domingo, 29 de abril de 2012
domingo, 22 de abril de 2012
achando falta em todo canto...
"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar.
Estou desorganizada porque perdi o que não precisava? Nesta minha nova covardia - a covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura, essa minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la -, na minha nova covardia, que é como acordar de manhã na casa de um estrangeiro, não sei se terei coragem de simplesmente ir. É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo. Até agora achar-me era já ter uma idéia de pessoa e nela me engastar: nessa pessoa organizada eu me encarnava, e nem mesmo sentia o grande esforço de construção que era viver. A idéia que eu fazia de pessoa vinha de minha terceira perna, daquela que me plantava no chão. Mas e agora? estarei mais livre?"
Lis-pector.
Porto...
Só ter que se preocupar em ser boa pra uma pessoa...
Ter uma pessoa que se preocupa em ser boa pra você.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Loucos e Santos
Não diria que destes se constitui a totalidade dos meus amigos, mas esse seria um ideal digno para se perseguir. Porque você precisa estar rodeado de pessoas que te apoiem, claro, mas também de pessoas que te desafiem pra que, assim, você seja constantemente lembrado daquilo que é capaz.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
sobre meninos e... e o quê mesmo?
Conheço muitos meninos e nenhum homem.
Pensei em dizer "conheço muitos meninos e poucos homens",
mas ao procurar um único referencial de homem,
só me veio o Mr. Clint Eastwood, em Gran Torino.
só me veio o Mr. Clint Eastwood, em Gran Torino.
Rodei, rodei e não encontrei homens, apenas meninos.
Em uma geração de crianças sem pai, vê-se muitos meninos, mas poucos homens.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
domingo, 8 de abril de 2012
Quando eu soltar a minha voz...
O
cantor que exerce seu dom é alguém que da origem a outro ser dentro de si, a voz.
Não falo de uma voz como todas as outras vozes, uma voz falada, dessa que os
bebês penam pouco para começar a utilizar. Não falo dessa voz que é gasta por
ai à toa em conversas sem sentido que sempre acabam por desaguar no sexo dos
anjos. Não falo da voz dos vendedores ambulantes ou aquela mesma que os
parlamentares usam para jogar injúrias no colo dos seus companheiros e para
persuadir os eleitores que se sentem importantes uma vez a cada quatro anos.
Não falo da voz usada com fins racionais.
A
voz à qual me refiro é uma entidade que coabita o corpo de alguns dos homens.
Eu falo de uma voz que geralmente se cala. Falo de uma voz que é emoção, que é
válvula de escape, que é sublimação.
Muitos
são os caminhos que o levaram a achar a sua voz, mas depois disso uma coisa é
certa: você achou um outro que é poderoso e vive dentro de você. Um outro que
talvez ainda não tenha forma, volume ou identidade e, assim, como na vida
cotidiana, o auto conhecimento será o caminho para dar autonomia a esse novo
que chegou. Uma voz tem que ter volume. Tem que se fazer ouvir, tem que se
fazer provocar emoções. As emoções que você, dono dela (ou seria ela sua
dona?), guarda, reprime, por inúmeros motivos e que uma hora, mais cedo ou mais
tarde, terá que soltá-las. Voz é emoção. Voz é emoção em ondas sonoras.
A
sua voz tem que ter identidade. Nenhum ser humano tem o mesmo timbre que o
outro. A voz é uma espécie de subjetividade, essa propriedade que faz de nós,
homens, seres tão diferenciados. A identidade da sua voz será a sua
personalidade impressa nela. Vai ser aquilo pelo qual você se fará ouvido. Pode
ser um processo natural, sua voz pode já vir com algo muito peculiar que a
diferencie, mas, caso não seja assim, será um trabalho de caminhada que você
fará junto com ela. Você descobrirá o seu jeito único de cantar, de soltar a
voz.
A
sua voz será o seu consolo. O consolo no final dos dias. O consolo diante das intempéries
da vida. O conforto diante dos seus fracassos. O conforto diante do amor que
não te, o conforto diante da sociedade que te esmaga, o conforto diante de suas
atividades mecânicas e forçadas, o conforto diante das pequenas humilhações
diárias, o conforto diante da intransigência dos grandes quando se é pequeno, o
conforto diante do esmagamento dos seus sonhos. Não importa o quanto te anulem,
não podem tirar a sua voz.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Gnarls Barkley - Crazy
My heroes had the heart to lose their lives out on a limb
And all I remember is thinking "I want to be like them"
Ever since I was little, ever since I was little it looked like fun
And it's no coincidence I've come
And I can die when I'm done
Então é isso...
Quando tudo passa, nada mais se espera passar.
Aquela falta de expectativas, um copo que mesmo cheio pela metade ainda tem uma metade vazia.
Aquela vontade de falta de compromisso, ânsia de novidade, falta de perspectiva.
Aquela hora que sem querer você deixou de viver e agora só assiste à vida dos outros e à reprises da sua.
A hora de querer arriscar, de fazer planos irrealizáveis, mas você topa tudo o que aparecer.
Aquela hora de reavaliar as condutas com pessoas que você ainda gostaria de ter por perto.
Hora de correr atrás?
Hora de deixar pra trás?
Hora de pesar a verdadeira grandeza dos que lhe cercam...
Tentar lembrar o porque você gosta deles.
Hora de se colocar a prova.
Quanta dor você suporta?
Quanto você consegue fingir?
Você é realmente bom?
vazia.
Porque quando você finalmente se volta pra si é isso que encontra:
O vazio em torno do qual se esforça pra preencher e desse esforço vem tudo aquilo que é você.
Aquela falta de expectativas, um copo que mesmo cheio pela metade ainda tem uma metade vazia.
Aquela vontade de falta de compromisso, ânsia de novidade, falta de perspectiva.
Aquela hora que sem querer você deixou de viver e agora só assiste à vida dos outros e à reprises da sua.
A hora de querer arriscar, de fazer planos irrealizáveis, mas você topa tudo o que aparecer.
Aquela hora de reavaliar as condutas com pessoas que você ainda gostaria de ter por perto.
Hora de correr atrás?
Hora de deixar pra trás?
Hora de pesar a verdadeira grandeza dos que lhe cercam...
Tentar lembrar o porque você gosta deles.
Hora de se colocar a prova.
Quanta dor você suporta?
Quanto você consegue fingir?
Você é realmente bom?
vazia.
Porque quando você finalmente se volta pra si é isso que encontra:
O vazio em torno do qual se esforça pra preencher e desse esforço vem tudo aquilo que é você.
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