sábado, 28 de setembro de 2013

Hoje eu acordei com vontade de ser dessas mulheres excêntricas (diferentes ou doidinhas, pra alguns)... Vontade de me derramar, me espalhar sem perspectiva de recomposição. Quase de-compor. Escolher um alvo encantador, sair a rua, sentar na mesa de um bar onde esteja tocando uma música legal, pedir um drink (ou vários) e ficar lá, em exposição para os outros e apreciação de mim mesma. Até que finalmente, dos inúmeros garotos que passaram, um deles tem o germe de homem e pede pra me acompanhar. Abro o sorriso: "Claro, porque não?".
Hoje eu acordei com vontade de colocar uma roupa bem sexy, calçar um salto, experimentar 300 maquiagens antes de decidir pela que melhor combinar com meu humor, chamar os (amigos) de confiança e ir dançar. Chegar na pista e dança como se eu estivesse sozinha em casa com o som alto, cantar todas as músicas conhecidas que a banda tocar, esquecendo que eu preciso cuidar da voz. Gritar, irrigar a garganta com álcool e gritar mais um pouco.
Hoje eu acordei com vontade de vestir um vestido frouxo, meter uma rasteira e ir sozinha ao cinema do dragão. I r de ônibus, pra poder apreciar a paisagem. Chegar cedo pra escolher o filme, sentar um pouquinho sem nada pra fazer, depois ir tomar um sorvete na castelinho. "Um simples de doce de leite flocado, por favor!"
Hoje eu acordei com vontade de sair com gente desconhecida. Amigos de algum amigo. Ser apresentada a gente nova e poder ser outra pessoa totalmente diferente. Semblante de desencanada, divertida e selvagem, daquelas que não se prender, que com o sorriso dizem: "é sedutor, mas não se encante, amanhã não me verás mais". Pedir drinks sofisticados e entrar nas conversas filosóficas como se fossem cotidianas. Analisar a sociedade com escracho, dominar a mesa, ditar o rumo da conversa, ser rainha da noite.
Hoje eu acordei com vontade de fazer tudo isso, chegar em casa entre a boca da noite e a madrugada, depois de passear por todas as possibilidades, encantar e desagradar, ainda estando meio confusa de quem eu realmente sou depois de ser tantas, ligar pra alguém e dizer: "Vem me colocar pra dormir..."

sábado, 14 de setembro de 2013

Afinal, quem não existe mesmo?

