segunda-feira, 15 de julho de 2013

Usando de Nietzsche pra te dizer que...

Até que olhar a tua mesa e ver um pouco do que tu costumavas ser para mim me fez sentir pena por hoje não suprir mais por ti o sentimento tão nobre que supri um dia... 

É importante que saibas que "não se odeia quando pouco se preza, odeia-se só o que está à nossa altura ou é superior a nós." Minha repulsa diz que ainda acredito em quem tu fostes, e que ainda há, mesmo que em seu reverso, o amor que senti um dia, mas prezo pelo fato de que "uma vez tomada a decisão de não dar ouvidos mesmo aos melhores contra-argumentos: sinal do caráter forte". 
O nosso interdito pode ser facilmente explicado, era tão óbvio que "sou demasiado orgulhosa para acreditar que um homem me ame: seria supor que ele sabe quem sou eu. " E era tão óbvio que tu dirias: "Também não acredito que possa amar alguém: pressuporia que eu achasse um homem da minha condição." E só achastes uma mulher.
Me recuso a acreditar que "não é a intensidade dos sentimentos elevados que faz os homens superiores, mas a sua duração", porque por mais breve que tenha sido, nossa ligação me elevou em algum sentido.
Por fim, havemos de nos contentar por termos nossos corações separados e mandados de voltas às nossas respectivas caixas torácicas, talvez pelo conforto de que "quando se amarra bem o próprio coração e se faz dele um prisioneiro, pode-se permitir ao próprio espírito muitas liberdades."

Isso era o que eu tinha pra dizer (com a ajuda do bigodudo).


domingo, 7 de julho de 2013

Um domingo na 3ª pessoa é mais confortável...



Ela já tava quase se apaixonando por mais um daqueles caras que lhe davam a ilusão de segurança. Acabado de sair de uma história com pitadas edipianas bem complicadas, ainda estava magoada, meio que de luto e sem um pingo de respeito por qualquer ilusão de amor. Principalmente quando ela estava implicada nesse sentimento. Depois de muito se proteger, baixou a guarda e quebrou a cara. E, como não poderia deixar de ser, não foi uma desilusãozinha qualquer, foi uma decepção daquelas colossais. Mas, no fundo ela já sabia que aquilo ia acontecer (talvez por isso tivesse acontecido). Fora isso, tava confusa e entediada. Suas expectativas eram tão efêmeras, que pareciam aquelas velas de aniversário que soltam faíscas, sabe? Elas demoram a acender, você precisa ficar percorrendo o fósforo em todo o cumprimento do cabo, só depois de um tempo ela acende, e dai você tem que cantar os parabéns bem rápido porque até ela apagar é questão de segundos. Seguia aquela rotina de sempre, que ela sabia que era rotina, sabia que nada de especial ia acontecer no final do dia, e se recriminava por continuar desejando calada algo que a fizesse sorrir como nunca. Na verdade, por mais que ela não quisesse admitir, ela estava mais sozinha do que nunca. Tinha perdido seu alvo de investimentos... E agora, de quem esperar? 
Não tinha muito o que ser feito. Ia preenchendo seus buracos com afazeres no dia-a-dia, estava aprendendo de tudo, um novo idioma, um novo instrumento, novas habilidades, velhas queixas.  Não tinha aula no domingo a noite e seus pais cancelaram o Tele Cine.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Sobre a estrada e o navegador...


Por mais que a gente cresça ouvindo que "a vida dá voltas", que "a vida é uma roda viva", e todas essas coisas mais que remetem à instabilidade, a gente nunca sabe qual a real proporção dessa incerteza. Quantas vezes você já foi destituído do lugar de controle da sua vida? Quantas vezes você quebrou a cara e levantou-se, logo em seguida, olhando pro lado e, caso ninguém tenha visto, continuou em frente, como se nada tivesse acontecido? A vida é que nem rodovia desconhecida, o problema é que essa rodovia só te deixa a possibilidade de seguir em frente ou viver uma vida medíocre à beira da estrada, vendo os que escolheram ir em frente buscarem seus caminhos. Sobre o caminho e os percalços dele é mais ou menos isso. Sobre quem está na direção... Bem, eu não sei como dizer isso de uma forma simples, mas é você sem saber que é. Você é guiado por uma bússola, mas algum sacana colocou um imã bem perto dela, então as coordenadas são bem confusas.  Não, não dá pra achar outra bússola, o máximo que você vai conseguir é um outro imã, daí eu já não tenho conhecimento físico suficiente pra saber o que isso pode causar, mas não acho que seja algo bom. Também não posso dizer que é ruim, é tipo agridoce. Um fluxo de energia bem peculiar, sai do corpo e da mente. Em suma, é tipo você bêbado. Às vezes seu reflexo estará lento, às vezes você vai perder a noção do perigo e pisar mais fundo do que devia, às vezes você vai ter sono e tirar o pé, seguir devagar quase parando, pode machucar pessoas no caminho, pode não chegar ao fim da linha, ou pode acordar na sua cama, sem saber como chegou lá. É tipo assim. Quanto ao passageiro. Bem isso dai é mais difícil de dar conta que à bússola confusa. Então, o passageiro estará lá algumas vezes, outras não. Ele poderá ser um bom navegador às vezes, às vezes não. Ele pode te fazer chegar da melhor maneira possível ao fim da prova, ou pode te dar as coordenadas erradas e te atrapalhar totalmente, a ponto de você ser eliminado da corrida. É melhor ir sozinho? Não sei. Com quem você vai conversar? Quem vai segurar o votante quando você precisar ter as mãos livres? Quem vai te distrair quando o sono chegar? Com quem você vai poder dividir os louros da vitória ou a responsabilidade do fracasso? Dai você me pergunta: e então? E eu te respondo, é tentar, vai tentando, tendo sempre em mente que nenhum deles será perfeito, mas algum deles vai ser o menos errado. Algum deles vai ter as qualidade que são seus defeitos, algum deles vai ter um pouco mais de noção espacial, algum deles vai saber fazer um café forte pra te manter acordado. Mas nenhum deles vai ser perfeito. No fim, mesmo com todos os defeitos de fábrica irreparáveis, é sempre mais seguro seguir com um navegador ao lado. Essa estrada é muito longa pra você ir sozinho. E, por mais que ele seja um merda na navegação, confunda esquerda com direita e não saiba a diferença entre 100m e 1 Km, pelo menos é alguém pra você conversar e não pegar no sono, porque, acredite, o sono virá.