domingo, 27 de outubro de 2013

Do amor, da covardia e da (in)felicidade... Parece triste, mas não é!

Ultimamente eu tenho pensado muito em como as experiências passadas (a parte real e fantasiosa delas) influenciam no nosso presente e, obviamente, no nosso futuro. Eu sempre me gabei muito de ser um ser humano racional, mas também sei que isso se dá dentro da medida do possível e que (falando por mim) a racionalidade muitas vezes vem em resposta ao medo, medo é um sentimento, logo, você (eu) não está sendo tão racional assim. Bem, sendo prática no que eu quero dizer (que não obrigatoriamente é o que vocês querem ouvir), o que eu acho é que, apesar de afirmar meu posicionamento de que a felicidade não existe, eu acho que não é saudável nós vivermos sem a ilusão dela. É que nem uma corrida de cachorro... Tem aquela haste com um coelho de plástico pendurado, nós sabemos que o coelho é de plástico, mas o fato de os cachorros não saberem faz com que eles continuem o movimento em busca daquilo que querem. Da mesma forma se fosse uma corrida de coelhos, teria uma cenoura de plástico correndo na haste a fim de que os coelhos a quisessem. Com a gente é assim, muitas vezes elegemos objetos plásticos (e notem que a escolha dos plástico não foi à toa) para servirem de coelhos ou de cenouras. Precisamos elegê-los, caso contrário nossa vida não faz sentido. Nossos objetos são amores, ideais, ideias, uns mais plásticos que outros, mas não adianta sabermos (bem teoricamente) que aquele objeto é feito da fórmula básica realidade+fantasia, nós corremos atrás dele como uma unidade: realidade+fantasia=objeto que nos faz seguir em alguma direção.



segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Da saudade, da foraclusão e do meu desejo...

                                            
Uma vez aqui eu falei que achava que tinha uma diferença entre ter saudades e sentir falta. Mantenho o veredito. Saudade em muito pior que a falta. A falta é falta, o melhor que você tem a fazer é aprender a lidar com ela, a saudade... a saudade é tão escrota que geralmente vem no plural, porque é sentimento demais pra caber no espaço de um singular... Ah, se não for de algo bom, com certeza era de algo que de alguma forma te fazia bem, respondia a alguma coisa. No meu caso a saudade é de um elemento que veio fazer um bem incrível, mas hoje ele se encontra foracluído. Foracluído é um termo usado dentro da estrutura psicótica pra designar a presença do falo,incluído fora, no exterior. Isso tudo tem a ver com a falta de amarração, uma certa "soltura" que traz a angústia ao indivíduo, eis como me encontro. Solta e angustiada por isso, meio invadida sem invasor, meio assolada sem um carrasco. Essa é a pior sensação possível para um mulher, quando ela está cara com o não todo, sem o que irá segurá-la na lei. "Proteja-me de mim mesma", é o que queremos quando lhes pedimos pra ficar, quando reclamamos da ausência, da falta. Uma mulher é um perigo ambulante para ela mesma. "Pra quem não sabe pra onde vai, qualquer caminho é bom", já dizia o coelho a Alice. Sabemos desfrutar magicamente de nossa enorme possibilidade de gozo, algo que pouco de vocês homens irão poder experimentar um dia, e para fazê-lo haverão de deixar de sê-lo. Mas, mesmo o maior e mais imponente dos navios precisa de um porto... É água demais passando pelo nosso casco, é mundo demais para não darmos conta, são muitas cartas em um só jogo.