo único.
Já tem confusão o suficiente na minha vida”. Foi isso que pensei, e, assustadoramente, foi exatamente assim que o pensamento chegou à ponta dos meus dedos quando eu decidi pela última vez.
Eu acho que experimentei ser visceral. E fui. Esse amor me custou entranhas, me levou partes que eu não tinha. Amor é dar o que não se tem. Não há crescimento maior que mexer em ferida aberta.
Acabou por nada. Não por nada, mas pelo nada. Eu esperava algo, mas obtive nada. Não se sustenta um amor sozinha, não se deve pagar por erros alheios, não se muda alguém... Essas foram algumas das muitas lições que aprendi.
Uma vez, pensando na vida, como grande admiradora dela que sou, tive de aceitar que você só se torna bom nela depois que passa por ela. Não acho que o amor deva ser elevado a dignidade de vida, mas com ele também é assim. A habilidade de amar é cumulativa, mas requer sabedoria.
Amor não requer conhecimento, requer sabedoria. Requer sabedoria justamente para saber o que fazer com o conhecimento. Muito conhecimento sem sabedoria pode levar ao isolamento, e se existe o contrário do amor, é o isolamento.

Amar ao próximo te ensina a amar a si mesmo. Amor próprio e amor ao próximo são categorias dialéticas, e a vida, essa danada, é um pêndulo que oscila entre um e outro. O eu e o outro nessa dança dramática, nessa troca de pedaços. Um olho por uma unha, um fígado pelo baço, o amor te deixa com a anatomia torta, descompensada, mas não é saudável passar pela vida simétrico. Há beleza na dissimetria.