E se discutíssemos o sexo dos anjos?
E se não distinguíssemos as diferenças na concentração de melanina?
E se a música nunca cessasse?
E se toda tristeza fosse efêmera?
E se entre nós houvesse um único idioma?
E se ao invés de física, estudássemos metafísica?
E se houvesse mais humildade nos grandes?
E se quebrássemos os padrões banais?
E se não houvesse o capitalismo?
E se esquecêssemos as burradas históricas?
E se vivêssemos mais em função da morte?
E se canonizássemos os microrganismos?
E se navegássemos ao invés de viver?
E se esquecêssemos o escarro e caprichássemos no beijo?
E se houvesse a anistia sentimental?
E se disséssemos tudo o que há para dizer?
E se plantássemos antíteses?
E se só houvesse os escravos de suas próprias vontades?
E se a riqueza fosse uma só?
E se o vento sempre indicasse a direção?
E se a fecundação fosse a única batalha a ser travada?
E se sempre pudéssemos usar outras palavras?
E se a utopia fosse o critério primordial?
E se decidíssemos ser simplesmente Humanos?
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008.