Dizem por aí que nós somos falados pelos outros antes de sermos nós mesmo.
Há gerações atrás criaram expectativas ao seu respeito...
Aí tem uma época que a gente acha que cresceu e que tem que se libertar de tudo isso que os outro vestiram na gente, e isso parece um ato quase que revolucionário. Há certa beleza em descobrir aquilo que você edificou por si mesmo, mesmo tendo ressalvas quanto a real possibilidade de uma produção 100% independente, não contaminada de outros, mas é uma fantasia importante de ser cultivada.
Aí tem uma época que a gente acha que cresceu e que tem que se libertar de tudo isso que os outro vestiram na gente, e isso parece um ato quase que revolucionário. Há certa beleza em descobrir aquilo que você edificou por si mesmo, mesmo tendo ressalvas quanto a real possibilidade de uma produção 100% independente, não contaminada de outros, mas é uma fantasia importante de ser cultivada.
É engrandecedor, te dá perspectiva, é daquelas coisas importantes para o bom desenrolar da caminhada... Acho que todo mundo já experimentou disso. Uns mais cedo, outros mais tarde, mas algo experimentável ao homem enquanto personagem de alguma história. O que me tem vindo muito à cabeça ultimamente é uma indagação que eu fiz diante de uma constatação quase que epifânica dessas que a vida apresenta pra gente 3 meses depois do que um dia a gente julgou ser a hora certa: "espera aí, ninguém nunca me disse isso".
A partir daí eu comecei a pensar em um "Compêndio das coisas que não me disseram", porque na cabeça eu tenho uma sequência muito clara de cenas que voltam em determinados momentos... Aquela coisa que alguém citou por alto, ou até mesmo te advertiu, que na hora você deixou passar, porque faz parte de ser humano deixar passar certas coisas, mas que alguma coisa dentro de você não deixou passar completamente. Algo ficou guardado, pra voltar tarde demais, ou na hora que a vida julgou ser a hora certa, por mais que você discorde.
Enfim, o fato é que com o tempo, a vida vai mudando o roteiro e te obriga a cada dia mais ser melhor no quesito "improvisação". Algumas batatas em chamas cairão nas suas mãos, (traz)vestidas de amor, carreira, escolhas, e naquele pequeno delay da matrix de você procurar as câmeras na esperança de ser uma pegadinha, na esperança de ser um lapso do diretor, na esperança de que nos próximos três segundo alguém apareça e faça uma ressalva que te coloque de volta dentro do roteiro, dentro do mar de palavras já escolhidas, é nesses segundos de desespero que você cresce.
É na sequência, e pela repetição desses segundos que você começa a entender do que se trata, começa a aceitar que as palavras vão faltar, que o roteiro vai mudar e que o plano vai falhar...
Eu podia colocar aqui isso dentro de um daqueles texto super virais de títulos que envolvem as necessárias mudanças dos planos de vida de qualquer um, mas acho que isso seria querer encaixar o não-roteiro dentro do roteiro, e eu acho que se trata muito mais de aceitar que a vida segue sem roteiro, sem consulta, porque em algum momento você vai na prateleira e percebe que o manual não está lá... Regule as velas pro vento que faz agora, sabendo que quando você terminar de fazê-lo, ele pode já ter mudado.
Ou escreva! Todos amparados no precedente Drumondiano do "Não se mate", olhe pra trás e poesie o "hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será" cotidiano de todos nós.