                                                    Mas afinal, o que querem as mulheres?
Essa é uma pergunta que pode ser vista de duas maneiras: um muro e um motor.
Um muro se você não abstrair do 'bem fundamentado'. Isso porque tudo que envolve a mulher está na ordem do mal, mal-fundamentado. Nós temos no meio das pernas a verdade do mundo, digo isso porque temos um pé na razão e um pé na loucura. Não existe um mundo são ou um mundo louco, existe um mundo onde os dois coexistem, às vezes bem, às vezes mal, mas estamos sempre falando de um plano em comum. E estamos sempre falando da mulher. Importante que se saiba que quando falo da mulher não estou restringindo à anatomia, tô abrangendo a escolha, o posicionamento. Você com certeza já viu muita mulher anatômica mais homem que muito homem anatômico e vice-versa.
Sim, mas... O que querem as mulheres? Eis a esfinge do mundo moderno. Desde que as amarras foram se desfazendo, as coisas foram mudando, as línguas foram se soltando, e nós começamos a dar mais trabalho que o habitual. Veio a tal da revolução sexual, donde queríamos ter o mesmo acesso ao prazer que os todo-poderosos homens, as pessoas não gostaram da ideia de início, mas foi questão de tempo passarmos (superficialmente) de um extremo ao outro. De repente, até onde os olhos viam, nós estávamos tão bem decididas quanto ao que queríamos e, corajosamente, fomos atrás do prazer. Liberdade sexual, queima de sutiãs, direitos iguais, feminismo... Isso tudo é muito mais uma metamorfose do véu que encobre o que realmente há por trás da mulher. Mudamos a forma dos desvios, dos disfarce, mas continuamos a buscar a mesma coisa. E uma busca que não cessa é uma busca por algo que não existe, que não se faz presente, que não ocupa seu lugar.
Agora chegamos ao homem que não existe. A mulher existe! Você certamente já conheceu meninas e conheceu mulheres, sutis belezas as diferenciavam, mas essa existência dentro da diferença só foi possível porque convencionou-se dar a nós, mulheres, o benefício da falta. Mulher é faltosa. Meninas são mais delicadas, algumas mulheres são mais fortes, entre meninas e mulheres existem diferenças nos seios, nas coxas, nos sorrisos, olhares, armas... Mas entre elas há um denominador comum: a falta. É isso que torna a nossa existência possível. Quanto ao que queremos, é isso que torna a existência do homem impossível. Elegemos uma série de quesitos, em sua maioria eles vem das histórias de amores e lutas que ouvimos quando estávamos sendo subjugadas a sermos mulheres. Daí cruzamos os elementos externos com nossas demandas interna e elegemos o nosso próprio modelo de objeto de desejo, um modelo bem peculiar, cheio de extravagâncias e, até pra mim que sou mulher, coisas da ordem do impossível. Como um boneco de pano, vamos enchendo, enchendo, costurando, customizando, e ao final dessa manufatura temos um ideal de homem. Eis a minha conclusão, o único homem que existe é esse de articulações frágeis que costuramos com nossos dotes femininos. A esse boneco não foi concedida a benção de Geppeto, não seria saudável para a ordem do mundo um homem que atendesse a tais regalias. E é por isso que somos assim, tão 'estranhas', 'loucas', 'irracionais', porque temos de conviver com o terror velado de viver em busca de algo que não existe, e, pior ainda, tentar, da melhor maneira possível, fazer algo com aquela luzinha que pisca incessantemente dentro de nós, aquela luz de alerta que nos deixa absurdamente divididas entre o desejo da transgressão e o desejo da proteção...

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Ah, mas se vais embora...


Por favor, vá embora logo!
Entre nesse avião, atravesse o oceano, volte às origens dessa terra maldita e não olhe pra trás!
Por favor, desapareça. Saber da tua partida iminente não evitou que eu me envolvesse, afinal, se a morte vem como decreto de fim, o sexo vem para além de qualquer aniquilação.
Por favor, me destrate, me maltrate, não me trate. Deixe que eu esgasse pelas noites toda e qualquer lembrança da tua pele, deixe que eu esqueça da maciez dos teus lábios e dos teus braços a me envolverem tão seguramente a ponto de eu querer o fim do mundo. 
Vá embora. De dentro e de fora de mim, só vá embora logo. 
Vá, e de preferência não volte. Ou volte, mas apenas quando tiver outro em seu lugar, 
depois de eu muito amaldiçoar a vida pelas bençãos que te dei. Vá embora, e faça uma saída triunfal, para que eu te odeie a cada gota. Vá e me mostre toda a sua fraqueza pra que eu me agarre nela a fim de te destituir do lugar de meu, de mestre.
Ah, não faça drama, não me force a acreditar que você se importa. Isso não importará quando eu precisar te destruir pra seguir em frente. 
Vá e leve com você a sua rua, a sua casa, todos os lugares em que fomos juntos.
Por favor, não esqueça de levar aquela música que cantaste para mim no chão. Aquela música é tudo o que não pode ficar por aqui, ela seria um iceberg que destruiria o navio do meu esquecimento. Leve-a consigo, leve a tua voz que era leve naquela noite. Leve, pra bem longe, porque saber da tua partida não me adiantou de muita coisa. Saber que tu iria embora não fez fenda na verdade da minha dependência.
Ah, vá embora! Toque fogo em tudo o que me possa remeter a você e de preferência me mande notícias de tua felicidade ao lado de outra moça.
Vá logo antes que eu te ache. Ah, vá embora. 
Me leva contigo. Mas se for levar em pensamentos prefiro que me jogue no meio de uma nuvem, num vácuo ou turbulência pra que eu nunca mais consiga encontrar o caminho de casa, nem o teu caminho, ou caminho algum. Só me leve se for a ponto de sentirdes minha respiração junto a tua, caso contrário me deixe. Me deixe, vá embora. Vá embora o mais rápido e rispidamente possível. 
Vá em-boa-hora.