domingo, 25 de novembro de 2012


Vou te arranjar uma chuva forte,calma
Que te lave a alma destes desencontros
Desta quase angustia
E alguma noite calada e companheira
Que te guarde inteira
Pro renascer de nova manhã
Um quarto de sombras
E luz apagada
E uma cama pousada
Que embale teus sonhos
Até você despertar
E o meu abraço quieto e aconchegado
Que num laço apertado
Quer te lançar na busca
De se encontrar
Tendo o céu como o destino
Tendo o vento como guia
Procurando o sol a pino
De outro dia

Jessé

domingo, 18 de novembro de 2012

E você vai ter que ficar com o por enquanto.

Não com essas palavras, bem mais esteticamente talhado, claro, mas Clarice nos dizia que nós viemos e iremos para um vazio, viemos do vazio do antes de nascer e iremos para o vazio da morte. O que nos resta é um "por enquanto".

É nesse por enquanto que vamos levando, né? É nesse por enquanto que vamos sofrendo, caindo, levantando de cabeça baixa, se atrevendo a olhar pra cima aos poucos, levando topada, olhando pra baixo, esbarrando, olhando pra cima, levando topada...
A questão agora é que você tá angustiado. Mastiga, rumina essa angústia. Tem epifanias, faz coisas por causa delas, mas, concretamente, o que muda?

Felizes daqueles que não pensam. Mais felizes aqueles que não falam.

Você vai buscando, acreditando, mas aos poucos percebendo que a felicidade é um pássaro esperto. Ele se deixa ver, ouvir, até se orgulha de ser contemplado. Com toda a sua pompa te deixa envolver, admirar-lhe as asas e a ignorância, chegar perto, chegar perto... e voa. Sem nenhuma consideração.

Essa é a "queda". Depois disso, você rumina e levanta. Levanta porque a maioria de nós sempre levanta. A maioria de nós sempre levanta porque nunca de fato caiu. A queda de verdade é quase uma redenção. A queda de verdade é a liberdade. Quando se cai de verdade você não é mais obrigado a levantar. A queda verdadeira te livra do masoquismo escroto de ter esperança. Esperança. Vou te dizer, esperança é, nessa conversa, a força da gravidade. A força que te leva ao chão.
Não me julguem.
Não o façam.

Depois "dissos", você percebe que as coisas simplesmente são. Que você saiu do nada e vai pra lugar algum. Que o que te resta é o por enquanto. E o por enquanto é o que te resta.