Escrevo para gastar de alguma forma esse sentimento que me engasga.
Esse sentimento que eu plantei e alimentei por debaixo da minha própria censura.
Escrevo porque não posso gritar,
canto porque não posso dizer,
e assim sigo vivendo de consolações àquilo que não posso fazer.
Calar um grito é tarefa árdua, pois mesmo de boca fechada ele me escapa pelos olhos em forma de lágrima.
Calar um grito é tarefa dura, porque, além de tudo, tenho a doce lembrança que me impede de transformar tudo em amargura.
Quisera eu (ah, como quisera) agora ser uma sereia
Para deixar de lado toda a farsa terrena,
afundar mil navios e lançar meu grito a fim de que você me queira.