Mas afinal, o que querem as mulheres?
Essa é uma pergunta que pode ser vista de duas maneiras: um muro e um motor.
Um muro se você não abstrair do 'bem fundamentado'. Isso porque tudo que envolve a mulher está na ordem do mal, mal-fundamentado. Nós temos no meio das pernas a verdade do mundo, digo isso porque temos um pé na razão e um pé na loucura. Não existe um mundo são ou um mundo louco, existe um mundo onde os dois coexistem, às vezes bem, às vezes mal, mas estamos sempre falando de um plano em comum. E estamos sempre falando da mulher. Importante que se saiba que quando falo da mulher não estou restringindo à anatomia, tô abrangendo a escolha, o posicionamento. Você com certeza já viu muita mulher anatômica mais homem que muito homem anatômico e vice-versa.
Sim, mas... O que querem as mulheres? Eis a esfinge do mundo moderno. Desde que as amarras foram se desfazendo, as coisas foram mudando, as línguas foram se soltando, e nós começamos a dar mais trabalho que o habitual. Veio a tal da revolução sexual, donde queríamos ter o mesmo acesso ao prazer que os todo-poderosos homens, as pessoas não gostaram da ideia de início, mas foi questão de tempo passarmos (superficialmente) de um extremo ao outro. De repente, até onde os olhos viam, nós estávamos tão bem decididas quanto ao que queríamos e, corajosamente, fomos atrás do prazer. Liberdade sexual, queima de sutiãs, direitos iguais, feminismo... Isso tudo é muito mais uma metamorfose do véu que encobre o que realmente há por trás da mulher. Mudamos a forma dos desvios, dos disfarce, mas continuamos a buscar a mesma coisa. E uma busca que não cessa é uma busca por algo que não existe, que não se faz presente, que não ocupa seu lugar.
Agora chegamos ao homem que não existe. A mulher existe! Você certamente já conheceu meninas e conheceu mulheres, sutis belezas as diferenciavam, mas essa existência dentro da diferença só foi possível porque convencionou-se dar a nós, mulheres, o benefício da falta. Mulher é faltosa. Meninas são mais delicadas, algumas mulheres são mais fortes, entre meninas e mulheres existem diferenças nos seios, nas coxas, nos sorrisos, olhares, armas... Mas entre elas há um denominador comum: a falta. É isso que torna a nossa existência possível. Quanto ao que queremos, é isso que torna a existência do homem impossível. Elegemos uma série de quesitos, em sua maioria eles vem das histórias de amores e lutas que ouvimos quando estávamos sendo subjugadas a sermos mulheres. Daí cruzamos os elementos externos com nossas demandas interna e elegemos o nosso próprio modelo de objeto de desejo, um modelo bem peculiar, cheio de extravagâncias e, até pra mim que sou mulher, coisas da ordem do impossível. Como um boneco de pano, vamos enchendo, enchendo, costurando, customizando, e ao final dessa manufatura temos um ideal de homem. Eis a minha conclusão, o único homem que existe é esse de articulações frágeis que costuramos com nossos dotes femininos. A esse boneco não foi concedida a benção de Geppeto, não seria saudável para a ordem do mundo um homem que atendesse a tais regalias. E é por isso que somos assim, tão 'estranhas', 'loucas', 'irracionais', porque temos de conviver com o terror velado de viver em busca de algo que não existe, e, pior ainda, tentar, da melhor maneira possível, fazer algo com aquela luzinha que pisca incessantemente dentro de nós, aquela luz de alerta que nos deixa absurdamente divididas entre o desejo da transgressão e o desejo da proteção...