segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Sobre a verdadeira confusão...

Eu não sei se isso melhora ou piora tudo. 
Não sei se é o que me acalma ou justamente o que perturba. 
Não sei mais onde colocar pra esconder, porque toda hora emerge. 
Uma série de chaves que trazem à tona toda a confusão. 
Eu não sei se devo fugir ou me instalar. 
Não sei se é minha salvação ou justamente a minha desgraça. 
Não sei se quero continuar, se devo buscar uma saída, um atalho, 
uma ponte, ou simplesmente mudar o destino dessa viagem. 
Eu não sei nem se todas essas dúvidas são mesmo dúvidas 
ou se estão todas por aqui pra fomentar o medo, 
porque isso pode falhar, ou pode dar certo. 
E, sendo medo, eu não sei se é de que dê certo ou de que fracasse.
Eu não sei que a confusão é (d)isso.


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Saudade vira passado...

Que eu andava com uma saudade tão grande, mas tão grande que ela me imobilizava. Quase não conseguia mover o que quer que fosse sem que aquela saudade se fizesse presente. Ela era um piano das minhas costas... Mas, enfim. Eu não lembro de ter experimentado algo assim, e era uma saudade anunciada, pomposa, bonita, de quase dar orgulho. Não queria me afastar dela, eu a cultivava, cuidava com carinho, de alguma forma ela era boa, era doce. Era uma saudade toda cheia de esperança, colorida, coisa de agradar aos olhos mesmo. Mas... O inferno são os outros, né? É sempre pelo outro que sofremos, é sempre o outro que tem a chave da nossa felicidade, ou até mesmo da nossa saudade. Essa saudade não era um sentimento intransitivo, era saudade de alguém, de um outro. Esse outro só tornou a saudade bonita até certo ponto. Depois disso ele se deixou sucumbir pela lógica maldita e universal da capitania herdada, como um donatário displicente só veio à essas Terras enquanto era novidade, depois disso sabe-se lá que outras terras habitara, povoara, visitara. Meu donatário me deixara entregue às lamúrias desta terra insólita e infértil, se fora como um vento de estação. Era estação, não era clima. Assim, nada mais me restou que deslocar a minha saudade da categoria de futuro à categoria de passado. Pedaços de terra nunca ficam despovoados por muito tempo. Mudam de colonizador, mas cada colonização deixa sua marca. Não sei se um dia vou sentir uma saudade tão bonita quanto essa, mas espero pelo dia que, muitas colonizações depois, uma escavação arqueológica encontre artefatos desta...