terça-feira, 16 de novembro de 2010

Sobre os sonhos: técnica e sentimentalmente.

Dias desses eu tava pensando... Uma das primeiras coisas que li na faculdade foi a 'interpretação dos sonhos'. Aliás, atribuo principalmente à essa obra o meu fascínio pelo inconsciente.Contuodo, depois dela eu não vejo mais os sonhos com a mesma magia. Será que deveríamos ter desvendado os sonhos? Sim, eles são a porta de acesso ao inconsciente, sei disso,mas indecifráveis eles são tão mágicos. São tão sonhos...Já parou pra pensar na dimensão dessa palavra? Por outro lado, até técnicamente ele pode ser admirável e desejável. "Os sonhos são realizações de desejos", desejos que por algum motivo, interno ou externo, não puderam ser realizados durante o dia. As vezes desejos que nem chegaram à consciência, daí os 'pesadelos'. Afinal, a que senhos o sonho serve? Consciente ou inconsciente? Realização de desejos. O pior é que tem fases que até quem nunca ouviu falar de Freud sabe disso. Eu mesma...Nem sonhava em fazer psicologia e quando eu queria muito uma coisa ia dormir. Ia dormir pensando no que eu queria sonhar. As vezes dava certo, as vezes não.Agora eu sei que eu só queria o que dava certo. O resto era superficial e fruto da consciência. Agora mesmo...quero ir deitar só pra sonhar. Esse post nem tá legal, mas e daí...Não adianta me empurrarem do abismo. Sou eu comigo mesma. Eu tenho que pular. Qum sabe daqui a pouco, quando eu dormir, eu não pule...Quem sabe?

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Great Expectations

Sobre grandes expectativas e o medo...


Quem já assistiu a esse filme saberá do que eu estou falando, quem não o fez (assista, vale à pena) também entenderá.
Quero começar pela cena que mais me chamou atenção:
quando eles estão na cama e ela diz algo parecido com:


"Vamos falar de uma menina que desde os dez anos foi ensinada a ter medo do sol, que ele era seu inimigo. Um dia o sol a convida para brincar do lado de fora.
Ela diz que não.
O sol não pode vicar chateado com ela, pode??"



Assim como em tudo em que a cultura repousa
Um sentimento, uma ideia, um plano,
a noção de subjetividade é ignorada e
as dores passadas interferem nas dores futuras.
Uma dor anterior adestra uma dor potencial que acaba por frustrar-se.
Bom ou ruim?
Seria mesmo uma dor,
ou as defesas alheias imperaram sobre você desnecessariamente?
Sempre haverá a dúvida.
A menos que...
Você deixe o sol entrar e constate por si mesma.
Sempre haverá o risco.
Nem sempre a satisfação,
mas nem sempre a frustração.

Enjoy!

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Sobre fungos no bonsai, Colette Soler e vontade de amar.


Winnicott estava tão certo sobre as mães terem de ser apenas suficientemente boas.Tô sentindo isso na pele. Eu adotei um bonsai.Moro em um apartamento aqui em Fortaleza.Até o ano passado eu morava sozinha, mas esse ano meu irmão mais novo veio morar comigo.Sempre quis criar algo vivo, mas o tamanho do apartamento e, confesso, minha acomodação castraram a maioria das minhas opções.Bem, pensei em cachorro, peixe, hamster, passarinho etc. Me decidi por um bonsai. Assim que decidi, pedi um ao meu pai. Pensando em mim e no meu irmão ele trouxe dois. Quando eles chegaram eu entrei na internet e me inteirei da arte de criar um bonsai. Tenho uma romã e uma tuia. Fui uma mãe excessivamente boa para a Romã.Por excesso de água ela criou fungos...está com uma espécie de pózinho branco nas folhas.Pesquisei inseticidas naturais e agora tô procurando um lugar que venda fumo.Achei uma receita de um que leva fumo e sabão neutro.Dentre todas as receitas essa era a mais simples, então vai essa mesmo.Semana passada eu fui jantar com o meu caso e ele disse que também cria bonsais.O dele é uma jaboticaba.
Tenho uma amiga que diz que "casos nunca acabam".Eu sou a prova viva disso.Tenho um caso com um cara há quase dois anos.Na maioria dos casos eu já teria enjoado, mas, por algum motivo que eu ainda não sei qual, ele ainda me atrai.Ele é mais velho,bem diferente de mim, mas é um cara legal.Nós não temos absolutamente nada em comum, mas a gente ainda se encontra às vezes.Apesar de ser legal quando a gente tá junto, ele não preenche o meu vazio...Existem lendas sobre ele que me fazem não confiar.É engraçado porque eu não acredito em uma palavra que sai da boca dele e mesmo assim gosto de estar com ele. Desde que entrei na faculdade passei a ter mais curiosidade sobre as relações humanas.Algumas delas eu já tinha conhecimento, mas outras não. Dentre as correntes da psicologia eu me identifico mais com a psicanálise (acho que já deu pra perceber), então, é normal que eu tenha mais curiosidade ainda sobre as relações sexuais entre os seres sexuados.Bem, não quero que me entendam mal, mas é que eu nunca estive com alguém por muito tempo.Acho que eu nunca estive apaixonada de verdade.Nunca provei desse veneno que é ter necessidade do outro.Em palavras técnicas, todas as minhas experiências foram não marcadas, nada marcado por um prazer especial ou coisa do tipo.Acho que eu me repito na solidão.Já diria Colette Soler, "o sujeito mantém-se repetindo na sua solidão.Ele não encontra um parceiro, no máximo a causa do seu desejo.Há sujeitos que choram por não encontrarem o parceiro, pode ser que nesse caso o sujeito se proteja desses encontros faltosos".Sentiram a profundidade, paradoxo e a coerência disso??(ao som de "I want love" do Elton John).Inconscientemente eu devo estar evitando um possível sofrimento que, matemáticamente falando, tem 50% de probabilidade de ocorrer.Bem, é um risco alto, mas, por outro lado, eu também tenho 50% de chances de encontrar alguém especial com quem eu possa aprender coisas e compartilhar momentos incríveis.Pelo sim, pelo não, meu inconsciente tá fazendo com que eu me afaste e crie uma armadura...O problema é que agora o meu consciente deu pra querer arcar com as possíveis consequências e se arriscar a viver uma história legal.A Colette também diz que "na repetição que é o amor o sujeito encontra apenas a si mesmo...".Quer dizer que, bem ou mal, essa busca será em vão se eu almejar encontrar um outro.A grande sacada é buscar No outro a Sí mesmo.Que lindo, cara.Vocês percebem a profundidade disso tudo.Se você ama alguém é porque de alguma forma você se encontrou nesse certo alguém.Por isso, já cantava Paulo Ricardo:"Quando um certo alguém desperta um sentimento é melhor não resistir e se entregar".É, não adianta eu tomar nota de fatos que me possam fazer repensar,eu quero me encontar em alguém.Eu quero ter essa experiência de poder gozar do corpo do outro sem a real presença do corpo, mas também pelo verbo, pela linguagem, pelos signos, enfim.Quero usar o "apesar de".Quero poder dizer que apesar da dor, apesar do desgaste, apesar dos riscos e das incertezas, apesar de não poermos programar o parceiro e de não poder mudar o impossível, eu quero amar.Quero ter todas aquelas sensações que serão a minha forma de combater a violência dos clichês e construir um amor puro, lindo e singular.