segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

De como o fogo fez não mais queimarmos... Sobre máquinas e sentimentos.


Machine. Eu acho "machine" mais sonoro que máquina, acho o fonema /x/ mais agradável que o /k/, mas esse não é o nosso ponto aqui. Nosso ponto aqui são as máquinas e não os fonemas. Os sentimentos também são um ponto, e a falta deles, enfim, vocês já devem ter percebido que eu não sou a melhor pessoa do mundo em delinear o rumo do que eu escrevo antes do fim. Nós, "humanos", criamos a máquina. Fruto muito de nossa preguiça, é bem verdade. Na falta de coragem para fazermos algo, utilizamos do fogo de Prometeu (em resumo, a inteligência) para criarmos dispositivos que fizessem por nós o que deve ser feito. Isso deve ter começado com o fogo, dai foi pra roda, e hoje a gente tem altos sistemas de computadores que fazem coisas extraordinárias. Em inúmeras ficções científicas nós vemos as máquinas criando uma espécie de "autonomia" que beiras os moldes do terror. As máquinas se rebelarão e tomarão o poder, escravizando os pobres humanos, que não sabiam o que estavam fazendo ao conceder à elas tanta inteligência. Sabe qual a boa dessas ficções? 1- elas não saem do nada, ex-nihilo, elas saem de algum tipo de fantasia que habita o imaginário humano, e eu diria vários deles, porque não temos apenas um desses filmes, temos vários. 2- Se nós criamos as máquinas para fazer aquilo que tem de ser feito, mas o homem não teve coragem, ok, já podem criar uma máquina que sinta. Porque, pelo menos em tese, está dentro das atribuições humanas dor, prazer (com ou sem dor), paixão, entrega, medo, dor, vazio, confusão, alegria, dúvida, pânico, sabe... essas coisas da classe dos sentimentos. E o que fazemos hoje? Mais uma vez criamos uma forma de evitar o que nos desagrada, o vazio é tamponado das maneiras mais artificiais possíveis, a dor é calada com o arsenal da indústria farmacêutica, o medo foi taxado de fraqueza (que é outra coisa da classe humana repudiada) e ascendeu ao status de vergonha, o prazer virou moeda de troca e perdeu valor, a alegria eu tenho minhas dúvidas quanto à sua qualidade diante da quantidade que nos é vendida, perdemos a espontaneidade! Gente, o que há de mais humano que a espontaneidade? E por ai vamos... nos esquivando daquilo que nos conferia o status de humanos. Somos vazios, rasos e artificiais, características de máquinas?